1 de abr. de 2010

NOVO CONCEITO QUANTO AOS MÉTODOS DE CONQUISTA DE ALMAS

Pode um crente tranquilo, reservado e tímido transformar-se num conquistador de almas?
Será possível ao crente comum passar a ser um ganhador de almas de grande eficácia ?
Neste capítulo procuraremos introduzir um inteiro novo conceito quanto aos métodos de conquista de almas.
Até onde vai o conhecimento deste autor, esta é a primeira vez em que os princípios, a filosofia e a ciência desse novo método já foram apresentados.
Este autor está plenamente convicto que esta abordagem muito recente e no entanto muito antiga se tem mostrado o método mais eficaz de ganhar almas para Cristo que já foi posto em ação nos tempos modernos.
Não somente tem produzido um maior número de ganhadores de almas; mas também tem produzido conquistadores de almas mais eficazes do que qualquer outro conceito dos últimos duzentos anos.
Para principiar, este autor deseja dirigir-se por alguns instantes, não ao pastor, mas ao teólogo que porventura apanhe este livro para ler.
Até agora, esse novo conceito tem sido acolhido quase unanimemente por todos que vieram a compreendê-lo.
Ao tornar-se mais largamente conhecido, segundo todas as leis da história, estará destnado a cair sob as vistas dos críticos.
Desejo dizer-te isto, antes de atirares a primeira pedra crítica:
por favor, não derrubes esta casa, a menos que possas e realmente edifiques uma melhor.
Se puderes encontrar uma abordagem melhor, relativa à conquista de almas, mais de acordo com os ditames do Novo Testamento, então terás prestado à humanidade um de seus maiores serviços.
Além disso, se tiveres algo para dizer, adquire primeiro o direito de dizê-lo, sendo um eficaz conquistador de almas. Todo o raciocínio teológico (do que este autor é absolutamente incapaz) pode ser muito profundo, e parecer perfeitamente correto; mas aquele que fala é um evangelista pessoal ?
Enquanto não o fores não terás adquirido o direito de falar sobre o assunto.
Por favor, enquanto essas duas qualificações não se cumprirem, não atires tuas pedras.

O CONCEITO QUE SE PERDEU

Temos negligenciado o maior princípio do testemunho.
Essa negligência tem impedido que a conquista de almas se torne uma parte natural da vida cristã.
O princípio é o seguinte:
* A fim de que sejas um eficaz conquistador de almas,
DEVES APRENDER A TRABALHAR COM O ESPIRITO SANTO.
Sem que o percebêssemos, temos edificado nossos métodos passados de conquista de almas sobre um conceito que deixa quase completamente de lado o Espírito Santo.
Ilustremos isso.
Em quase todos os livros escritos sobre a conquista de almas, sob o capítulo intitulado "Como Começar", somos informados simplesmente por começar a conversa perguntando:
"Você é crente?" ou:
"Você já está salvo?"
ou:
"Você já conhece a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal?"
Ora, isso é trabalhar com o Espírito Santo ?
Suponhamos que um crente esteja sentado em companhia de um homem perdido, e que então se volte para êle e indague:
"Você já está salvo ?"
A pergunta como que cai do céu, violenta e severa.
Quanto tempo o possível conquistador de almas realmente deu ao Espírito Santo para que trabalhasse no coração do homem com quem está conversando ?
Quanto tempo o Espírito Santo tem para prepará-lo para uma pergunta assim tão direta e crua ?
Nem mesmo um segundo.
O homem perdido fica abalado com um começo tão abrupto.
O Espírito Santo não tem a menor oportunidade de preparar o coração do homem.
Os resultados quase sempre são os mais desastrosos.
Outrossim, a maioria dos crentes se mostra totalmente incapaz de um evangelismo agressivo, eficaz.
Consideremos agora o ministério de Jesus Cristo.
Até Êle sabia ser necessário trabalhar em cooperação com o Espírito Santo.
Vemos isso, mui vividamente, em Sua conversa com a mulher, à beira do poço, que lhe conquistou a alma
Êle não começou a conversar perguntando-lhe subitamente:
"Você já nasceu de novo ?"
ou:
"Você tem certeza que vai para o céu ?"
Mas antes, começou lenta¬mente, dando tempo ao Espírito Santo para que preparasse o coração dela, e para que a convencesse de sua necessidade de alma.
Em nosso próprio vernáculo, Êle teria dito:
"Posso ter um copo de água ?"
Desse ponto em diante Êle gradualmente moveu a conversa, de um nível espiritual médio, elevando-a bem lentamente, até que chegou a tratar da vida eterna, até que finalmente a atraiu para Si.
Deu ao Espírito Santo bastante tempo para que fizesse Sua obra de convicção.
Que teria ocorrido se Jesus houvesse começado Sua conversa com essa sentença "Aquele de quem estás falando, é justamente o que fala contigo", ao invés de Sua primeira sentença "Dá-me um pouco de água", Só teria cortado qualquer conversa com ela.
É impossível ao crente testificar com eficácia a menos que dê ao Espírito Santo a oportunidade de preparar o coração do pecador.
Também é interessante notar que a mulher samaritana apresentou muitos argumentos e desculpas durante o decurso da conversa.
Jesus diferentemente de nós não respondeu a qualquer dessas perguntas !
Pelo contrário, Êle dirigiu a conversa de modo a evitá-las, e sempre subiu para um plano de pensamento mais alto, mais espiritual.
Que dizer sobre Nicodemos, porém?
Até parece óbvio que Jesus não estava trabalhando junto com o Espírito Santo quando falou a Nicodemos.
Nicodemos bateu na porta e entrou.
Sem mesmo uma saudação, Jesus enfrentou Nicodemos com a declaração:
"É necessário que nasças de novo".
Quão abrupto !
Qual a diferença entre o modo como Jesus testificou a Nicodemos e a maneira como testificou à mulher, à beira do poço ?
A diferença é a seguinte:
O Espírito Santo já havia agido no coração de Nicodemos.
Provavelmente já estava muito pertubado, convicto de seus pecados.
Essa é a razão por que veio ter com Jesus.
Por outro lado, a mulher samaritana provavelmente não tivera sequer um pensamento espiritual durante meses. Estava inteiramente despreocupada quanto à sua alma.
Se Jesus houvesse sido tão abrupto com ela, sem duvida teria obtido os mesmos resultados que nós, quando nos mostramos abruptos.
Ela ter-se-ia cercado de uma barreira impenetrável.
Jesus não era assim insensato.
Precisamos fazer esta indagação:
a maioria das pessoas se assemelha a Nicodemos ou se assemelha à mulher à beira do poço ?
Quantas pessoas chegam em tua porta, pedindo-te que lhes mostre como encontrar Cristo como seu Salvador?
Isso não acontece conosco mais do que uma ou duas vezes em toda a nossa vida.
A maioria das pessoas é como a mulher à beira do poço.
Não têm qualquer pensamento espiritual durante meses a fio Basta que as abordemos abruptamente para nunca mais conseguirmos chegar ao seu coração.
Mas, se iniciarmos lentamente a conversação, a exemplo de Jesus, para nossa admiração essas mesmas pessoas tão difíceis de abordar se tornam maleáveis e tratáveis.
Qual o segredo ?
Estaremos trabalhando em cooperação com o Espírito Santo.

I. COMEÇO DE CONVERSA COM UMA PESSOA PERDIDA

Quais são os problemas que enfrentamos quando, começando a conversar com alguém, queremos conduzir esse alguém a Cristo ?
O primeiro problema é que o crente está "transido de medo".
Esse é o maior problema no evangelismo pessoal.
Na longa lista de qualificações positivas e negativas, o medo avulta em primeiro lugar, segundo a maioria dos compêndios (tais como: conheça a Palavra; tenha compaixão; decore passagens bíblicas; tenha consciência da necessidade da alma; viva uma vida pura; etc).
Não são essas miríades de coisas que alistamos que impedem um crente de ser um ganhador de almas.
O grande fato é que o crente comum, em uma igreja evangélica de hoje em dia, deseja intensamente ser um conquistador de almas.
Mas o fato é que os crentes simplesmente não sabem como ganhar almas.
Essa falta de conhecimento é que produz o medo.
Os métodos que têm empregado deixaram-nos em situações tão terríveis que abandonaram a ideia de pescar almas.
A conquista de almas, sem sombra de dúvidas, é o pensamento mais aterrorizante na vida de um crente comum.
O que é maravilhoso, porém, é que quando o crente aprende a trabalhar em cooperação com o Espírito Santo, desaparece-lhe o problema do medo.
Pode testificar com a calma que experimenta nas suas conversas ordinárias.
O segundo grande problema é o ressentimento da parte daqueles com quem desejamos falar.
Por que surgiu essa resistência?
Porque o crente não sabe como iniciar seu testemunho.
A maioria dos crentes finalmente chega ao ponto da conversa onde sabem que devem começar testificando, e, sem qualquer observação preparatória; a fim de amortecer o choque, irrompe com:
"Você já está salvo ?"
Tomemos a posição da pessoa incrédula por alguns instantes.
A maioria dos crentes tem ficado convencida que todas as pessoas perdidas são endurecidas, ressentidas, antagónicas ao testemunho cristão.
Nada poderia estar mais afastado da verdade.
Porém, quando abordamos assim abruptamente a uma pessoa perdida, sua natureza carnal se rebela.
E ela dispara seu "mecanismo de defesa" uma barreira.
Quase com desprezo, volta-se e lança um olhar como se dissesse:

"E daí?
Sou tão bom quanto você".
Imediatamente o crente menos avisado adquire a impressão que essa pessoa, e todos os perdidos, são extremamente difíceis de abordar, não tendo desejo algum de serem esclarecidos quanto à vida eterna.
Mas a grande realidade é que a falha foi de nossa 7 parte, porquanto testificamos segundo a energia da carne, sem a assistência do Espírito Santo.
O terceiro problema que enfrentamos, ao iniciar conversa com um homem, é que êle invariavelmente responde com um "Sim, sou cristão'", quando lhe fazemos essa pergunta.
Isso acontece por nove vezes em cada dez.
Lembro--me bem de um homem a quem visitei em sua casa, e que estava com meio copo de whiskey na mão.
No momento mesmo em que lhe fizemos a pergunta, inclinou-se para trás com um ar de retidão e emborcou o copo, ao mesmo tempo dizia:
"Sim, certamente
(gole) sou cristão".
Ninguém pode descobrir se um homem é crente, fa-zendo-lhe tal pergunta.
Virtualmente todos responderão na afirmativa.
A maioria das pessoas não faz ideia se está salva ou perdida.
Mais adiante, neste mesmo capítulo, aprenderemos uma maneira inteiramente diferente de descobrir se alguém realmente é crente.
Há um modo de descobrirmos se alguém é crente, sem fazer-lhe tal pergunta.
Êle nos dirá se é crente ou não, sem mesmo saber se nos disse isso !
Por enquanto, todavia, consideremos a situação conforme a encontramos.
Dois homens estão conversando.
Um deles procura testificar ao outro.
O crente está assus¬tado; o outro homem está indignado.
O crente não pode descobrir se o homem está realmente perdido ou não.
Que situação.
Não admira que a maioria de nós não seja capaz de ganhar almas!
Qual é a solução ?
Trabalhar em cooperação com o Espírito Santo!
E AQUI ESTÁ COMO FAZÊ-LO:

Começa a conversa num plano suave.
Vai ao encontro da pessoa perdida no nível em que ela se encontra, e não no nível onde desejas que ela esteja.
Se ela é uma pessoa desinteressada, então jamais deves começar no ponto do conflito máximo (isto é, "Você está salvo?") Começa gradualmente, e o Espirito Santo criará interesse em seu coração.
Gradualmente vai conduzindo a conversa para onde queres permitindo que o Espírito Santo prepare o coração daquela pessoa com uma sentença, para que esteja apta a aceitar outra sentença, um pouquinho mais pessoal e então outra.
Finalmente, tendo o Espírito Santo empregado cada sentença a fim de preparar o caminho para a próxima, poderás fazer a pergunta mais importante de todas, a qual, se houvesse sido utilizada no princípio, teria produzido uma terriveí tensão entre ti e teu interlocutor.
Ficarás admirado por descobrir quão bem o Espírito Santo fêz a Sua obra.
O perdido estará pronto para receber de bom grado a pergunta, e nenhuma tensão se verificará.
Como vês, se o crente começa lentamente, ao imiscuir-se na área pessoal da vida de uma pessoa, o primeiro resultado é que o crente não ficará assustado.
E o perdido, posto não haver sido esbofeteado com uma pergunta direta e abrupta, começa a conversar com o crente sobre um tópico espiritual suave.
Então não fica mais tenso.
Não teme mais que o crente tente pressioná-lo para dentro de alguma coisa.
E assim o perdido adquire confiança no ganhador de almas.
As duas pessoas não demoram a ficar à vontade, naturais em sua conversa.
E a pessoa perdida "abrirá o seu coração" e começará a falar sobre assuntos que talvez com raridade tenha discutido antes.
Não ficará indignada.
A conversa se encaminhará, gradual mas naturalmente, para níveis espirituais mais profundos.
Basta que se remova o problema do temor, por parte do crente, e do ressentimento, por parte da pessoa perdida e terão sido resolvidos os dois maiores problemas da conquista de almas.

1. Como Começar Gradualmente uma Conversa

É verdadeiramente maravilhoso ver como o Espírito Santo prepara um coração quando o crente está testificando com um objetivo prescrito em mente.
O crente sempre sabe exatamente onde quer chegar.
Nunca se perde no meio do caminho.
Fazendo perguntas suaves no princípio, o crente dá ao Espírito Santo o tempo de despertar no perdido a convicção.
Porém, dando ouvidos atenciosos, também poderá aprender muita coisa sobre o perdido. E assim este é inconscientemente forçado a manter sua atenção sobre um tópico espiritual.
Essa concentração em um assunto espiritual dá ao Espírito Santo terreno fértil para Sua atuação.
O crente pode começar conversando, como pescador de almas, do seguinte modo:
"Roberto, há quanto tempo você vive aqui?"
("Cerca de dois anos").
"E desde que você se mudou para aqui, você e sua esposa têm pensado alguma coisa sobre questões espirituais ?"
O crente pode esperar pela resposta.
Roberto pode responder "Sim", ou "Não".
E o crente então pode passar para a próxima indagação de modo muito suave e natural, enquanto que o interesse da pessoa perdida começa a despertar suavemente.
(Cada pergunta deve ser formulada de tal modo que a despeito da resposta o crente possa passar para o passo seguinte.
Dessa maneira, o crente sempre sabe o que fazer em seguida.
Jamais terá de enfrentar um "grande desconhecido" quando está testificando).
O crente poderá então dizer:
"Roberto, em sua opinião qual o maior necessidade espiritual de uma pessoa ?"
A pessoa perdida responderá com "Ir à igreja, penso eu"; ou então:
"Orar"; ou talvez:
"Não sei, francamente".
E assim o crente, com naturalidade, passará para a próxima pergunta.
A conversa estará se avizinhando cada vez mais do ponto principal, mas paulatinamente.
"Você já ouviu falar nas quatro leis espirituais ?"
Naturalmente que Roberto responderá na negativa.
O crente terá acabado de introduzir um assunto que aguça a curiosidade.
Então poderá dizer:
"Essas são as leis espirituais que governam nossa vida e nosso destino eterno.
Já houve ocasião em sua vida quando pensou sobre sua necessidade da vida eterna ?"*
Nota bem:
O ganhador de almas está empregando termos usados na conversa diária.
Êle mesmo estará introduzindo os pensamentos básicos.
Estará orientando a conversa.
E a pessoa perdida mui naturalmente aproveitará esses termos e os usará em suas respostas.
Aqui, uma vez mais, o ganhador de almas terá fornecido ao Espírito Santo a oportunidade da trabalhar, pois de cada vez que o perdido usa esses pensamentos e termos, seu sentido cala mais fundo em sua consciência.
Já desgastamos termos como "perdido", "salvo", "nascer de novo" e "Você é crente ?" quando nos dirigimos aos incrédulos.
Os termos empregados nessa abordagem gradual são todos relativamente novos.
A pessoa perdida nem se sente ofendida com eles, nem percebe exatamente em que direção a conversa está seguindo.
Portanto, responde sem sentir-se tenso.

2. Como Descobrir se urna Pessoa é Crente

Mais ou menos na quarta ou quinta pergunta, depen¬dendo de como o interlocutor estiver reagindo, aparece a pergunta mais importante de todas.

* A pessoa perdida talvez responda:
"Sim, já pensei".
Isso., como é óbvio, nos diz duas coisas:
Essa pessoa não é crente, mas está interessada.
Se ela replicar com um "Não", então saberemos que ela ainda não é crente mui naturalmente poderá passar para o passo seguinte).
E essa pergunta cabe ali mui naturalmente.

Nesta altura, queremos apresentar um conceito que haverá de revolucionar o evangelismo.
Responde à pergunta:
"Como pode o crente descobrir se outra pessoa está convertida ou não ?"
No capítulo sobre o recenseamento religioso, salientamos o fato que muitas das denominações evangélicas de hoje não mais frisam a necessidade de salvação.
As cidades estão literalmente cheias de membros perdidos de igrejas evangélicas (a maioria dos quais não tem estado na igreja durante anos).
Deveria ser teu alvo, bem como de tua igreja, visitar, em seus lares, cada um desses membros inativos de igrejas.
Não tens o direito de criticá-los antes de fazeres isso.
Jamais devemos incorrer no erro de supor que essa gente está salva; e nem também devemos incorrer no erro de pensar que estão automaticamente perdidos.
Mas tua tarefa consiste em visitar-lhes os lares, para descobrires qual a situação real.
Os crentes visitam uma casa de família a fim de fazerem uma descoberta.
Precisamos descobrir se essa gente realmente foi regenerada, ou se de fato está perdida mas sem fazer-lhes qualquer pergunta.
(Posto que a indagação quase sempre é respondida com um "Sim").
Então podemos escancarar toda uma nova avenida de testemunho cristão.
Desse modo, podemos começar a trabalhar com o maior campo não-evangelizado da terra: os membros de igrejas evangélicas.
A igreja dotada de mente evangelística pode quadruplicar o número de possíveis interessados ao descobrir quais os salvos e quais os perdidos.
Acresce que os membros perdidos de igrejas necessitam de Jesus Cristo tanto quanto qualquer outro.
Como isso pode ser feito ?
É muito simples:
Ao invés de perguntares a um homem se êle é crente, pergunta-lhe o que pensa que é um crente.
Aqui está uma lei quase infalível:
Se pudermos descobrir o que um homem pensa que precisa ser feito para alguém tornar-se um crente, descobriremos se êle é crente ou não.
Vejamos a mesma coisa do outro lado.
Procura descobrir o que um homem pensa que precisa fazer para ir ao céu, e saberás se êle está salvo ou não.
Existe uma coisa que todo filho regenerado de Deus sabe, ainda quando não saiba outra coisa:
sabe que não se tornou crente por estar vivendo uma vida correta.
Poderá fazer esta pergunta:
"Roberto, em sua opinião, o que uma pessoa precisa fazer para ser crente ?"
(ou "para ir para o céu" ?)
Por algum motivo, as pessoas perdidas gostam de responder a essa pergunta.
Geralmente se recostam e dizem:
"Bem, vou dizer-lhe o que» creio.
Se uma pessoa levar uma vida decente, pagar as suas dívidas, e esforçar-se o melhor que possa, chegará ao céu".
Ora, esse é o raciocínio depravado de uma mente perdida, legalista.
Um filho da graça jamais fará tal assertiva.
E assim poderás saber com certeza que tal pessoa, sem importar quão religiosa aparente ser, nunca experimentou a salvação.
É nessa pergunta que deves treinar os membros de tua igreja, para que a façam em cada lar que visitarem.
(E as respostas que obtiverem deverão ser registradas nas costas do cartão de membros em perspectiva).
O passo seguinte que o crente der se reveste de capital importância.
Quando um homem dá a resposta errada, o impulso natural do crente é replicar:
"Não, está errado".
Muitos crentes caem nesse erro, mesmo depois de haverem sido treinados por repetidas vezes para que não o façam.
É imperativo jamais discordar com uma pessoa perdida, ao ser-lhe feita essa pergunta. Doutro modo o crente se verá envolvido numa discussão acalorada.
Portanto, quando um homem disser:
"Acredito que tudo quanto um homem precisa fazer para ser crente é ter uma vida decente e obedecer aos dez mandamentos", o crente deve responder com um sorriso:
"É a verdade.
Uma pessoa precisa viver com decência.
Mas, o que alguém precisa fazer para tornar-se crente ?"
Em seguida o crente poderá perguntar:
"Poderíamos ver três ou quatro versículos das Escrituras para ver exatamentc o que a Palavra de Deus diz sobre isso ?"
Ora, se o crente houver avançado cautelosamente, dando ao Espírito Santo a oportunidade de despertar o interesse, seu interlocutor lhe permitirá que leia as Escrituras.
(Mas, se o interlocutor não permitir tal coisa, então nada mais pode ser feito.
A Palavra de Deus é o critério básico de toda pesca de almas.
Dentre milhares de entrevistados, encontrei apenas quatro que se recusaram terminantemente e permitir-me que lesse as Escrituras com eles).
Sumariando, começa a conversar com o perdido lentamente.
Isso tem tanta eficácia como passar semanas para nos familiarizarmos com èle.
O Espírito Santo preparará o coração do perdido para perguntas mais incisivas.
Mais ou menos na quinta pergunta deve-se subir de nível espiritual, perguntando-lhe a opinião sobre o que um homem precisa fazer para tornar-se crente.
Isso dirá se essa pessoa está salva ou perdida.
Se fòr pessoa ainda perdida, pede-lhe permissão para ler alguns trechos das Escrituras, para que se veja o que a Palavra de Deus tem a dizer sobre o assunto.

II. APRESENTANDO CRISTO

Em quase todo volume escrito acerca da conquista de almas, a porção maior é dedicada à discussão sobre como responder desculpas e argumentos.
Enquanto escreve, este autor só conhece três livros, impressos na língua inglesa, que fazem exceção à regra.
Segundo a maioria dos livros, somos ensinados a perguntar a um homem se êle é crente. Caso responda "Não", e se formos daquele tipo corajoso que é capaz de ultrapassar essa pergunta tremenda, então geralmente teremos de enfrentar uma barragem de desculpas, tais como:
"Há muitos hipócritas na igreja", "São tão bons quanto qualquer outro", "Algum dia darei um jeito", etc.
E a todos nós são ensinadas dúzias de passagens bíblicas para oferecer, como respostas, às desculpas e manobras de uma pessoa perdida.
Nesse caso, uma vez mais.
topamos com a fantástica negligência não trabalhar em cooperação com o Espírito Santo.
Responder desculpas é o maior erro que podemos cometer.
No momento em que respondemos às desculpas de um homem, ou mesmo em que permitimos que a palestra desça até um nível onde sejam dadas desculpas, automaticamente lhe teremos permitido estabelecer o rumo da conversa.
Responder às desculpas e argumentos de um homem nada tem a ver, em absoluto, com o testemunho cristão.
Nem ao menos pertence à mesma categoria.
Não é mais testemunho; é debate.
O crente, daí por diante, fica reduzido 4 posição de defender o cristianismo. Responder a problemas específicos não é nem pode ser o Evangelho do Senhor Jesus Cristo!
Jamais fomos comissionados para analisar pontos teológicos com pessoas perdidas. Compete-nos expor as boas novas!
Quando entendemos isso, somente então podemos nos aproximar da conquista de almas de um ponto inteiramente vantajoso.
Descobriremos que existe de fato um meio de testificar sem a necessidade de respondermos a argumentos e desculpas.
Ao invés de termos de responder a desculpas, as desculpas nunca serão apresentadas.
A própria natureza das palavras se encarregará de eliminá-las.
Nisso vemos, novamente, o poder do Espírito Santo.
Quero reiterar que nunca, em toda a minha vida, vi alguém ficar profundamente convicto de seus pecados por que alguém lhe citou uma fileira de versículos da Bíblia em resposta a uma fileira de desculpas.*
Apresentar respostas lógicas e razoáveis às perguntas teológicas do interlocutor também produz resultados nulos.

Decorar versículos e testificar são duas fases separadas da vida cristã.
A memorização de versículos serve de maravilhoso instrumento para o crescimento cristão pessoal.

Também não conheço qualquer ganhador de almas eficaz que empregue esse método. (Existem pescadores de almas que têm chegado a escrever livros ensinando esse método, quando nem eles mesmos o utilizam).
No Novo Testamento, pode-se encontrar grande quantidade de trechos bíblicos de prova nos sermões.
Não se pode encontrar virtualmente nenhum trecho comprobatório nas conversas pessoais de um crente que testifica a uma pessoa não convertida.
As únicas ocasiões em que Jesus usou o método do texto de prova, para replicar argumentos, foi quando se defrontou com o diabo, ou com os fariseus religiosos e jamais com o pecador que precisava do Salvador.
Quando nos utilizamos de versículos bíblicos para responder a desculpas e argumentos, estamos de fato ampliando os problemas, ao invés de exaltarmos a Jesus Cristo.
Toda a atenção se focaliza em plano bem baixo das realidades espirituais.
Mais do que isso, já saímos perdendo, antes mesmo de começarmos, por havermos ferido uma das mais profundas características da natureza humana:
Um homem jamais admitirá que está errado.
Nenhum de nós realmente perde uma discussão.
Sem importar qual seja o assunto, faremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para provar que estamos com a razão.
Apelaremos para todos os nossos recursos e lançaremos em jogo nossa lógica mais arguta.
Quando houvermos exaurido os fatos e a lógica, então começaremos a inventá-los ! Quando estes se acabam, apelamos para as mentiras!
Daí por diante não se trata mais de uma argumentação lógica; pois as emoções entram em cena, e logo estaremos vendo choque de personalidades.
Qualquer esposo e esposa que já tiveram uma discussão acirrada sabem o que isso significa.
Essa é uma das razões por que temos entendido totalmente mal o interesse das pessoas perdidas na salvação.
Temos chegado à conclusão errónea de que as pessoas não convertidas são antagónicas; não crêem na Bíblia; não acreditam em Deus; etc.
Mas isso não expressa a verdade.
Todos os argumentos crus que ouvimos dos lábios de pessoas perdidas não reíletem seu coração.
A pessoa perdida só apela para esse meio no seu esforço desesperado de não perder na discussão.
Uma vez que êle assuma a posição contrária, então fará qualquer coisa, apelará para qualquer coisa, dirá qualquer coisa, simplesmente para não sair perdendo. Tragicamente, é por culpa nossa que a palestra toma esse rumo.
Acompanhemos de perto uma conversa típica entre um crente e uma pessoa perdida:
O perdido afiança que há muitos hipócritas na igreja.
No momento em que o levamos a um versículo bíblico, sem querer estamos a convidá-lo para um debate.
Assumimos la posição contrária.
A linha de batalha foi traçada.
(E a batalha está perdida antes mesmo de começar).
O homem perdido fará tudo quanto estiver ao seu dispor para provar seu ponto.
Lógica é posta contra lógica, e quando essa se exaure, a conversa pode degenerar a um nível em que a pessoa perdida está dizendo coisas nas quais nunca acreditou em instante algum de sua vida.
Finalmente, as emoções entram no quadro, e aquilo que começou com a piedosa intenção de ser um testemunho cristão, termina como um insulto.
E onde fica o Espírito Santo em tudo isso ?
Não lhe demos absolutamente o menor espaço para agir.
Efetuamos todo o nosso testemunho estribado em um princípio falso.
Porquanto a Palavra de Deus ensina que o homem natural não compreende as coisas do Espírito.
E ali estamos nós, argumentando questões teológicas com um homem perdido.
Quais são os princípios espirituais que devem ser observados por quem quer cooperar com o Espírito Santo na conquista de almas ?
Primeiro, Jesus disse que enviaria o Espírito Santo ao mundo a fim de convencer o mundo de seu pecado.
Isso transforma todo o testemunho.
Nossa tarefa não con¬siste de convencer o pecador.
Crivá-lo de uma longa série de versículos, que mostrem a enormidade do pecado, a fim de convencê-lo de seu pecado, não é bíblico.
Pois ao Espírito Santo cabe convencer, e não ao crente 1
O médico não esmurra o estômago de um homem para provar que êle está com apendicite. Meramente toca no seu ventre.
O paciente sente simplesmente porque o problema já está ali.
É tarefa do Espírito Santo, e não nossa, produzir a convicção de pecado.
Quanto ao crente, basta que exponha a verdade.
E o Espírito Santo usa a avenida da verdade que o crente lhe forneceu.
O Espírito é que convence.
Em segundo lugar, a Palavra de Deus não diz:
"Se forem levantados versículos, textos de provas e argumentos, eles atrairão todos os homens a Jesus".
Bem pelo contrário, Jesus disse:
"E eu, quando fôr levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo"
(João 12:32).
Eis o segredo do testemunho cristão a apresentação de Jesus Cristo.
Neste capítulo aprenderemos que há um modo de apresentar a Jesus Cristo e a salvação que Êle dá, que por si mesmo elimina todas as discussões e desculpas.
Os problemas nunca são criados.
Pois não se trata de algo forçado, mecânico, que deliberadamente confronte questões umas com outras.
O oposto é que é a verdade:
o resultado natural do testemunho eficaz é o desaparecimento das dificuldades.
Em terceiro lugar, finalmente, podemos olhar para isso do ponto de vista da razão.
A maioria de nós, como crentes, se mostra sempre muito tímida.
Ora, Jesus prometeu que usaria as coisas fracas do mundo para confundir as sábias. Quase todos os crentes não têm como ponto mais forte decorar passagens das Escrituras, e, sob pressão, não podemos nos lembrar delas.
A grande proporção dos crentes não sabe argumentar mediante a lógica e o raciocínio. Durante toda a nossa vida temos sido os derrotados nas discussões.
E a grande tragédia do testemunho é que mesmo que um crente possua memória atilada e sua lógica seja contudente, pode ganhar uma discussão, mas raramente conquista a pessoa com esse expediente.

III. COMO ELIMINAR O PROBLEMA DAS DESCULPAS

O crente elimina o problema das desculpas simplesmente apresentando Jesus Cristo como o Salvador.
E isso pode ser feito de tal maneira que qualquer desculpa ou discussão pareça inteiramente fora de lugar.
Eis parte de um diálogo, em um plano de conquista de almas que emprega esse novo conceito.

O crente está falando:

"Em Romanos 3:23 lemos que todos pecaram e caracem da glória de Deus.
Isso simplesmente quer dizer que eu sou um pecador; significa que todas as pessoas do mundo cometem pecado.
Você percebe que também tem cometido pecados, não é Roberto?"
("Sim").
"Mas a maioria de nós não percebe a gravidade da coisa.
Olhamos para os outros e nos comparamos com eles.
Por exemplo:
Você pode olhar para mim e dizer:
'Bem, êle faz muitas coisas que eu não faço'.
Ou poderá dizer:
Conheço um homem que é muito religioso, mas sou tão bom quanto êle.
Ora, Roberto, enquanto eu me comparar com você e você comparar-se comigo, nunca veremos como o pecado é realmente.
Mas Deus não nos compara uns com os outros, como fazemos.
Deus nos compara com Jesus Cristo.
Roberto, se Jesus Cristo estivesse aqui conosco, e Deus lhe comparasse com Êle, você seria capaz de dizer que é tão bom e perfeito como Jesus ?"
("Não, naturalmente que não").
"E nem eu poderia dizer tal coisa.
Ninguém pode.
Nenhum de nós é tão bom como Cristo.
Mas Deus diz
que se alguém não é tão bom quanto Êle, então é um pecador e está eternamente separado Dele".*
Ora, passemos a analisar esse diálogo, para ver como êle elimina por completo as desculpas e as discussões por parte da pessoa perdida.
Nota que o crente mesmo apresenta a desculpa.
Então apresenta Jesus Cristo e relaciona essa desculpa com Êle.
Ao invés de responder à desculpa, o crente põe seu interlocutor em sua correta perspectiva para com o Senhor Jesus.
Isso, só por si, pode ser usado pelo Espírito para levar o pecador à convicção, eliminando totalmente toda desculpa.
Eis um princípio muito prático e útil:
Se sabes quais são as desculpas de um homem, então apresenta-as antes que êle o faça. Desse modo nunca se cria oposição, nem há oportunidade de debates.
(Aqui está algo mais de que não te deves esquecer:
se um homem apresentar uma desculpa ou argumento, não tentes respondê-los no mesmo instante, porquanto esse é o momento de maior tensão, e êle está pronto a defender a sua posição a qualquer custo.
Pelo contrário, espera um pouco e toca em seu argumento alguns minutos mais tarde, quando não é mais uma questão pressionante).
Algo mais importante do que tudo isso, porém, se acha presente nesse diálogo.
Trata-se da PESSOA de Jesus Cristo.
Disseste à pessoa perdida exatamente o que a maioria das pessoas diz.
Mas então elevaste a conversa do plano carnal, tirando-a do nível das desculpas e discussões, tirando-a do terreno dos debates teológicos.
Mas elevaste a palestra a um nível onde teu interlocutor fica desarmado porquanto apresentaste a pessoa de Jesus Cristo.
Pois perguntaste: "Se Jesus estivesse aqui, você poderia dizer que é tão bom quanto Êle ?"
Ah, é nesse ponto que o Espírito Santo pode operar.
O perdido viu-se assim confrontado com Jesus Cristo, e pôde ver a si mesmo pela primeira vez.
E êle nunca mais retorquirá:
'Sou tão bom quanto qualquer outro".
Levantar essa questão seria algo fatalmente descabido, pois teria de estar face a face com Jesus.
E o Espírito Santo imprimiu em seu coração a mensagem.

* Esse ponto deve ser apresentado eom bondade e gentileza 0 pescador de almas deve passar a apresentar os resultados do pecado, e então como Jesus Cristo preparou o caminho da salvação das consequências do pecado.
Em seguida o crente deve mostrar como se recebe a Cristo como Salvador.
E assim, a palestra inteira gira em torno da pessoa de Jesus Cristo.

Agora, respondendo uma indagação muito prática:
" Que deve fazer o crente se alguém apresenta uma desculpa no meio do testemunho ?"
Respondamos isso, antes de tudo, afirmando que uma vez que o crente aprenda a trabalhar em conjunto com o Espírito Santo, e faça de Jesus Cristo o centro de sua mensagem, isso quase nunca acontece.
Para a maioria de nós, que se tem utilizado desse novo conceito, é difícil lembrar a última vez em que tivemos dificuldade de tratar com alguém.
De fato, é muito raro que uma pessoa apresente um argumento ou uma desculpa.
Isso não sig¬nifica, entretanto, que muitos não rejeitem a Cristo.
Muitos o fazem, mas jamais com os problemas e tensões agonizantes que temos experimentado.
Nem significa também que o crente domine de tal modo a palestra que a pessoa perdida não possa dizer uma palavra.
Pelo contrário, a pessoa perdida usualmente é quem mais fala.
Mas o crente dirige a corrente dos pensamentos.
Se uma pessoa apresenta um argumento ou desculpa, enquanto o crente lhe fala sobre Jesus Cristo, o crente pode fazer uma ou outra destas coisas:
Antes de tudo, sê honesto e admite a tua ignorância.
Se fôssemos realmente honestos, a maioria de nós diria:
"Não sei", em determinadas ocasiões.
Nunca incorras no erro de tentar responder a tudo quanto um homem diz.
Não imagines que tens a obrigação de tentar responder a tudo.
Ninguém precisa saber todas as respostas para ser um conquistador de almas. Simplesmente não possuímos tantas respostas verdadeiras.
Mas podemos ser verazes, e isso com surpreendentes resultados.
Quem disse que precisamos ser intelectuais afimm de testemunhar de Cristo ?
Nem a pessoa perdida espera que sejas um génio, para que estejas apto a falar com ela.
Antes, provavelmente ela te respeitará mais se disseres honestamente que não sabes qual a resposta de determinada pergunta.
Em segundo lugar, podes solicitar o privilégio de te descartares da pergunta simplesmente:
"Já lhe direi; vamos continuar e voltaremos depois a essa questão".
Ou então:
"Espere um momento, e lhe darei a resposta a essa pergunta, de modo bem claro".
O próprio fato que não respondes à desculpas ou argumento, significará mais para teu interlocutor do que se desses de imediato a resposta.
Êle sentirá que és honesto e que teu único desejo é o de apresentar algo que parece muito importante para ti, algo em que acreditas sinceramente.
Sentirá que falas com êle acerca de algo que é por demais importante para ser rebaixado ao nível cie argumentação e defesa.
Isso porventura significa que jamais devemos responder aos argumentos ou desculpas do pecador ?
Exatamente.
O desejo de citarmos uma passagem bíblica, em réplica a cada palavra do pecador, não conduzirá a parte alguma.
Todavia, o conquistador de almas precisa pedir a Deus a sabedoria para conhecer a diferença entre uma desculpa e um problema sincero.
A distinção se reconhece com facilidade.
Se houver algo na mente da pessoa perdida, que de vez em quando transparece, então o crente pode saber que se trata de um verdadeiro problema, e não de mera desculpa. Analisa a pergunta.
Foi feita humilde e sinceramente, tendo partido de um coração que parece lutar com um problema ?
ou foi formulada com um verniz de justiça própria e de indiferença ?
Faça a ti mesmo esta pergunta:
o Espírito Santo está trabalhando no coração da pessoa com quem estou falando?
Se vires provas de que a pergunta se originou no desassossego, induzido pela atuação do Espírito Santo, então, mui ternamente procura responder à pergunta da melhor maneira possível, conservando o Senhor Jesus Cristo como pensamento central.
Mas, se não souberes a resposta, simples e honestamente reconhece o fato, e deixa nas mãos do Espírito Santo resolver o problema.
(Descobrirás que as pessoas com problemas sérios, que necessitam de orientação especial, perfazem pequena porcentagem daquelas com quem falares.
A maioria das pessoas tem muitas desculpas, e poucas têm problemas reais).
Empregando esse conceito na conquista de almas, jamais necessitarás de mais do que quatro ou cinco versiculos da Bíblia para testificar a quem quer que seja.
Quatro versículos da Bíblia podem ser aprendidos com facilidade.
Não são quatro versículos que respondem a quatro desculpas.
De maneira bem realista, nem mesmo devem ser quatro versículos separados, mas quatro porções de um só quadro da salvação.
Esses versículos se completam, formando um todo, salientando o Senhor Jesus como a resposta para as necessidades de alma dos pecadores.
Cada um de nós tem suas peculiaridades.
Nossas personalidades jamais se igualam.
Mas aqui está um conceito neo-testamentário de conquista de almas que pode ser e realmente é aceitável para qualquer crente.
Até mesmo o crente mais reservado e sensível, que seria repelido ante a perspectiva de testificar através de qualquer outro modo, acha que esse método é tão natural que pode acolhê-lo e usá-lo todos os dias.
Uma vez que tenhas dominado esses princípios do Novo Testamento acerca do testemunho cristão, sendo eliminados os esforços tradicionais inerentes aos outros métodos, ficarás admirado em descobrir quão verdadeiramente interessadas estão as pessoas em Jesus Cristo e em Sua salvação.
Mais e mais verás que tuas palestras vão penetrando no coração e na alma daquele homem, penetrando em seus problemas e necessidades tais como a paz, a preocupação e frustração.
Também ficarás perplexo ao descobrires que a maioria das pessoas anseiam por encontrar Cristo como seu Salvador, quando te aproximas delas da maneira correta.
E verás que é questão simples conquistá-las para teu Salvador.
E notarás, por fim, que não se trata de experiência tão aterrorizante assim.

IV. PONTO DA DECISÃO

Quando o crente testifica para alguém, a palestra cai em três divisões naturais:
(1) começo da conversa;
(2) apresentação de Cristo;
(3) momento da decisão.
Nas prateleiras de minha biblioteca existem quase todos os livros escritos no idioma inglês acerca da pesca de almas.
É muito difícil encontrar em qualquer deles alguma referência ao modo de guiar alguém atè à experiência da conversão.
O máximo que usualmente é dito, é:
"Agora pressiona para que a pessoa tome uma decisão".
Ou então:
"Agora lança a rede".
Porém, como ?
de que maneira ?
Este autor está bem lembrado que após haver sido pastor por três anos, tendo completado o curso de seminário, estava conversando com um homem perdido que repentinamente concordou em aceitar a Cristo ali mesmo.
Embora eu houvesse testificado a dúzias de pessoas, até aquele momento ninguém mostrou a qualquer interesse em aceitar a Cristo
(e nem eu conseguira conquistar a qualquer alma!)
Foi somente naquele preciso instante que percebi não ter a mais vaga noção de como conduzir uma pessoa perdida através da experiência da salvação.
A maioria dos pastores e leigos nunca recebeu qualquer treinamento sobre esse particular, nem conhece coisa alguma sobre a delicada arte de pressionar alguém para que faça uma decisão em favor de Cristo.
Mais ou menos a única maneira de lançar a rede, segundo quase todos temos ouvido e lido, é dizer subitamente ao pecador:
"Agora, se você quer receber a Cristo como seu Salvador, me dê a sua mão direita".
Porém, as mãos de um homem não salvam !
A decisão precisa ser mais conclusiva do que isso !
Sem dúvida que a oração também não salva; não obstante,um homem perdido de algum modo precisa entrar em contacto com Jesus Cristo, para que se converta.
O mínimo absoluto para que alguém receba a salvação sem importar o que um homem saiba ou não com respeito à redenção é que deve entrar em contacto com o Salvador.
A oração não salva. . . mas Jesus salva.
E o pecador tem de entrar em contacto com Jesus para que se converta.
A maior tragédia da pesca de almas em nossos dias é que nunca explicamos, passo a passo, exatamente como alguém deve receber a Cristo, conduzindo-a, então, através desses passos.
Tenho visto crentes tratarem com pessoas perdidas durante horas, sem nunca chegarem ao ponto de dizer:
"Eis como".
Outrossim, não pode haver verdadeiro testemunho se não se chega ao ponto da decisão. A maioria dos crentes, contudo, tem chegado à conclusão que se convidarem alguém à igreja, ou dizerem qualquer coisa sobre Jesus, ou mesmo apresentarem a história da redenção, que já "testificaram".

Ninguém realmente chegou a testemunhar enquanto não houver levado uma alma face a face com Jesus Cristo, levando-a a um ponto onde ela tem de acei-tá-Lo ou rejeitá-Lo.
A maneira mais eficaz, e ao mesmo tempo mais gentil de levar alguém ao ponto da decisão é simplesmente apresentar-lhe o plano da salvação, e então, sem hesitação nem diminuições de ritmo, pedir-lhe que baixe a cabeça e profira uma oração.
Pede-lhe que feche os olhos e imagine que Cristo está ali.
Faz uma oração breve e não encerra a oração.
Mas apenas deixa de falar sobre Jesus, e começa a falar à pessoa sob convicção.

Diz-lhe:
"Agora, Roberto, não faça isso se você não quiser fazê-lo de todo o coração.
Mas, se você quer receber a Cristo como seu Salvador, agora mesmo, diga simplesmente: 'Querido Jesus, confesso meus pecados...'"
Então espera até que teu interlocutor comece a orar.
Agora êle sabe exatamente o que deve fazer, bem como a
maneira de fazê-lo.
Levaste-o até um ponto claro, de onde, conscientemente êle pode aceitar ou rejeitar a Cristo.
Geralmente, tendo chegado nesse ponto, o pecador sob convicção começará a derramar seu coração perante o Senhor, sem a ajuda do ciente.
Mas, em certos casos, é necessário guiá-lo até uma completa oração de decisão.
Depois de haveres conduzido uma pessoa a Cristo, tuas próximas palavras devem girar em torno da certeza da salvação; então acerca de sua necessidade de tornar-se parte da Igreja; e, finalmente, de sua necessidade de crescer em Cristo.

ORIENTANDO A PALESTRA

Temos considerado os problemas e princípios do testemunho neo-testamentário eficaz. Quando o crente já absorveu perfeitamente a arte da conquista de almas, então perde quase que por completo seu receio de dar testemunho.
O testemunho torna-se então uma experiência diária e é efetuado no mais alto nível da virtude cristã.
E esse testemunho é um motivo de glória para Jesus Cristo, porquanto essa maneira de testificar O glorifica.
E isso como que inicia um novo dia na vida do crente, como também na vida de sua congregação.
O crente que testifique com eficácia pode, realmente, guiar a palestra, se fôr mestre do que está fazendo.
A pessoa perdida poderá falar muito, e realmente assim deve ser.
No começo da palestra que visa a conquista de uma alma, quando o crente ainda está avançando cautelosamente, deve-se permitir que o perdido fale à vontade.
O crente deve mesmo encorajá-lo a falar, ouvindo-o com atenção, e talvez assentindo com a cabeça.
Mas o crente está ali sabendo exatamente o que lhe convém em seguida.
Deve saber exatamente em que direção precisa prosseguir.
Se a conversa se desviar da trilha principal, deve trazê-la novamente para a trilha certa.
Afinal de contas, uma palestra é simplesmente a ação de palavras e ideias umas sobre as outras.
É possível ao crente guiar a conversa de maneira gentil, até chegar o ponto de abrir a Palavra de Deus, seguindo dali para as grandes verdades da salvação avançando habilidosamente na direção oposta às desculpas e, finalmente, levando a pessoa ao ponto da decisão.

O PRINCIPIANTE PRECISA DE UM PLANO

É possível reduzir os princípios que temos descoberto e sobre os quais temos falado neste capítulo, tornando-os um plano funcional.
Esse plano consiste apenas de um diálogo.
O crente aprende cinco ou seis "degraus de aproximação", que podem lentamente abrir a conversa com uma pessoa perdida.
Esses seis passos tranquilamente conduzem essa pessoa ao ponto da Palavra de Deus ser aberta à sua frente.
Uma das perguntas feitas pelo crente revelará se a pessoa é realmente convertida ou não.
Cada pergunta deve ser formulada de tal maneira que, a despeito da resposta do interlocutor, o crente sempre possa seguir para a pergunta seguinte.
Dessa maneira, o crente nunca ficará sem saber o que dizer em seguida.
O crente pode aprender um diálogo que explique claramente o plano da salvação.
Pode usar quatro versículos da Bíblia que apresentem claramente a Jesus Cristo, levando a conversa ao ponto da decisão.
A melhor maneira de um principiante ganhar almas é aprender bem UM único plano.
Todos nós somos principiantes, pelo que seria melhor que todos começássemos por este ponto.
Compreende bem e decora o plano, como se fosse a única coisa no mundo capaz de funcionar.
Eis algumas das razões pelas quais um crente que busca ser um ganhador de almas deve usar um plano:

1.Inspira confiança.
2.Dá a vantagem do crente saber quais reações e respostas deve esperar da parte de seu interlocutor.
3.A mente do crente fica livre da tensão de como prosseguir, dando-lhe liberdade para concentrar-se em seu interlocutor, bem como na presença do Senhor.
4.O crente pode orientar a palestra.
5.Permite o crente a ficar no centro do alvo, trabalhando sistematicamente em favor da salvação do pecador.
6.Deixa o crente em liberdade para analisar as respostas e reações de seu interlocutor, medindo sua capacidade de compreensão.
E o crente não fica a rebuscar ansiosamente o que deve dizer em seguida.
7.O crente não necessita de grande quantidade de porções bíblicas, nem de ajudas extras para fazer seu trabalho.
8.O crente pode levar o pecador a uma decisão, mais prontamente.
9.O próprio crente não fica confuso.
10.A pessoa perdida ganha confiança no crente, porque este deixa transparcer segurança no que faz.
11.O crente não precisa preocupar-se com a pergunta:
"Como posso apresentar a questão de Cristo e Sua salvação ?"
Os passos de abordagem, uma vez memorizados, facilitam o trabalho.
O temor se dissipa.
12.O crente estará sempre pronto, quando o Espírito Santo lhe der uma oportunidade.
13.O crente se sentirá natural e à vontade.
Não haverá qualquer temor.

Lança mão do plano que tiveres aprendido bem, até que tenha conduzido dez pessoas, com sucesso, aos pés do Senhor Jesus.
Quando houveres ganho dez pessoas para Cristo, já estarás senhor inteiramente de ti, sem temores desnecessários.
Outrossim, terás trabalhado sob a direção do maior instrutor sobre conquista de almas que existe o Espírito Santo.
Terás grande acúmulo de experiência, de onde poderás tirar proveito.
Poderás basear-te confiantemente no plano, testificando à base do estravasamento de sabedoria que Deus te der... por qualquer modo de abordar que te pareça melhor.
Enquanto não passares do estágio de principiantes, não deves abandonar o plano.
Essa é a melhor maneira de um pastor começar a pesca de almas, em sua própria vida. Também é a melhor maneira do pastor, por sua vez, ensinar a arte da conquista de almas à sua congregação.
É, igualmente, o melhor modo de um leigo começar a ganhar almas para Cristo.
É a melhor maneira de começar a criar uma igreja conquistadora de almas.

O Recenseamento Religioso:

A terceira fonte de membros em perspectiva é o recenseamento religioso.
Quando um novo pastor se muda para uma igreja, uma de suas primeiras providências geralmente é a de fazer um recenseamento religioso.
O pastor médio, nos Estados Unidos da América, fica como pastor de uma igreja por menos de três anos.
A maioria dos pastores faz um recenseamento religioso pouco depois de entrarem no novo campo, em consequência do que a maioria das igrejas tem um recenseamento a cada três anos, mais ou menos.
A maioria das igrejas trabalha à base de recenseamentos religiosos ultrapassados.
No passado temos pensado que um recenseamento assim tem duas finalidades principais: (1) localizar os perdidos;
(2) localizar os membros da igreja (ou da denominação que talvez estejam vivendo na comunidade.
O recenseamento religioso geralmente se mostra muito eficaz quando se trata de localizar os membros interessados.
Mas, ao procurar localizar os perdidos, o recenseamento religioso quase sempre é um fracasso
(embora geralmente não se admita tal coisa).
Não apresento isto com fins estatísticos, mas este autor tem verificado os resultados de vintenas de pesquisas religiosas como essas.
Na maioria dos casos, menos de cinco por cento das pessoas entrevistadas admitem que não são membros de igrejas ou que não são cristãos.
Naturalmente que muito mais pessoas que isso não estão ligadas a igreja nenhuma, e certamente existe um número muito mais avultado de perdidos, em qualquer comunidade.
Precisamos começar a perceber que vivemos em uma nação onde "todos são membros de igrejas", onde todos pensam que são cristãos.
£sse é um dos problemas mais cruciais deste nosso cristianismo do século XX. Precisamos encontrar um princípio inteiramente novo, mediante o qual abordemos esse problema.
Para tanto, o recenseamento religioso precisa ser revolucionário.
Qualquer congregação usualmente pode esperar que um recenseamento religioso produza os seguintes resultados"
Cerca de cincoenta por cento das casas serão pesquisadas.
Mas cerca de cincoenta por cento delas serão atingidas,
A informação recebida nos cartões é tão superficial que os cartões não terão valor real.
Geralmente muitos membros das famílias não estão alistados nos cartões.
Não se sabe a idade de pessoa alguma, o que torna o resto da informação praticamente sem sentido.
Os endereços aparecem incorretos, e a informação sobre qualquer pessoa é escassa.
O pior de tudo, entretanto, é que quase metade das moradias nunca são visitadas.
Tudo isso precisa ser alternado, se quisermos chegar a cada lar, bem como a cada pessoa de toda a comunidade, conquistando-os para Cristo.

4. Lista dos Recém-Chegados:

A lista de recém-chegado é uma das mais valiosas fontes de membros em perspectiva.
É a grande chave para o crescimento contínuo da congregação.
Os recém-chegados a uma comunidade apresentam a maior oportunidade evangelística isolada com que conta um pastor.
A igreja que
(1) faça um recenseamento religioso;
(2) faça esse recenseamento cem por cento completo e cem por cento exato;
(3) inaugure um poderoso programa de visitação; e
(4) alie isso a uma lista de recém-chegados. . . pode manter um arquivo de cartões de membros em perspectiva, sempre em dia, exato, INDEFINIDAMENTE.
A lista de recém-chegados é a necessidade mais importante para a igreja que pretenda localizar convertidos em perspectiva.
É simplesmente indispensável.
Terás de começar a usar uma dessas listas, se ainda não o estás fazendo.
Pode-se obter listas de recém-chegados nas Associações Comerciais.
Em certos países, essa lista é disponível para cada cidade e cidadezinha.
Até mesmo as agências de vendas de porta em porta contam com essas listas.
Há sempre uma lista disponível em algum lugar.
Para melhor entendimento dos problemas que terás de encarar, bem como dos princípios que solucionam esses problemas, é que foi apresentado o presente capítulo.
No restante deste livro verás c desdobramento de um plano que pode eliminar aqueles problemas cruciais que têm destruído tantos programas de evangelização.
Alguém já disse:
"A solução real para qualquer problema sobre a terra é sempre uma solução simples". Verás por ti mesmo que as soluções aqui desdobradas são muito simples, destituídas de truques, e que podem ser usadas num programa que não precisa ser alterado, ano após ano.

ONDE BUSCAR CONVERTIDOS EM PERSPECTIVA

Há dois tipos, de almas em perspectiva para a igreja.
Em primeiro lugar há o convertido em perspectiva
(provavelmente a se converter).
E a pessoa que ainda não é crente.
Pode ser ou não membro de alguma igreja, mas é uma pessoa sem salvação.
Além desse, há o MEMBRO EM PERSPECTIVA.Trata-se da pessoa que é membro da sua denominação e vive na comunidade, mas que ainda não transferiu seu nome como membro de uma igreja local.
Há quatro maneiras ou fontes em que podem ser localizados esses membros em perspectiva:
Na folha de matrícula da Escola Dominical.
No registro de visitantes de domingo
(visitantes que preenchem um cartão quando visitam uma igreja local).
Na lista de recém-chegados.
No censo religioso.
Examinemos mais de perto esses dois tipos de interessados, bem como os problemas que eles apresentam.
E então verifiquemos os quatro modos de descobrir interesssados, e os problemas ali envolvidos.
Ao fazermos isso, não te esqueças que o propósito de tua igreja é o de localizar cada pessoa perdida de toda a tua comunidade, testificando a ela, pessoalmente, acerca de Jesus Cristo.

O Membro em Perspectiva:

A finalidade deste livro não é de mostrar-te como conseguir membros de igrejas que se tornem membros de tua congregação.
Nem tem por fim mostrar como recuperar os "desviados".
Deixa-me fazer uma observação:
Já descobri que posso conquistar para Cristo e registrar no rol de membros vinte e cinco pessoas para cada desviado que é recuperado.
(A razão talvez seja aquela que foi dada por D. L. Moody:
"O que talvez haja de errado com a maior parte dos desviados, é que nunca ficaram bem encaminhados.")
Precisamos parar de imaginar de modo terminante que todos os membros de igrejas são pessoas realmente crentes.
Não é verdade.
Nas páginas que se seguem neste livro, aprenderás um modo de descobrir se um membro de igreja é pessoa salva ou perdida.
É necessário que procures esse fato acerca de cada pessoa de tua comunidade que é membro de uma igreja.

O Convertido em Perspectiva.

Pouquíssimas pessoas admitem, hoje em dia, que não éão membros de alguma igreja. Menor ainda é o número daqueles que admitem não serem cristãos.
Quando tentares localizar interessados, deve ser usada toda uma nova maneira de proceder; doutro modo, descobrirás poucos interessados para evangelização em tua comunidade.
Consideremos, agora, as quatro fontes produtoras de almas em perspectiva para a igreja.
A maioria das igrejas depende pesadamente das primeiras duas:
os visitantes aos domingos e a lista de matriculados na Escola Dominical.
Porém, as melhores e maiores fontes produtoras de almas possíveis para se converterem são justamente as outras duas: a lista de recém chegados e o recenseamento.

1. Os Cartões de Visitantes:

As pessoas mais frequentemente visitadas pelos crentes são aquelas que fizeram alguma visita à igreja, assinando um cartão de visitantes.
A grande tragédia, mas que expressa fatos, é que em quase todas as igrejas da América do Norte, os pastores nem contam com crentes em número suficiente para fazerem visitas a todos os visitantes dos domingos.
Muitas congregações há muito se contentaram com um programa de visitações que nunca jamais vai além desse grupo.
O pensamento de terem um programa que atingisse a comunidade inteira é alvo da mais aberta incredulidade.
A igreja comum está bem distante da grande igreja conquistadora de almas que mencionamos em capítulo anterior:
aquela que visita cada recém-chegado na sua cidade de mais de um milhão de habitantes (onde chegam milhares de recém-chegados todas as semanas).
Sim, isso pode ser feito!

2. A Lista de Matriculados da Escola Dominical:

A outra fonte mais frequentemente usada como originadora de convertidos em perspectiva é a lista de pessoas não convertidas que foram matriculadas em classes bíblicas.
A esmagadora maioria das visitas feitas pelas igrejas, nos dias que correm, é feita a esse grupo, mas as visitas são feitas no nível errado.
Esses convertidos em perspectiva são visitados por dúzias de vezes... com apenas um convite:
'Venham à Escola Dominical'.
Se qualquer convite evangelístico fôr mencionado será secundário em relação ao convite para matrícula.
Esses convertidos em perspectiva são zelosamente visi¬tados por vezes sem fim, mas os crentes teimam em dizer:
"Venham à Escola Dominical".
Jamais lhes dizem:
"Ve¬nham a Cristo".
Posto que o coração humano é o que é, os convertidos em perspectiva simplesmente não correspondem afirmativamente.
Estão sendo abordados pelo lado errado da necessidade e do interesse humano.
Estabelece-se uma forma de "endurecimento contra o Evangelho".
(De fato, trata-se de um "endurecimento contra a matrícula").
Conforme já dissemos, a atração que uma pessoa perdida tem por uma igreja evangélica é igual a zero).
Tenho descoberto, de modo contrário a todas as regras declaradas, que essas pessoas perdidas que são intensamente visitadas na tentativa de induzi-las a se matricularem na Escola Dominical geralmente não são as mais fáceis de serem ganhas para Cristo. Pelo contrário, levantaram uma "barreira negativa", e frequentemente são as pessoas menos abordáveis de todas.
O grupo de pessoas mais fácil de ser conquistado para Cristo é justamente o composto pelos cidadãos comuns.
Fica em casa à noite; nuvica vai à igreja nem à Escola Dominical; ainda não desgastou suas cordas vocais respon¬dendo "Não" aos esforços dos que querem matriculá-lo.
Mas tem um coração solitário e uma noção ténue, ainda que insistente, no fundo do subconscinte, de que precisa de Jesus Cristo.
Quando abordado corretamente, acerca de sua necessidade de Jesus Cristo, responde afirmativa¬mente.
Daí por diante se torna maravilhoso membro da Escola Dominical e da igreja sem ser implorado !
Pelo menos em oitenta por cento das congregações que tenho observado em primeira mão, os interessados para evangelização estavam sendo recolhidos de apenas duas fontes os visitantes dominicais e os alistados na Escola Dominical.
Raramente essa lista ultrapassa os duzentos nomes, no máximo.
Isso está longe, muito longe, da visão neo-testamentária de conquistarmos o mundo para Cristo.
O resultado dessa falta de visão é atordoante. A congregação comum parece incapaz de ver os quilómetros e mais quilómetros de casas ao seu redor.
Tais casas parecem perder para nós sua verdadeira significação.
Tais moradias de fato representam milhares e milhares de pes¬soas que precisam do Senhor Jesus Cristo.
Usualmente as congregações vêem uma comunidade pelo lado oposto do telescópio como se houvesse apenas um número microscópico de pessoas perdidas na comunidade.
Por muitas vezes os pastores mencionam o pequeno número de interessados em vista pela sua igreja.
Quando indagados sobre as miríades de lares na comunidade, respondem:
"Geralmente vão para outras igrejas".
Ah, mas dificilmente existe uma comunidade na América onde mais de vinte por cento de seus habitantes estejam na igreja, no domingo pela manhã!
Quase todas as famílias de tua comunidade são crentes em potencial!
Podes vê-las como tais quando as contemplares com a visão correta
(a visão de Atos 20:20)!
Nem podemos perceber as terríveis limitações que impomos a nós mesmos e às nossas congregações, tendo tão poucos interessados em vista.
O pastor que se ufana de ter duzentos deles raramente percebe que em realidade está limitando sua igreja ao crescimento máximo de algumas poucas dúzias de pessoas.
Passamos um dia inteiro em uma congregação
(com mais de setecentas pessoas como frequência), procurando convertidos em perspectiva.
No fim de um dia de trabalho, rebuscando todos os registros da igreja, localizamos os nomes de apenas 25 desses.
Mediante todas as leis de evangelismo que o homem conhece, aquela igreja não pode esperar ganhar mais de dez pessoas para Cristo no próximo ano.
(E esse foi justamente o número de pessoas que ha¬viam ganho no ano anterior dez). Tratava-se de uma igreja com um orçamento anual de mais de cento e cincoenta mil dólares, e com seis obreiros pagos por trabalho de tempo integral!
Passemos a vista, agora, nas outras duas fontes de membros em perspectiva, para vermos os problemas e oportunidades que elas nos fornecem.

O Evangelismo Pessoal pode Produzir Avivamento

O evangelismo pessoal pode ser o instrumento mediante o qual vem o avivamento, e com a mesma imensidade.
De fato, mais intenso ainda, posto que o avivamento instaurado através do evangelismo pessoal é mais profundo.
Por quê ?
Porque é o único tipo de avivamento que tira o crente da posição de espectador.
A maior parte dos derramamentos do Espírito Santo se tem verificado quando algum ajuntamento de povo sente um período coletivo de anependimento, e talvez de confissão e alegria.
Mas isso é passageiro.
Falta-lhe a raiz da maturidade.
Nada aconteceu capaz de dar-lhes realmente crescimento em Cristo.
Não há alicerces firmes, nos quais possa apoiar-se.
Quase todo o espírito de reavivamento se dissipa após o evangelista afastar-se.
O povo veio, experimentou purificação e espírito reavivado, mas nada ocorreu capaz de sustentar essa experiência.
Mas, quando o avivamento vem por meio do evangelismo pessoal, é o individuo que experimenta o impacto, ao invés do evangelista.
O próprio leigo é o instrumento do Espírito Santo.
E quando o avivamento chega, não depende de certa localização (o edifício da igreja) ou de certa personalidade (o evangelista), nem de outras pessoas (a congregação).
E assim o espírito de avivamento permanece no coração do crente enquanto êle der fruto.
A experiência da conquista de almas tem a qualidade sem par de produzir, no crente, o desejo de obter maiores resultados!
Os leigos são elevados de sua posição, onde têm estado por centenas de anos, sendo apenas "ouvintes da Palavra".
Subitamente se transformam em "praticantes da Palavra".
Este autor tem visto pessoalmente um grande espírito de avivamento tomar conta de uma congregação, quando apenas um punhado de almas foram ganhas para Cristo mediante a conquista de almas.
O impacto sobre a vida dos ganhadores de almas foi tão grande que a igreja inteira, passa pelo avivamento.
O que faz tanta diferença é a qualidade do testemunho, que agora é pessoal.
Qualquer um pode ficar muito excitado quando êle mesmo está envolvido !
Há uma excitação inocente e uma expectativa que parecem dizer:
"Isto não aconteceu com outrem, mas comigo !
Não há aqui emoção indireta, e, sim, muito pessoal.

2. Pode-se Manter o Espirito de Avivamento.

Esse é o elemento que mais se destaca no evangelismo pessoal.
Tanto o avivamento como o evangelismo produzidos podem ser conservados.
Uma vez que o coração de um pastor ou de um leigo é incendiado com a conquista de almas, essa atitude pode ter prosseguimento.
A alegria não precisa ser passageira.
A conquista de almas conserva o crente mais perto de Cristo, em sua vida cotidiana. O testemunho é a própria expressão da vida espiritual normal e abundante.
A árvore só produz fruto da riqueza e extravasamento de sua vida.
Possui mais do que pode conter, e por isso produz fruto.
Entremos em qualquer igreja "morta".
Sentemo-nos na plataforma.
Contemplemos a congregação.
A congregação ali se encontra, em estado quase hipnótico.
Todos têm um ar inexpressivo.
Por que ?
Não há expectativa.
Ninguém realmente espera encontrar-se com Deus, nem ver o Seu poder!
Semana após semana, nada realmente acontece na igreja.
Esse "encanto" pode ser temporariamente quebrado uma vez por ano, quando chega algum evangelista.
Por outro lado, a igreja que está conquistando almas é como um formigueiro, esperando para ver o que Deus vai fazer em seguida. Muitos pastores que têm visto suas próprias vidas e as de suas congregações avivadas por meio do evangelismo pessoal, têm dito:
"Agora prego com uma unção como nunca conhecera antes.
O povo espera, na expectativa do que Deus está prestes a fazer".
Nada existe de mais emocionante para o crente do que vir à igreja e ver, em outro banco, um recém-convertido que êle mesmo conquistou para Cristo.
Uma igreja assim certamente não está morta!
Outra característica da igreja que começa a conquistar almas é que perde milagrosamente o seu complexo de culpa.
Inadvertidamente, quase todos os pastores e congre¬gações têm um complexo de culpa por não conquistarem almas.
Livrar-se desse complexo é estar em completa liberdade.
E o fato de não reconhecermos a existência desse complexo nos está destruindo.
A geração atual de crentes tem orado, pedindo aviva¬mento mais do que qualquer outra coisa.
Deus se tem recusado a outorgar-nos avivamento, até agora, porque, Êle não quer que experimentemos um gozo delirante de pouca duração, deixando-nos aborrecidos por não podermos viver em alto nível de comoção espiritual.
Deus quer enviar-nos um avivamento constante, duradouro, que se alastre e alcance o mundo inteiro.
Sem dúvida esse é o avivamento de que precisamos.

3.O Evangelismo Pessoal pode Evangelizar o Mundo

O vocábulo "evangelizar" não quer dizer conquistar o mundo para Cristo, e, sim, apresentar o evangelho até todos terem tido a oportunidade de se decidirem se querem aceitar ou rejeitar a Cristo.
Até agora temos procurado induzir o monte a vir até nós.
É muito mais fácil irmos até o monte.
Queremos conquistar o mundo para Cristo, usando o método de evangelismo em massa, para termos frutos sem demora, mas todos os anos nos encontramos cada vez mais distantes do alvo.
Jamais devemos esperar conquistar o mundo para Cristo enquanto não tivermos reconquistado forte ênfase sobre o testemunho pessoal
Não podemos esperar que os homens que saem como missionários evangelizem o mundo sem esse instrumento.
Primeiramente devem ter experiência com o evangelismo pessoal, em suas próprias pátrias.
Os missionários trabalham sob a pressão de uma severa desvantagem, porquanto não vêm de igrejas conquistadoras de almas, nem nunca viram o avivamento mediante o cris-tianismo pessoal em ação.
Portanto, não podem levar tal experiência para os campos missionários.
Nossos missionários não podem ser maiores que as igrejas de onde vieram.
O evangelismo pessoal é o único princípio de evangelismo que pode ser utilizado, através do mundo inteiro, para chegar a cada habitante deste planeta.

4.A Conquista de Almas Gera Conquistadores de Almas

Os homens que são ganhos para Cristo mediante o testemunho pessoal são sempre os mais prontos a se torna¬rem pescadores de almas.
Esse é um fato que geralmente foge à nossa observação.
Mas o terreno para sua multiplicação é muito fértil.

5. O Evangelismo Pessoal faz os Crentes Crescerem
Um notável evangelista, que dedicou a maior parte de sua vida ao evangelismo em massa, mas que recente¬mente começou a dedicar todo o seu tempo ao ministério sem par do evangelismo pessoal, confiou a este autor:
"Durante todos os anos de meu ministério evangelístico, nunca recebi mais de três ou quatro cartas por anos de crentes que me agradeciam pela influência de meu ministério em suas vidas.
Mas, desde que me dediquei integralmente ao evangelismo pessoal, não é extraordinário eu receber quinze dessas cartas por semana!".
Se quiseres conquistar uma alma para Cristo, terás de pôr em ação tua vida cristã inteira:
a Palavra, a oração, a dependência ao Espírito Santo, e todos os frutos da maturidade em Cristo.
Trata-se de um desafio constante.
A nova experiência conserva o testemunho cristão fresco e vivo.
Como pode qualquer de nós sentir-se feliz em Cristo, quando nada realmente de novo aconteceu conosco, desde a nossa conversão ?
Mas a testemunha cristã, coerente consigo mesma, anda no poder manifesto de Deus. . . diariamente.
Contamos com muita gente que são grandes membros de igreja, mas que são crentes excessivamente fracos.
Quando esses membros de igrejas começam a conquistar almas, pode-se notar que alteram sua área de devoção.
Surge neles um amor profundo pela pessoa de Jesus Cristo.
Os crentes ficam realmente transformados quando ganham almas.

6.O Evangelismo Pessoal è o mais Produtivo de Todos

Para muitos isso é um fato revelador, mas sempre vemos mais pessoas aceitarem a Cristo e entrarem como membros das igrejas através de cruzadas de evangelismo pessoal, do que aquelas que estão sendo ganhas para Cristo mediante qualquer campanhas similares, estilo evangelismo em massa.
Quanto à porcentagem, baseada no número de crentes que realmente participam do evangelismo pessoal, esse é o tipo de evangelismo que se mostra mais rico em frutos.
Talvez chegue o dia em que o evangelismo pessoal receba igual ênfase à que é dada ao evangelismo em massa, quanto ao número de pessoas e de igrejas participantes.
Se chegar o dia em que grande número de igrejas se unam para evangelizar cidades inteiras, mediante o testemunho de casa em casa, então
A IGREJA VERÁ A MAIOR CONQUISTA DE ALMAS DE TODA A HISTÓRIA DA CRISTANDADE !
Se alguém te pedisse que descrevesse um "avivamento", que dirias?
Talvez algo como o seguinte:

"Os crentes sairiam por toda parte, falando sobre Jesus para todos.
Todo ser humano numa cidade ficaria cônscio da mensagem de Cristo e poderia ter um encontro pessoal com Êle.
Multidões aceitariam a Cristo.
Haveria o espírito de expectativa por toda parte.
Os crentes testificariam aos banqueiros, aos carpinteiros, aos barbeiros, a todos, enfim.
Uma cidade inteira se sentiria convicta de seus pecados.
Alegria e poder varreriam as igrejas, e Cristo seria exaltado".
Pois bem, meu amigo, isso é uma descrição do evangelismo pessoal em ação !

HISTÓRIA RESUMIDA DO EVANGELISMO

Seria cativante visitar uma igreja do primeiro século e notar o seu programa de evangelismo.
Poderiam informar-nos sem perda de tempo sobre a maneira de fazer uma igreja tornar-se conquistadora de almas.
Se hoje pudéssemos viajar até essas antigas igrejas, sem duvida ficaríamos maravilhados com nossas descobertas.
Chegando em Éfeso, nossa visita seria mais ou menos assim:
" Boa tarde, Áqúila I Sabemos que você é membro desta igreja.
Queremos entrar e conversar".
"Sejam bem vindos.
Entrem".
"Se não fôr demais, queremos que nos conte como as igrejas da Ásia Menor efetuam seu programa de evangelização.
Lemos que antes você era membro da igreja em Corinto, depois em Roma e, agora, aqui em Efeso.
Portanto, você deve saber inibrmar-nos com exatidão e clareza acerca do evangelismo do Novo Testamento.
Também desejamos ver a igreja antes de regressarmos".
"Sentem-se.
Já estamos na igreja.
Ela se reúne em nossa casa".
"Vocês não têm templo?"
"Quer quer dizer templo?
Não, acho que não temos."
"Diga-nos, Áquila, o que a igreja está fazendo para atingir a cidade com o evangelho?
"Ora, já evangelizamos a cidade de Éfeso.
Todos os habitantes desta cidade compreendem bem o evangelho".
"Que?"
"É verdade... acha isso extraordinário?"
"E como é que a igreja conseguiu fazer isso?
Por certo vocês não têm rádio nem televisão.
Realizaram, então, muitas cruzadas de evangelização ?"
"Não.
Como vocês provavelmente ouviram dizer, experimentamos evangelismo em massa nesta região, mas quase sempre terminávamos na cadeia !"
"E então, como fizeram tudo?"
"Oh, então não sabem ?
Somente visitamos todas as casas da cidade.
Foi assim que a igreja evangelizou a princípio aquela cidade.
* Os discípulos evangelizaram a cidade inteira de Jerusalém em muito pouco tempo. Todas as igrejas da Ásia Menor seguiram esse exemplo."
"E esse método tem dado bons resultados em todos os lugares ?"
"Sim.
Tem havido tantas conversões que os líderes das religiões pagãs temem que suas religiões sejam extintas.
Quando o irmão Paulo saiu de Éfeso pela última vez, lembrou-nos que deveríamos continuar evangelizando com o mesmo método".**
"Áquila, isso é maravilhoso!
Nesse passo, quantas pessoas ouvirão o evangelho e o aceitarão?"
" Não ouviram ainda dizer?
Já levamos o evangelho a todas as pessoas da Ásia Menor tanto a gregos como a judeus".***
"Ora, isso é impossível.
Você não está realmente dizendo que cada pessoa já foi evangelizada, não é mesmo ?"
"É verdade.
Cada pessoa".
____________
Atos 5:42
Atos 20:20
Atos 19:10


"Mas isso incluiria Damasco, Éfeso e dezenas de cidades grandes, aldeias e povoações e também as tribos nómades do deserto.
Quanto tempo foi necessário para as igrejas alcançarem todo esse povo ?"
"Não muito tempo exatamente 24 meses*.
O mesmo está acontecendo na África do Norte e no sul da Europa.
O evangelho também já chegou à Espanha.
Ouvimos falar de um país que se chama Inglaterra, e muitos cristãos já chegaram lá. Esperamos completar a Grande Comissão de Jesus antes do fim deste século".
"Áquila, o que você nos está contando é incrível.
Vocês têm feito mais, em uma geração, do que nós em mil anos".
"Não compreendo a razão disso. Para nós foi algo simples.
Pode ser que vocês tenham usado métodos errados de evangelização".
______________
* Atos 19:10

MORTE E RENASCIMENTO DO EVANGELISMO

como alcançou tanto êxito no evangelismo a cris¬tandade do primeiro século ?
E por que a cristandade do século XX tem feito com¬parativamente tão pouco ?
Depois de mil e novecentos anos não descobrimos ainda a maneira de realizar proezas tão maravilhosas.
Seria bom lembrarmos por que impera o atual estado de coisas.

A Morte do Evangelismo

No segundo século a cristandade se viu enredada em controvérsias teológicas.
No terceiro século houve grande incremento da apostasia.
No quarto século, a apostasia amadureceu.
Então a cristandade passou mil anos mergulhada nas trevas.
É esse período de mil anos que nos separa por completo de todo o contacto direto com a cristandade do Novo Testamento. Geralmente nos esquecemos desse fato e achamos que nossos métodos atuais têm todos origem no Novo Testamento.
Um exame minucioso nas páginas do Novo Testamento e o estudo histórico da origem de nossos métodos atuais logo revelam o quanto essa ideia está errada.

A Reforma

Sob a liderança de Martinho Lutero, a cristandade começou a recuperar-se dos mil anos de trevas.
Mas a reforma dos séculos XVI e XVII foi limitada em seu alcance.
Antes de tudo, foi uma reforma teológica a volta ao exame da Palavra de Deus.

Muitas coisas foram deixadas por resolver

Os escritos de Lutero marcaram as linhas de batalha da reforma.
Os assuntos sobre os quais êle escreveu e dissertou largamente determinaram os limites da exploração bíblica durante muito tempo.
Mas Lutero não tocou em muitos dos aspectos da cristandade.
Por exemplo, êle abordou pouquíssimo a escatologia.
Foi apenas trezentos anos depois de Lutero que começou qualquer estudo mais sério sobre esse assunto.
Pouco ou nada disse Lutero sobre a questão das missões e da evangelização do mundo. Coube a Guilherme Carey, em 1790, a tarefa de salientar novamente esse conceito do Novo Testamento.
O Espírito Santo recebeu pouca atenção durante a reforma.
E somente neste nosso século é que a doutrina e o lugar do Espírito Santo receberam a atenção que merecem.
O período que vai da reforma aos nossos dias tem assinalado a "volta paulatina" aos conceitos do Novo Testamento.
Porém, ainda não voltamos ao ponto inicial.
Ainda existem muitas ideias, conceitos e doutrinas do novo Testamento que precisamos redescobrir.

Origem dos Conceitos Tradicionais

A maior parte dos programas, ideias, terminologias e organizações existentes em nossas igrejas, hodiernamente, desenvolveu-se mediante a tradição, não estando franca¬mente baseada no Novo Testamento.
Por exemplo, é geralmente chocante, e às vezes mesmo engraçado, que o templo da igreja caiba dentro dessa categoria.
Os líderes da reforma, sem pensarem no que faziam, adotaram dos católicos-romanos a ideia do templo da igreja.
Todavia, o conceito de templo da igreja pertence ao século III, e não tem precendente nem exemplo no Novo Testamento.
Até mesmo termos consagrados como "púlpito", "missionário" e "Escola Dominical" não têm origem bíblica bem delineada.
Essa lista é interminável.

ORIGEM DO EVANGELISMO MODERNO

Em o Novo Testamento havia dois tipos bem definidos e predominantes de evangelismo o evangelismo em massa e o evangelismo pessoal.
Pelo século III, na sua maior parte, ambos os tipos já haviam desaparecido.
Nem mesmo durante a reforma houve qualquer reavivamento do evangelismo digno de nota. Por incrível que pareça, não faz mais de duzentos anos que houve qualquer volta notável ao evangelismo.
Nesse tempo, reapareceu certo tipo de evangelismo.
Entrou novamente em vigor, depois de uma ausência de mil e seiscentos anos, através do ministério de João Wesley.
Podemos estar gratos que êle nos deu de novo o conceito do evangelismo em massa.
É lamentável que a outra forma de evangelismo neo-testamentário até agora não tenha retornado à história cristã.
Quiçá esteja de prontidão, esperando dominar uma vez mais o centro da cena.
Podemos apenas tecer con¬jecturas sobre como será dramático o seu retorno.
O evangelismo em massa reapareceu de forma dramática com João Wesley.
Talvez possamos ter idênticas esperanças no tocante ao evangelismo pessoal !

Que Dizer sobre o Evangelismo Pessoal?

Fala-se muito acerca do evangelismo pessoal.
Escrevem-se livros sobre o assunto.
Pregam-se mensagens fervorosas sobre sua necessidade.
E, em casos isolados, há pessoas que o praticam.
Mas não houve nenhum retorno geral ao evangelismo pessoal.
Durante os últimos mil e oitocentos anos não houve ocasião em que algum grande movimento de testemunho pessoal tenha envolvido uma larga porção do povo cristão.
Se abrirmos nossos livros de história não encontraremos qualquer menção a isso durante quase dois milénios.
Por mil e oitocentos anos a Igreja não tem recuperado o evangelismo pessoal.
Até o momento jaz em uma pilha mofada, intitulada "Verdades ocultas do Novo Testamento".
Qual o resultado final de tanto tempo sem a posse vibrante de uma verdade tão fundamental ?
Não têm importância, realmente ?
Acontece que o conceito mais necessário e poderoso do cristianismo ainda está morto. É como se tivéssemos um automóvel sem motor um avião sem asas, uma mensagem a mensagem mas sem qualquer meio realmente eficiente de disseminá-la pelo mundo inteiro.
O reavivamento o redescobrimento do evangelismo pessoal será, na verdade, o redescobrimento do espírito do cristianismo dos dias do Novo Testamento.
Evolução do Evangelismo em Massa Antes de delinearmos a origem de outras formas de evangelismo que foram aparecendo, voltemos um pouco para traçar a evolução do evangelismo em massa durante os duzentos anos desde seu redescobrimento.
Por meio de homens como Jorge Whitfield, a América chegou a conhecer o evangelismo em massa.
Achou torrão fértil nesse país fronteiriço.
Na verdade, o evangelismo em massa tem passado por períodos de "amortecimento" e de "reavivamento" desde então.
Tem havido cerca de quatro pontos culminantes na história do evangelismo em massa:
um nos tempos de Wesley; outro, sob Finney então sob Moody; e, finalmente, em nossos próprios dias, sob a liderança divina, nas campanhas de Billy Graham.
Em meados do século XVIII apareceu o "acampamento".
Depois, já no século XIX, desenvolveu-se o evangelismo tipo "cultos prolongados'' e o evangelismo denominado "latada de ramos".
Nos fins do século XIX, quando houve reavivamento do evangelismo em massa, o termo usado era "avivamento" Os termos "avivamento" e "evangelismo em massa" começaram a ser confundidos tanto em nosso modo de pensar como na nossa terminologia.
Hoje em dia temos a altamente organizada "cruzada evangelística", que cobre uma igreja ou uma cidade inteira.
Há certos princípios espirituais inalteráveis, do evangelismo em massa, que são eternos e não sofrem alteração. Essas leis são reconhecidas e respeitadas hoje em dia.
O resultado é que na atualidade o evangelismo em massa se tornou uma ciência altamente organizada e exata.
Existe o que poderíamos designar de "ciência espiritual do evangelismo em massa".
O evangelismo em massa, ainda que por muitas vezes desprezado, é o maior método neo-testamentário que usamos, frequentemente usado por Deus para a salvação de multidões.

Origem e Evolução do "Evangelismo de Alistamento”

O evangelismo em massa tem certas limitações.
Por causa disso e porque o evangelismo pessoal passou tanto tempo no desuso foi inevitável que se inventassem outras formas de evangelismo, para preenceher a lacuna.
É o caso do "evangelismo de alistamento".
Ao desenvolver-se e alastrar-se o cristianismo na América, foi seguindo as normas de desenvolvimento da Igreja na Europa.
O cristianismo centralizou-se mais no templo da igreja, mudando quase toda sua esfera de ação para dentro do templo da igreja local.
Disso, nos últimos anos do século XIX, nasceu o "evangelismo de alistamento".
Eis como teve início o citado tipo de evangelismo:
Descobriu-se que alistando meninos e meninas em escolas bíblicas, ensinando-se aos mesmos a Palavra de Deus, muitos se entregariam a Cristo.
Isso é natural.
Uma vez que corações jovens ficaram expostos ao evangelho, por meio do estudo da Bíblia, muitos deles natu¬ralmente se entregariam a Êle.
Posto que o método dava resultado entre as crianças, foi ampliado para incluir também os adultos.
Muitos dos crentes mais idosos ainda devem estar lembrados que é ideia relativamente nova essa de ensinar-se adultos em escolas bíblicas.
Hoje em dia, o evangelismo de alistamento ou evangelismo pela educação é a ciência mais exata no seio da Igreja.
Mais livros são escritos e mais programas e planos são elaborados, nesse setor, do que em qualquer outra forma de evangelismo.
Atualmente o evangelismo de alistamento é que está suprindo o vácuo deixado pela ausência do evangelismo pessoal.
Talvez haja mais conversões no evangelismo de alistamento do que sob todas as demais formas de evangelismo juntas.
Muitas (talvez a maior parte) das denominações dependem quase que inteiramente do evangelismo de alistamento para sua manutenção e crescimento.
Sem dúvida o evangelismo de alistamento tem dado a maior contribuição para a conquista de almas em toda a história recente.
Convém que nos lembremos, contudo, que não se passaram mais de cem anos desde que se iniciou essa forma de evangelismo; e que talvez ela nunca houvesse surgido se a Igreja tivesse entrado novamente na posse de um testemunho poderoso de conquista pessoal de almas.

Outras Formas de Evangelismo

Nesta nossa época da técnica presenciamos o desenvolvimento de um estupendo número de outras modalidades de evangelismo.
Há evangelismo cinematográfico, evangelismo dramático, evangelismo pela caricatura (todos dentro da categoria de evangelismo audio-visual).
Surgiram o evangelismo através do rádio e da televisão e o evangelismo pela literatura e pelos discos fonográficos.
Na última década temos apreciado a especialização do evangelismo isto é, organizações foram formadas para tratarem da necessidade de certo setor, tais como o evangelismo da mocidade, da marinha, do exército, da força aérea, dos operários das fábricas, etc.
A maior parte dessas organizações utiliza-se simplesmente dos métodos convencionais do evangelismo do século XX, com modificações próprias para cada grupo.

DEFINIÇÃO DE TERMOS

Grande é o número de termos empregados para designar todos os tipos de evangelismo. Aqui precisamos de clareza de pensamento.
Frequentemente se faz alusão ao evangelismo em massa com os termos "avivamento" e "campanha evangelística".
O evangelismo pessoal e o de alistamento estão entrelaçados mediante muitos termos, como:
evangelismo educacional,
evangelismo de visitação,
evangelismo de casa em casa;
evangelismo na Escola Dominical;
evangelismo de testemunhos;
evangelismo de conquista de almas; etc.

Provavelmente há maior confusão ao redor do termo "evangelismo de visitação".
É um apelativo realmente ambíguo.
No sentido mais estrito da palavra, não existe o evangelismo de visitação.
O evangelismo pessoal consiste de alguém falando a outra pessoa sobre a necessidade que esta tem de Jesus, com o fito de levá-la à decisão de aceitar ao Salvador.
Um crente pode conquistar almas pessoalmente, visitando de casa em casa; mas também pode fazê-lo em uma fábrica, em sua própria residência, ou em qualquer outro lugar na face da terra.
O evangelismo de alistamento consiste na tentativa de induzir uma pessoa não convertida a matricular-se para receber instrução na Palavra de Deus.
Esse tipo de evangelismo também usa o método das visitações, mas o evangelismo de alistamento de forma alguma pode ser reputado como conquista de almas.
Geralmente é apenas uma visita, na qual se convida alguém a assistir e a matricular-se numa classe de estudos da Bíblia.
Assim sendo, há evangelismo de alistamento desempenhado por meio de visitas.
Também há conquista pessoal de almas, geralmente feita através de visitações, que pode, todavia, ser realizada em qualquer lugar.
O evangelismo pessoal, portanto, nunca deve ser chamado de evangelismo de visitação. Só há duas formas de evangelismo
Em realidade só há duas duas formas de evangelismo:

EVANGELISMO PESSOAL E EVANGELISMO IMPESSOAL

Naturalmente que toda modalidade de evangelismo, exceto o evangelismo pessoal, consiste de evangelismo impessoal!;
A prédica é impessoal.
Todo evangelismo em massa é impessoal.
Evangelismo por meio de filmes, da literatura, do rádio, da televisão todas essas formas são totalmente impessoais, tanto para o que fala como para os que ouvem.
O evangelismo de alistamento relação abstraia entre o mestre e os alunos é igualmente impessoal.
Isso significa apenas que virtualmente todo o evan¬gelismo que se vem fazendo na América não tem qualidade pessoal alguma.
Não há qualquer contacto individual.
E no entanto, o cristianismo é pessoal !
O evangelismo tem de ser pessoal.
Como podemos mostrar nosso afeto, de pé sobre um púlpito, "pregando" na direção de um homem que está assentado trinta metros distante de nós ?
Como qualquer de nós pode realmente esperar exibir a prova mais eficaz do cristianismo a prova do interesse humano, do amor e da paz pessoal a menos que o transmitamos de pessoa para pessoa ?
O homem perdido tem de aceitar, pela fé, que o pregador ou mestre realmente tem amor, alegria e paz. Porém, se o pregador entrar na casa daquele, derrama perante êle o seu coração e à viva voz lhe dirige a Palavra, então o indivíduo sem Cristo pode perceber e sentir a personalidade do crente.
Assim o crente estará demonstrando seu amor, sua alegria, sua paz.
Nesse caso, pregar se torna praticar.
Nessas ocasiões podemos dizer quão maravilhoso é alguém ser um crente. Ficamos expostos ao juízo dos outros, para que vejam se somos realmente como dizemos ou não. Pois os outros sempre vêem e ouvem o evangelho de maneira muito abstrata e impessoal. O descrente só pode perguntar: "Já que é assim tão maravilhoso, por que não há um pouco mais de toque pessoal nos discípulos de Cristo ?"
Deixemos de lado o que é abstrato no evangelismo !
Somente o evangelismo pessoal pode demonstrar o âmago verdadeiro e o valor real do evangelho.
Já temos desfrutado de mil e oitocentos anosi de evangelismo impessoal.
Basta.
Já demonstrou o seu valor.
Agora é a vez de reintroduzirmos, em escala vultosa e mundial, a verdadeira expressão e única demonstração real de que o evangelismo que pregamos é verdadeiro. . .
O evangelismo no nível pessoal !


Capítulo 2

LIMITAÇÕES DO EVANGELISMO EM MASSA

Há apenas uma coisa errada no evangelismo em massa:
nunca é feito em doses suficientes!
O alvo deste capítulo não é o de salientar os problemas do evangelismo em massa, pois há grande necessidade de maior empenho no mesmo.
Mas a finalidade agora é a de anotar suas limitações.

1. O evangelismo em massa não pode conquistar o mundo para Cristo
O primeiro e maior teste para qualquer conceito de evangelismo é:
pode êle conquistar o mundo inteiro para Cristo ?
O evangelismo em massa não o pode.
Número relativamente limitado é o das pessoas que se levantará e sairá de suas casas a fim de ouvir um pregador.
Senão acharmos um meio de induzir cada pessoa do mundo a sair deliberadamente para ouvir a mensagem do evangelho, será impossível ao evangelismo em massa evangelizar o mundo.

2. O evangelismo em massa tem capacidade limitada de propagar o evangelho da maneira mais clara possível!
Qualquer ministro pode testificar de haver proclamado do púlpito, repetidamente:
"A salvação é grátis... ter uma vida decente não salva a ninguém... ninguém pode merecer ir para o céu com suas próprias obras, pois é um presente", para em seguida ter descido do púlpito e haver perguntado a um descrente qualquer por que êle não aceitou a Cristo e à salvação, recebendo então como resposta:
"Bem, não preciso fazer isso.
Levo uma vida decente!"
É difícil transmitirmos a mensagem a uma pessoa distante de nós trinta metros, especialmente quando está escondida entre uma multidão de outras pessoas.
Algo de artifical e de intangivelmente abstrato ocorre quando qualquer ministro sobe ao púlpito.
Imediatamente o ouvinte se muda para um mundo irreal.
Como bem sabemos, grande parte do auditório inconscientemente muda sua mente para a posição "neutra".
Certo pastor da costa do Pacífico relatou o encontro que teve com um jovem no saguão do templo, imediata¬mente após o culto da manhã.
Depois de conversar por um pouco com o moço, descobriu que êle frequentava fielmente às reuniões por muitos anos.
Por alguma razão, o pastor não o conhecia.
Ao indagar se êle era crente, o jovem respondeu negativamente, explicando que queria sê-lo, mas não sabia como alguém se torna crente.
O pastor admirou-se de que apesar do moço vir assistindo aos cultos durante tantos anos, nada sabia acerca da salvação.
Mas, era a pura verdade.
O pastor, sentando-se ao lado do rapaz, explicou-lhe algumas passagens das Escrituras, e o jovem sem tardar aceitou a Cristo em sua vida.
Daws Trotman, fundador dos Navegadores, falou em igrejas por toda a parte ocidental dos Estados Unidos da América, apresentando a seguinte proposição:
"Para quem puder dizer-me cinco declarações ou pontos expostos pelo pastor, no ano passado, darei dez dólares".
Incrível?
Muitos tentaram, mas ninguém o conseguiu !
Triste é dizê-lo, mas as pessoas no auditório geral¬mente não ouvem nossos sermões, e esses são logo esquecidos por aqueles que os escutam.

3.O evangelismo em massa é impessoal.

Como já declaramos, o evangelismo em massa nunca pode transmitir o ardor, a afeição, a alegria, a paz e a solicitude como se verifica num encontro pessoal.
Todas essas qualidades são indispensáveis para que transmitamos as riquezas de Jesus Cristo.

4. Os resultados do evangelismo em massa não podem perdurar

O evangelismo em massa, devido à sua própria natureza, precisa ser esporádico.
Não se pode manter sua média numérica.
Toda campanha evangelística deve ter data marcada para terminar.
Por essa razão aceita-se como algo natural e necessário ter grandes derramamentos do Espírito Santo e grandes colheitas de almas. . . duas ou três vezes por ano, quando a igreja se lança numa cruzada.
Pastores dos estados do sul dos Estados Unidos geralmente dizem que nas igrejas rurais "só pode haver conversões na terceira semana de agosto. . .
porque é nessa época que sempre há cultos de avivamento".
Os resultados dessa tradição são inumeráveis. Mostram, para o mundo, como a nossa maneira de pensar é frívola.
Quantos dos incrédulos nos têm confiado:
"Essa gente da igreja só se interessa por mim três semanas antes de alguma campanha".
Tais períodos de "refrigério" e de "avivamento" nos dão, igualmente, um cristianismo de "montanha russa" num dia sobe, e no seguinte, desce.
Mas não foi planejado para ser assim, como bem sabemos!!
Não se trata tanto de alguma falha no evangelismo em massa, mas é que não há meio de manter o evangelismo e suster o espírito de avivamento.
Só pode continuar enquanto houver conversões constantes de almas, semana após semana. E isso o evangelismo em massa não pode fazer.
Ainda não descobrimos de novo o segredo da Igreja do primeiro século, que podia afirmar:
" .. . acrescentava-lhes o Senhor dia a dia, os que iam sendo salvos"*

5. O crente individual não pode participar

O evangelismo em missa facilita o "cristianismo de espectadores".
Realmente, nada há a fazer senão ficar sentado e ouvir.
O crente individual tem pouquíssima oportunidade de ser utilizado como instrumento do Espírito Santo. . . e assim lhe é vedado qualquer crescimento verdadeiro em Cristo. Mais ou menos tudo quanto pode fazer, no meio da maré do avivamento, é "ouvir o evangelista".
Isso representa pouco demais. Certamente que isso não basta para manter o avivamento, uma vez que se afaste o evangelista.
O evangelismo em massa não pode cumprir o mandamento bíblico que diz:
"tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes..."
(Tiago 1:22).
Uma outra palavra poderíamos acrescentar acerca do evangelismo em massa.
Tem a tendência de cair no desuso, após certo tempo.
Desde que o evangelismo em massa foi redescoberto, por João Wesley, tem estado sujeito a altos e baixos.
Contudo, a volta do evangelismo em massa geralmente tem sido acompanhada por grande e vasto avivamento na Igreja.
É por isso que inconsciente associamos o "avivamento" com o evangelismo em massa.
De algum modo concluímos que só pode haver "avivamento" por meio do evangelismo em massa.
Vinculamos toda a questão do "avivamento" com a pregação da Palavra.
Todo o nosso raciocínio "deslumbrado" sobre os avivamentos tem estado ligado à pregação da Palavra.
Contudo, convém que nos lembremos que nunca jamais temos visto um vasto ressurgimento do evangelismo pessoal.
Pelo menos não durante os últimos mil e oitocentos anos.
É possível que o evangelismo pessoal também pudesse ser usado como instrumento para inaugurar e dar sequência a um avivamento, tanto quanto o evangelismo em massa tem sido usado nos duzentos anos desde que toi restaurado.
___________
* Atos 2:47.

É possível que Deus tenha um instrumento ainda maior e mais poderoso para promover um avivamento, e sobre o qual nunca pensamos e que certamente nunca experimentamos.

ASA DE ANJO, CORPO DE HOMEM E ROSTO DE CRIANÇA

Yossef Akiva

Quem é o Autor?

Yossef Akiva é judeu nascido no Brasil em 29 de janeiro de 1973.
É casado, pai, empresário e líder do ministério Yossef Akiva International Ministries.
Iniciou seu ministério há 7 anos e, desde então, já ministrou pregações nos principais eventos e convenções em todo o Brasil, bem como em outros países da América do Sul, América Central e Europa.
Construiu um ministério diferenciado, por possuir vasta informação em relação à Palavra de Deus.
Ele especializou-se no Antigo Testamento, principalmente no que diz respeito à Shekinah palavra hebraica para designar habitação ou presença de Deus com mensagens reveladoras e nunca pregadas antes.
Trouxe assim, uma visão inovadora e confrontante para aqueles que o ouvem.
Trata-se de mensagens corroboradas por revelações de cunho profético.
Yossef Akiva tem despertado pessoas para as verdades bíblicas em vários lugares por onde passa, deixando um caminho de revelações que causaram impacto àqueles que a compartilharam.
Esta é uma das razões que o torna um dos mais conceituados ministros de nosso tempo.
Deus tem usado esse profeta de uma forma peculiar e muito abençoada!
Deus incentiva a sua obra levantando mantenedores para seu ministério e intercessores que acreditam e foram abençoados por ele.
Atualmente, Yossef tem ministrado em várias cidades e denominações diversas.
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Asa de Anjo, Corpo de Homem
e Rosto de Criança

Os nossos sábios dizem que o Planeta onde nós vivemos, chamado Terra, é o centro de todo o Universo.
A Terra também tem um centro, Jerusalém, cujo centro é o Templo.
Por sua vez, o centro do Templo é o Santo dos Santos e o centro do Santo do Santos agrega tudo o que existe no mundo visível e invisível.
Dentro do Santos dos Santos encontra-se a Arca Sagrada, a qual é o Símbolo do Reino dos Céus.
Esse utensílio sagrado foi visualizado pelo profeta Moisés quando Deus lhe disse: "Você irá subir ao Monte e jejuar 40 dias e 40 noites".
Não foi restritamente jejum de comida e água que ele fez, englobava também ficar sem dormir e sem fazer necessidades fisiológicas, para atingir a mesma elevação dos anjos, que nâo comem, não bebem e não têm necessidades fisiológicas.
Esta condição imposta a Moisés no deserto era para entender o que Deus mostraria a ele, já que através da carne não é possível entender as coisas de Deus.
Ao atingir o nível dos anjos, Deus abriu um mapa no céu para Moisés, apresentando um templo, um santuário no céu.
Esse santuário já havia existido na terra, quando Jesus criou o Jardim do Éden.
Este lugar era usado quando Deus cultuava com Adão, na virada do dia, dentro de um templo.
Porém, Adão pecou e esse templo foi levado para cima, nos céus.
Assim, Moisés é o segundo homem a entrar nesse templo no momento em que ele se relaciona com Deus, e isto só pode acontecer se existir altar, e consequentemente, Templo.
Em razão disso que Paulo diz:
"Vós sois templo do Espírito Santo de Deus".
A partir desse princípio Deus revelou a Moisés dois níveis de relacionamento.
Estes níveis seriam reproduzidos na terra com a construção de uma réplica da Arca da Aliança, orientada por Deus a Moisés, semelhante a que ele viu no céu, pois Deus queria se relacionar com o Seu povo na terra.
Neste templo haveria basicamente duas divisões, representado os dois níveis de relacionamento:
Um nível natural chamado Lugar Santo e um nível sobrenatural chamado Santo dos Santos, ambos estariam delimitados por um véu.
Este véu definiria-se como delimitador das duas dimensões, ou seja, separaria a dimensão natural da dimensão sobrenatural
De igual modo, existem dois tipos de crentes: O crente natural e o crente sobrenatural.
No lugar natural transitam a maioria dos sacerdotes, e é onde se conforma o espaço onde as pessoas fazem tudo diariamente, pois são reguladas pelo tempo cronológico. Tudo que está vinculado ao dia é porque está vinculado ao tempo, ao relógio. Todo crente que vive diariamente em busca de fogo, sacrifício, água e pão está condicionado a ser um crente natural.
Existe também um outro nível de relacionamento, conformado no Santo dos Santos, um lugar especial, que não pode ser permeado por qualquer pessoa.
Enquanto no Lugar Santo muitos entram diariamente, neste outro apenas um homem pode entrar uma vez por ano.
E apenas esse homem pode ver o utensílio mais sagrado de todo o universo:

A Arca da Aliança.

Possivelmente você conheça os filmes de Indiana Jones "Em Busca da Arca Perdida". Algumas pessoas afirmam existir esse objeto místico, transcendental, referido no filme, outras desacreditam, pois ele estaria em um campo transcendental, e não na terra.
Em realidade, ninguém sabe o paradeiro dela.
Esse utensílio semelhante a um baú, foi ordenado por Deus a Moisés para ser feito de acácia.
Acácia é um tipo de madeira nobre quase incorruptível, com vários nós, que quanto mais numerosos, mais vaidosa a madeira é.
Porém, Deus não queria que a vaidade da acácia crescesse, por isso ordena forrar a parte externa e interna com uma placa de ouro, de tal forma que a acácia permanecesse no meio das duas placas.
Sobre aquela caixa, Deus orientou que se fizesse uma tampa de ouro, chamada Propiciatório.
Foi utilizado o ouro batido, pois o refinado é mais leve enquanto o ouro batido é mais puro e mais pesado.
Quanto mais batido somos, mais peso espiritual temos.
No momento de esculpir e entalhar dois querubins em cima da tampa, Moisés mostrou resistência para tal tarefa, pois acreditou ser impossível realizar um trabalho desses na Terra.
Diante disso, Deus atentou Moisés que o Seu Espírito desceria sobre dois homens capacitando-os a fazer a Arca dá Aliança.
Uma vez que dentro da Arca da Aliança está o Reino dos Céus e a Eternidade, esses dois querubins que Moisés viu no Propiciatório são exatamente os dois que expulsaram Adão e Eva do Paraíso, por isso seriam os guardiões do Reino do Céu.
Tudo o que está no interior da Arca é maior do que está fora.
Esta é uma regra Divina, por isso quando Jesus estava dentro do templo e ouve alguém dizer:
"Mestre, que templo suntuoso, com pedras grandes e preciosas", Ele responde:
"É bonito, é grande, mas quem vos fala é maior do que o templo".
João também lembra esta regra espiritual ao dizer:
"Não sabeis vós que maior é o que está em vós do que o que está no mundo".
Portanto, quem está dentro da Arca é maior do que qualquer outra coisa.
Ao olhar para a Arca, veríamos duas grandes asas poderosas.
Eram dos seres entalhados que se encontravam em cima da tampa, assim suas duas asas aladas, grandes, tocavam-se em cima, uma asa encontrava com a outra, de modo a encobrirem a Arca.
Embaixo os dois se encontravam também pelos joelhos, e ainda que fossem dois seres, tratava-se de uma peça única, sem distinção.
Esse círculo formado pela ponta das asas e pelos joelhos é o símbolo da eternidade, designando que não tem começo e nem fim.
Dentro desse círculo estava a Shekináh a Presença de Deus.
Eles estavam emendados embaixo pelos joelhos e em cima pelas asas, por que cada um de nós tem duas naturezas, quatro níveis de vida, sete lados e somos divididos em três partes.
As duas naturezas referem-se à natureza natural tem quatro níveis e havia dentro o: Vida física, vida emocional, vida intelectual e vida espiritual.
Os seres estavam emendados embaixo, pelos joelhos, em cima pela ponta das asas e no meio deles estava a Shekináh.
Jesus confirmou esta imagem ao dizer que tudo o que é ligado na terra seriam os joelhos será ligado no céu as pontas das asas.
O maior desafio da Igreja é manter-se unida, pois se ela estiver ligada embaixo, estará ligada em cima, cooperando para que a Shekináh se manifeste no meio dela.
É impossível Deus se manifestar no meio de uma Igreja desunida, desligada.
Ao apurar com mais atenção os detalhes destes seres viventes observa-se que eles se inclinam para um lado e para o outro.
Porém é surpreendente que esies seres tremenaos, cneios ae uiona, enquanto tinham asas de anjos, o corpo era de homem e o rosto de criança, de um bebê recém-nascido. Asas de Anjos, corpo de homem e rosto de criança.
Eles não estavam olhando nem para a direita, nem para a esquerda, ambos os seres, cujos rostos eram de criança, desproporcional ao tamanho das asas e ao tamanho do corpo, olhavam para dentro da Arca.
Ora, eles estavam olhando para o reino dos Céus.
Certa vez alguém questionou Jesus:
"Como que é o Reino dos Céus?".
A resposta de Jesus foi simples:
"Se você quiser ver o Reino dos Céus, você tem que voltar a ser como uma criança". Assim, entendemos que só quem é como uma criança pode olhar para a Arca e ver o Reino dos Céus.
Dentro da Arca havia três coisas.
A primeira era os Dez Mandamentos.
A Bíblia diz que os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus, lembrando que se você têm sentidos naturais é porque Deus também os têm, uma vez que somos feitos à imagem e semelhança de Deus.
As regras escritas por Deus, com o Seu dedo, foram prescritas para nós.
Ninguém gosta de regras, faz parte de nossa natureza caída, mas elas são importantes para regularem nossa vida aqui na terra.
O espírito anarquista de satanás está no coração de muitas pessoas quando elas não se submetem a uma autoridade, a um princípio de autoridade.
O espírito rebelde é incutido por satanás no coração do homem para desviá-lo da presença de Deus, pois Ele não abençoa crente indisciplinado, desorganizado em sua vida espiritual.
A segunda coisa que existe dentro da Arca era um pote de ouro contendo Maná.
A palavra maná é egípcia e hebraica que quer dizer:
O que é isso?
Porque durante 39 anos e 8 meses, todos os dias, descia do céu um orvalho com um pozinho branco, e o povo dizia:
maná, o que é isso?”.
Logo, esse pozinho branco passou a se chamar Maná.
Deus não deixou restrições para o povo quanto ao uso daquele pozinho, salvo uma única regra, que seria nunca guardar um pouco de Maná para o dia seguinte.
Cumprindo apenas isso, o povo poderia utilizá-lo à vontade.
O Maná era muito cheiroso, semelhante à essência de baunilha, mas quando guardado exalava um mau cheiro muito forte, podre.
Deus tinha um único propósito com essa regra:
Ensinar ao povo a depender Dele.
Interessante que o Maná que estava guardado dentro da Arca não estragava.
Permaneceu no interior dela durante centenas de anos e manteve o seu cheiro original, o seu odor e a sua essência característicos.
Observemos então que o Maná de fora estragava, enquanto o de dentro não.
Certo dia enquanto Jesus pregava, os Judeus O contestaram:
“Os nossos pais comeram Maná no deserto e morreram”.
Porém, Jesus disse:
“É verdade, os seus pais comeram o Maná no deserto e morreram, porque era o Maná de fora; Eu Sou o Maná de dentro; eu sou o Pão Vivo que desceu do céu, mas quem comer de mim não morre, pois terá vida eterna”.
Assim, quem comer do Maná que estraga morre.
Foi isso que esses judeus fizeram.
O terceiro utensílio dentro da Arca é a Vara de Arão que floresceu.
Em Números capítulo 17, Moisés está dentro do tabernáculo, isto é, no Santo dos Santos, consultando a Deus.
Ele está em frente à Arca da Aliança e, portanto é a Shekináh que está falando com Moisés.
Deus disse para Moisés:
"Saia agora diante de toda congregação dos filhos de Israel e diga que eu escolhi o teu irmão, Arão, para ser o Sumo Sacerdote".
Moisés sai da Presença de Deus, sem dar as costas para a Arca, caminha sete passos para trás (andando de ré) até encostar as costas no véu.
Abre o véu com suas mãos, ainda de frente para a Presença de Deus, e somente quando atravessa o véu ele se vira de costas.
Em Israel existe o Muro das Lamentações, onde os Judeus agem da mesma maneira para saírem da Presença de Deus naquele lugar.
Nenhuma pessoa pode virar as costas pára Deus, pois é falta de respeito.
Onde o Senhor estiver, ao nos retirarmos de Sua presença devemos olhar em Seus olhos, porque é assim que Deus olha quando nos apresentamos a Ele.
Moisés diante do povo disse: "Deus mandou eu ungir o meu irmão, Arão, para Sumo Sacerdote".
O povo começou a murmurar, pois desconfiavam que Moisés estaria protegendo a sua família ao nomear o seu irmão.
Neste momento, Moisés voltou novamente para a Presença de Deus.
Lá assegurou que Deus estaria com ele e retornou.
É importante percebemos que a nossa obediência em Deus compromete a nossa vitória. Antes de voltar.
Moisés estava inseguro diante do povo, lá dentro foi fortalecido, pois reconheceu que Deus o usaria para agir em Seu nome.
Ao se retirar, Moisés não percebeu que a Shekináh não estava mais em cima da Arca da Aliança, mas estampada no seu rosto.
O rosto dele brilhava fortemente com a Shekináh de Deus.
Por isso ao se apresentar diante do povo, este se assusta e acredita estar diante de um anjo, a luminosidade de Moisés lembrava a de um anjo.
Em outra passagem da Bíblia vemos que isso também aconteceu com Estevão enquanto pregava, porque o Espírito Santo agiu sobre ele e seu rosto brilhou, sendo confundido com um anjo, porém era a Shekináh que resplandecia sobre a sua face.
Moisés voltou diante do povo e Deus falou por ele:
"É bem verdade que existe no meio de vós profetas, e é bem verdade que Deus fala com eles, mas em sonhos, em visões, com Moisés é diferente, Deus fala Face a face". Árvores não são derrubadas cortando galhos, mas pelo tronco; não se cura a ferida no ombro se jogar o bálsamo no joelho. Deus não perde tempo com calda, o negócio de Deus é com as principais cabeças. O Senhor age diretamente na ferida, usa o machado na raiz, resolvendo o problema de uma vez só.
Por isso Ele chama os cabeças daquela multidão, pois eram eles que murmuravam persuadindo o povo.
Ninguém vem na presença de Deus de mãos vazias.
Tudo o que você tem na mão é reflexo do que você é, então, Deus disse:
"Diga para eles virem com galhos secos nas mãos", porque é isso que eles são, árvores secas, infrutíferas.
E assim vêm os doze representantes das tribos de Israel, com galhos secos nas mãos, e o representante da Tribo de Levi era Arão.
Moisés orientou que amarrassem em cada galho, que representa cada tribo, uma tira com os seus respectivos nomes.
Em seguida, plantaram um ao lado do outro na presença do Senhor.
Os galhos foram enterrados no deserto, concordando uns com os outros que voltariam no dia seguinte.
Moisés indicou que o galho que florescesse, refletiria o homem que Deus escolheu.
Sabemos que quando se planta uma semente, demora meses, anos e até décadas para crescer.
Porém Deus disse "Amanhã".
E não se tratava de uma terra fértil, era um deserto da península do Sinai.
Galho seco em terra seca a crescer sem adubo, sem chuva.
Isto era a manifestação do poder sobrenatural de Deus.
Você não precisa insistir com o seu galho seco, mas entregar na presença do Senhor, pois somente Ele pode realizar o milagre da noite para o dia, mais rápido do que podemos conceber.
Quando a Bíblia fala de noite e dia, remete a dois períodos:
Um período de angústia e um período de alegria.
A noite é um período de incerteza, de dúvida, de incredulidade, de falta de visão, de obscuridade, de falta de discernimento, de frio, de medo.
Encontramos na Bíblia que o choro Dode durar uma noite (é um tempo), mas a noite nunca é para sempre.
Em relação à noite daquelas pessoas que enterraram os galhos foi bastante longa, ninguém dormiu com a pressão psicológica de satanás.
Plantar galho seco em uma terra seca pode resultar naquilo que lemos no Salmo 126: "Os que semeiam com lágrimas com jubilo ceifarão.
Quem sai, andando e chorando enquanto semeia, voltará com alegria trazendo consigo os seus feixes".
Este trecho se refere ao momento em que o povo de Israel voltou do cativeiro babilónico e viu Jerusalém.
A terra estava queimada, sem ser arada, sem ser trabalhada, mas como estavam sem ferramentas, sem arado, sem picaretas, sem enxadas e sem boi para puxar arado, começaram a chorar de desespero.
Eles tinham nas mãos apenas sementes.
Ciro, o medo-persa, deu ao povo judeu apenas estas sementes.
Então os judeus se ajoelharam naquela terra seca e começaram a cavar com as próprias mãos, e suas lágrimas caíam junto com as sementes, cobrindo a terra.
Algumas pessoas têm chorado bastante sobre a sua terra seca, mas acreditam não surtir resultado algum, entretanto, na realidade não está tudo do mesmo jeito, a mudança já ocorreu.
Lá embaixo, dentro da terra, longe do seu alcance visual, a semente está brotando, criando raízes.
É nesse momento que o diabo tenta lhe convencer a desistir, argumentando que está tudo do mesmo jeito, que nenhuma transformação ocorreu.
Porém aquele que crê sabe que Deus está agindo e a vitória está diante dele, ainda que com os olhos nus não se possa ver.
isto é fé.
Essas lágrimas não vão cair em vão na terra, mas são elas que farão a semente crescer.
No dia seguinte toda a congregação se reuniu para analisar qual galho floresceu. Desenterraram os galhos de Dã, Aser, Benjamim, Naftali, Efraim, Manasses, Ruben, Simeão, Gade, Issacar e Zebulom. Todos secos.
Galho de murmurador não floresce.
Portanto, para conhecer a árvore, basta olhar para os frutos.
Ao chegar a vez do Arão, puxaram o galho de dentro da terra e junto dele estava um buquê de flores muito raras, haja vista que uma rosa que só germinava nos desertos de Saron floresceu no seu galho.
O galho de Arão além de florescer, também brotou amêndoas.
No Evangelho de Lucas, capítulo 2, existia um ancião chamado Simeão.
Certa vez o Espírito Santo disse que ele não morreria sem antes ver o Cristo, Senhor. No templo, onde se circuncidavam as crianças, Simeão atentou-se para as crianças na tentativa de localizar Jesus.
Dificilmente ele localizaria o Cristo nos braços de Maria e José, que carregavam o menino no colo e a oferta mínima de duas pombas.
Era uma família muito simples.
Tocado e revelado por Deus, Simeão pediu licença para o Sumo Sacerdote, e pegou o menino enrolado em um pano de saco.
Simeão não apenas viu Cristo, mas O pegou em suas mãos.
Diante do olhar surpreso das pessoas que presenciaram o galho de Arão ele comeu sozinho com Deus as amêndoas.
O salmista diz:
"Preparas perante mim, uma mesa, na presença de meus inimigos" e assim o fez Arão.
Existem dois altares dentro de casa:
O primeiro altar é a mesa onde comemos.
Assim, qualquer um que se sentar à mesa para comer com você, no mundo espiritual estará fazendo uma aliança, por isso, Jesus era questionado quando comia com os publicanos.
Era para estabelecer uma aliança de salvação.
Quando Arão senta à mesa e come com Deus, ele está fazendo um pacto com Ele.
O segundo altar que temos dentro de casa é a cama onde dormimos.
Portanto, se chegar uma visita para posar em sua casa, você a coloca para dormir na sala, em outro quarto, menos na sua cama.
Porque a Bíblia afirma que o leito deve estar sem macula O primogenito
Jacó, por exemplo, perdeu a primogenitura porque subiu na cama do pai.
Arão naquele mesmo momento foi ungido Sumo Sacerdote.
Moisés ungiu Arão derramando óleo sobre a cabeça dele.
Está escrito no Salmo 133 versículo 2:
"É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
Respinga em sua orla."
O óleo é a unção do Espírito Santo, que atinge primeiro a cabeça.
A cabeça é Jesus Cristo.
Depois de Jesus, a barba, que por estar ligada à cabeça, representa os Apóstolos.
A gola seria a Igreja Primitiva, enquanto a veste a Igreja Contemporânea.
Por fim, a orla que respinga na terra é a Igreja do Arrebatamento.
Deste modo Arão é ungido, banhado por óleo, azeite.
Davi quando foi ser ungido pela terceira vez, pediu para que fosse transbordado o óleo sobre a sua cabeça:
"Unges-me a cabeça com óleo e o meu cálice transborda." (Sm 23:5b).
Davi segurou o cálice real de ouro, imenso e o colocou debaixo de sua barba ruiva, pedindo ao Sacerdote para derramar óleo e só parar quando o cálice transbordar.
Assim o Sacerdote despejou o óleo sobre sua cabeça, escorrendo pelo rosto, descendo pela barba e caindo dentro do cálice até transborda-lo.
Ali estava a confirmação da sua unção.
"Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unaes-me a cabeça com óleo, o meu cálice transborda."(Sm 23:5).
Davi, em outras palavras, queria ser ungido igual a Arão.
A vara de Arão que floresceu foi colocada dentro da Arca, como confirmação do Sacerdócio de Arão.
Em seguida, deram-lhe um cajado feito de madeira de amendoeira, grande, semelhante àqueles cajados de pastores que lembram um cabo de guarda-chuva.
Na base do cajado estava gravado, em ouro, o nome do Primeiro Sacerdote:
Aron.
Antes de morrer, Arão ao passar o cajado para o seu sucessor gravava, em ouro, o nome do próximo sacerdote, acima do dele.
Deste modo, garantia-se que toda a árvore genealógica da linhagem sacerdotal de Arão estaria gravada naquele cajado.
De Arão até Jesus, 1500 anos, quase mil nomes foram gravados naquele cajado.
O Sumo Sacerdote nos dias de Jesus chamava-se Caifás, da linhagem de Arão, portanto este era o último nome que estava no bordão do cajado.
E não era mais possível registrar outro nome naquele cajado.
Quando Jesus chega diante de Caifás amarrado, Caifás olhou para Jesus e fez uma pergunta, segurando o cajado na mão:
"Você é o Filho de Deus?"
E Jesus respondeu:
"Sim, Eu Sou o Filho de Deus".
Caifás colocou as mãos na gola de suas vestes sacerdotais e rasgou-as de cima para baixo, e disse:
"Blasfêmia, tens que morrer".
Caifás era o maior teólogo nos dias de Jesus, mas tropeçou nos próprios ensinamentos da Bíblia
Sagrada.
A Bíblia diz que quando um sacerdote rasga as suas vestes ele encerra seu sacerdócio. Logo, Caifás sem ter conhecimento de que estava sendo usado por Deus, pôs fim na A palavra-chave que permeia todo este livro é o equilíbrio.
O próprio título apresenta este conceito expresso, pois em Asa de Anjo, Corpo de Homem e Rosto de Criança os dois seres talhados na tampa da Arca da Aliança conformam a relação entre céu, terra e a presença de Deus Shekináh.
Esta Arca existe no céu e Moisés reproduziu uma réplica na Terra através das orientações de Deus, a fim de estreitar a relação do Senhor com o Seu povo.
O encontro do equilíbrio entre o mundo natural e o mundo espiritual é capaz de fazer florescer o galho seco, como ilustra a passagem de Arão.
Que esta leitura venha florescer em sua vida da mesma forma.