9 de ago. de 2010

A Palavra de Deus transforma Isto é o que desejo.

"Se estivermos na sua vontade Produziremos fruto, Deus realizará
Sua vontade por nosso intermédio.
Não temos de voltar atrás e desistir.
Cristo está conosco; O Espírito Santo está dentro em nós.
Sua Palavra é nossa para crermos.
Deus trabalhará em nós primeiro.
Depois agirá por nosso intermédio para completar a obra Que ele nos deu para executar.
Enfrente o futuro; Deus estará com você."

ABORTO

PNDH-3 - união civil entre pessoas do mesmo sexo

O terceiro PNDH, instituído através do decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, faz referência, em várias passagens, ao movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), buscando, de alguma forma, introduzir ou reconhecer direitos inerentes a esse grupo.

No Eixo Orientador III (Universalizar direitos em um contexto de desigualdades), Diretriz 10 (Garantia da igualdade na diversidade), Objetivo Estratégico V (Garantia do direito à livre orientação sexual e identidade de gênero), consta, como Ação Programática, à página 98, o seguinte:

Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República; Ministério da Justiça

Recomendação: Recomenda-se ao Poder Legislativo a aprovação de legislação que reconheça a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

O tema do reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo, objeto desse breve artigo, está sendo, há tempos, discutido no cenário jurídico nacional e internacional.

No plano internacional, segundo Fábio de Oliveira Vargas, no artigo A proteção da união homossexual no direito internacional, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, com os mesmos moldes e efeitos que o casamento entre heterossexuais, já vem sendo permitido, por exemplo, na Holanda, Bélgica e Espanha, cabendo o registro de que, em sua maioria, é exigida a nacionalidade do país para um ou mesmo ambos os consortes.
No que toca as uniões civis entre homossexuais, que no Brasil seria semelhante ao que consideramos união estável, ou mesmo o reconhecimento das sociedades de fato (convivência more uxorio), essas são permitidas em vários países, embora com diversas conseqüências jurídicas.

No plano interno, por sua vez, devem ser citadas, em especial, as decisões do Conselho Nacional de Imigração, que concede visto temporário e permanente a casais homossexuais, e a do TSE, que declarou inelegível uma candidata que mantinha relacionamento estável com a prefeita de uma cidade do Pará.
No mesmo sentido, o INSS já aceita que parceiros do mesmo sexo sejam inscritos como dependentes de seus segurados.

Os tribunais do país se dividem no reconhecimento, ou não, da união homossexual.
Prova disso se deu no Recuso Especial 820.475-RJ, conforme noticia o Informativo 366 do Superior Tribunal de Justiça:

Em renovação de julgamento, após voto de desempate do Min. Luís Felipe Salomão, a Turma, por maioria, afastou o impedimento jurídico ao admitir a possibilidade jurídica do pedido de reconhecimento de união estável entre homossexuais.
Assim, o mérito do pedido deverá ser analisado pela primeira instância, que irá prosseguir no julgamento anteriormente extinto sem julgamento de mérito, diante do entendimento da impossibilidade do pedido.
Os Ministros Antônio de Pádua Ribeiro e Massami Uyeda votaram a favor da possibilidade jurídica do pedido por entender que a legislação brasileira não traz nenhuma proibição ao reconhecimento de união estável entre as pessoas do mesmo sexo.
Já os Ministros Fernando Gonçalves e Aldir Passarinho Junior não reconheciam a possibilidade do pedido por entender que a CF/1988 e o CC só consideram união estável a relação entre homem e mulher com objetivo de formar entidade familiar.
REsp 820.475-RJ, Rel. originário Min. Antônio de Pádua Ribeiro, Rel. para acórdão Min. Luís Felipe Salomão, julgado em 2/9/2008.

No Supremo Tribunal Federal (STF), a seu turno, pende julgamento das ADPFs (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 132 e 178, aquela proposta pelo Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em 27/02/2008, e essa proposta pela então Procuradora-Geral da República, Deborah Duprat, em 02/07/2009. O objetivo da ADPF 178, nos termos de notícia publicada no site do STF, é

(...) levar a Suprema Corte brasileira a declarar que é obrigatório o reconhecimento, no Brasil, da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, desde que atendidos os requisitos exigidos para a constituição da união estável entre homem e mulher.
Pede, também, que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis sejam estendidos aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.

(...)Na ação, a PGR sustenta que a união entre pessoas do mesmo sexo "é, hoje, uma realidade fática inegável, no mundo e no Brasil".
E lembra que, em sintonia com essa realidade, muitos países vêm estabelecendo formas diversas de reconhecimento e proteção dessas relações.

"A premissa destas iniciativas é a idéia de que os homossexuais devem ser tratados com o mesmo respeito e consideração que os demais cidadãos e que a recusa estatal ao reconhecimento das suas uniões implica não só privá-los de uma série de direitos importantíssimos de conteúdo patrimonial e extrapatrimonial, como também importa em menosprezo da sua própria identidade e dignidade", sustenta a procuradora-geral.

Ela defende a tese de que "se deve extrair diretamente da Constituição de 88, notadamente dos princípios da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, inciso III), da igualdade (artigo 5º, caput), da vedação de discriminações odiosas (artigo 3º, inciso IV), da liberdade (artigo 5º, caput) e da proteção à segurança jurídica, a obrigatoriedade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar".

[http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=110522&tip=UN]

Quanto à ADPF 132, também noticiou o STF trechos do parecer emitido pela aludida procuradora-geral:

No parecer, Deborah Duprat afirma que "as religiões que se opõem à legalização da união entre pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de não abençoarem estes laços afetivos", mas que o Estado "não pode basear-se no discurso religioso para o exercício do seu poder temporal, sob pena de grave afronta à Constituição".

Ela rechaça argumentos que classificam a homossexualidade como um "desvio que deve ser evitado" e afirma que esse tipo de discurso "é francamente incompatível com o princípio da isonomia e parte de uma pré-compreensão preconceituosa e intolerante, que não encontra qualquer fundamento na Constituição de 88".

Ainda segundo Duprat, "o reconhecimento jurídico da união entre pessoas do mesmo sexo não enfraquece a família, mas antes a fortalece, ao proporcionar às relações estáveis afetivas mantidas por homossexuais - que são autênticas famílias, do ponto de vista ontológico - a tutela legal de que são merecedoras".

[http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=110623&tip=UN]

Sob o ponto de vista legislativo, impende destacar o disposto na Constituição da República de 1988, no art. 226, §3º - "Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento" -, bem como o que consta no caput do art. 1.723 do Código Civil de 2002 ( Lei nº 10.406/02) - "É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família". No que concerne ao casamento, o mesmo Código Civil traz, no art. 1.514, que "O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados."

Cabe-nos, ainda, citar o Projeto de Lei nº 674, de 2007, que tem por objetivo regulamentar o já citado art. 226, §3º, da CRFB/88, de autoria do Deputado Cândido Vaccarezza, e visa reunir, numa só proposição, vários outros projetos com o mesmo assunto.
Por isso, tem como apenso o Projeto de Lei nº 2.285/2007, de autoria do Deputado Sérgio Barradas Carneiro, que dispõe sobre o Estatuto das Famílias.
E aludido Estatuto tem, no art. 68, a seguinte redação:

É reconhecida como entidade familiar a união entre duas pessoas de mesmo sexo, que mantenham convivência pública, contínua, duradoura, com objetivo de constituição de família, aplicando-se, no que couber, as regras concernentes à união estável.

Parágrafo único. Dentre os direitos assegurados, incluem-se:

I - guarda e convivência com os filhos;

II - a adoção de filhos;

III - direito previdenciário;

IV - direito à herança.

Por sua vez, a Bíblia Sagrada assim trata a homossexualidade:

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.

Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;

Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente.
Amém.

Por isso Deus os abandonou às paixões infames.
Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.

E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;

Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;

Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;

Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;

Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

(ARC, Romanos 1.18-32)

e Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.

(ARC, 1 Coríntios 6.10)

Feitos esses destaques, ao contrário do que pensa a Dra. Deborah Duprat, a discordância da união civil entre pessoas do mesmo sexo não é uma questão puramente religiosa.

De fato, como cristãos e concordes com a Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e prática, abominamos o pecado da homossexualidade, assim como, por exemplo, os da corrupção e mentira; contudo, em Cristo, amamos aqueles que os praticam.
Discordamos das práticas, mas amamos os praticantes.

Mas, além disso, temos que considerar que a Constituição da República, quando trata da união estável, deixa clara a necessidade da diversidade de sexo entre os contraentes.
Os princípios constitucionais alegados para o deferimento da união homossexual (entre outros, dignidade da pessoa humana e igualdade) não podem fazer eliminar os requisitos constitucionalmente declinados para um instituto. Se assim fosse, teríamos a ocorrência de inconstitucionalidade originária, o que é descabido dada a unidade da Constituição, conforme interpretação corrente da doutrina e do próprio STF.

Assim, somos, para o momento, pela impossibilidade jurídica do reconhecimento de união civil homossexual, quadro que pode ser alterado apenas através de emenda ao texto constitucional.

Por fim, anotamos que a concessão de direitos ao casamento ou união estável para os homossexuais, por conta da liberdade e satisfação que querem alcançar, não deve prosperar.
Do contrário, nos próximos anos deveremos também permitir o casamento de um homem com uma pomba, ou de uma mulher com um rato, tudo em perfeita consideração à liberdade.
Freemos na concessão de tais "direitos", sob pena de, amanhã, instaurar-se a cultura social da liberdade desregrada.
A
ntonio Carlos da Rosa Silva Juniortem 26 anos, é casado e pai de uma bebê.
Bacharel em Direito e Bacharelando em Ciências Humanas pela UFJF, Especialista em Ciências Penais, Pós-graduando em Direito e Relações Familiares e Professor-convidado de Direito e Religião na FATEB/JF

2 de ago. de 2010

Aprendamos com as últimas palavras de Jesus na Cruz!

Se você estivesse prestes a morrer, o que você falaria para os seus ente queridos, para as pessoas que estivessem à sua volta?
Certamente não seriam palavras jogadas ao vento, seriam palavras cuidadosamente escolhidas.
Quem tem a oportunidade de presenciar os últimos momentos de vida de uma pessoa, inclusive de alguém que está agonizando antes de morrer, fica atento e impressionado pelas últimas palavras de tal pessoa.

As últimas palavras de Jesus antes de sua morte estão carregadas de poder e significado, inclusive aquelas ditas na cruz.
A Bíblia nos mostra 7 verdades que podemos aprender a partir das palavras ditas por Jesus na cruz.

I.) Jesus nos ensina que mesmo diante da maior injustiça, o perdão ainda é a arma mais poderosa – Lc 23.34
Jesus estava sendo injustamente perseguido e crucificado pelos homens.
Havia sido injustamente condenado à morte, e ainda assim preferiu perdoar!
É necessário muito mais força para perdoar do que para se vingar!
Se vingar é relativamente fácil, basta seguir os instintos carnais.
O difícil é abafar a vontade da nossa carne e fazer a vontade de Deus.
O perdão envergonha os inimigos (Rm 12.20) e nos livra de prejudicarmos a nós mesmos
(Mt 18.32-35).
Você tem decidido perdoar os que lhe prejudicam, mesmo diante da maior injustiça?

II.) Jesus nos ensina que Ele está sempre pronto para salvar, seja quem for, seja quando for, desde que haja arrependimento genuíno
– Lc 23.43
Seja quem for, até mesmo um ladrão;
seja quando for, até mesmo no último momento da existência.
Notar que para que haja salvação de quem for ou quando for é necessário que haja verdadeiro arrependimento.
Vejamos alguns aspectos pelos quais podemos perceber que houve verdadeiro arrependimento na vida daquele ladrão:
(1) Ele repreendeu a seu companheiro de crimes
v. 40;
(2) Ele confessou o seu próprio pecado
v. 41;
(3) Ele declarou que Cristo não havia pecado
v. 41;
(4) Ele demonstrou maravilhosa fé
v. 42;
(5) Ele confessou a Cristo, chamando-o Senhor
v. 42;
(6) Ele Fez uma oração modelo
v. 42.
Seja você quem for, tenha feito o que seja, Jesus está pronto a lhe salvar.
Basta se arrepender genuinamente!

III.) Jesus nos ensina a cuidar de nossos progenitores até o limite máximo de nossas forças
Jo 19.26,27
Jesus se preocupou com o bem estar de sua mãe quando Ele estava morrendo.
José, ao que tudo indica, já havia morrido e “Os irmãos de Jesus até este momento ainda não lhe eram simpáticos, e então ele não podia lhes confiar este cuidado nesta hora triste; talvez nem estivessem em Jerusalém na ocasião” (Bruce).
Os irmãos de Jesus que não acreditavam nEle (Jo 7.5), posteriormente mudaram de atitude (At 1.14), possivelmente em função do aparecimento de Jesus ressuscitado a seu irmão Tiago (1 Co 15.7).
Jesus nos ensina aqui a cumprir o quinto mandamento
Ex 20.12.
Cuidar de um ente querido necessitado, muitas vezes é o ministério específico que Deus nos dá durante um determinado período de tempo!
Como tem sido o seu cuidado com os seus progenitores?
Você tem cumprido
Ex 20.12?

IV.) Jesus nos ensina que todos nós estamos sujeitos a enfrentar momentos em que Deus parece ausente
Mt 27.46; Mc 15.34
Obviamente Deus está sempre presente, até porque Ele é onipresente, mas há momentos em nossas vidas em que Ele parece ausente
ver Sl 10.1; 13.1; 89.46; Is 64.7; Jr 14.8.
Todos nós estamos sujeitos a enfrentar momentos em que Deus “parece” ausente.
Nem o próprio Jesus pareceu escapar de um momento como este.
O que fazer em momentos como esse?
“O que fazer quando Deus parece ausente”.
Você está passando por um momento em que Deus parece ausente?
Até mesmo Jesus passou por um momento assim.
Anime-se, esse momento vai passar!

V.) Jesus nos ensina que Ele não usou de suas prerrogativas divinas para morrer em nosso lugar e nos prover a salvação
Jo 19.28
Este texto, entre muitos outros, demonstra a plena humanidade de Jesus.
Alguns podem dizer que para Jesus foi fácil vencer a tentação, enfrentar o sofrimento e morrer em nosso lugar, porque afinal de contas Ele era Deus.
Todavia, Jesus venceu a tentação como homem, enfrentou o sofrimento e a morte como homem.
Na tentação no deserto, as assertivas de Satanás, entre outros propósitos, provavelmente instigavam Jesus a vencer a tentação como Deus, procurando assim desqualificar a Sua vitória (Mt 4.3, 6).
Se Jesus tivesse usado de suas prerrogativas divinas em algumas situações, possivelmente isso tiraria a eficácia de sua obra
(ver Mt 26.53,54).
O fato de Jesus ter enfrentado tudo o que nós mesmos enfrentamos, bem como ter morrido em nosso lugar como homem, mostra nada mais nada menos o Seu grande amor por nós, pois Ele sendo Deus, se fez homem, Ele se identificou com a nossa condição!

VI.) Jesus nos ensina que devemos viver de tal forma que cumpramos todos os propósitos de Deus para as nossas vidas
Jo 19.30
Jesus sabia qual era o propósito de Deus para a sua vida e cumpriu tudo aquilo que o Pai o havia comissionado a realizar!
Você já descobriu qual é o propósito de Deus para a sua vida?
Como descobrir o propósito?
Uma boa pista é olhar ao seu redor e procurar ver e entender as circunstâncias que o cercam. Cada um de nós está inserido em um contexto.
Deus tem um propósito específico para cada um dos seus escolhidos.
Vide José, Moisés, Josué, Davi, Neemias, Jesus, Pedro, Paulo (At 20.24), etc.
Estes personagens ao olharem para as circunstâncias ao seu redor e ao discernirem a direção de Deus entenderam qual era o propósito de Deus para as suas vidas.
Poderiam desobedecer, mas obedeceram.
Puderam no final de suas vidas dizer como Paulo em 2 Tm 4.7.
Para descobrir o propósito de Deus para sua vida procure perceber em que época você nasceu, em que lugar (cidade, país), em que família, em que igreja Deus o colocou, quais pessoas te cercam, quais grupos te tocam, te sensibilizam, etc.
Procure também estar em sintonia com Deus, mediante a oração e a comunhão com a Palavra de Deus. O Altíssimo te revelará!
Muitas vezes o cumprimento do propósito de Deus estará acompanhado de sofrimento
(Vide novamente as vidas de todos os que foram citados acima).
Ver Mt 10.16-25.
Esta é a razão porque muitos morrem por pregarem o evangelho em pleno século XXI.
Jesus morreu pela causa do evangelho.
Muitos discípulos morrerão também.
Não estão acima do Mestre.
Basta ao discípulo ser igual ao seu Mestre!
Você já descobriu qual é o propósito de Deus para a sua vida?
Você tem procurado colocá-lo em prática?

VII.) Jesus nos ensina que devemos manter confiança, voluntariedade e comunhão com o Pai até o último suspiro de nossas vidas
Lc 23.46
As últimas palavras de Jesus são uma bela expressão de confiança.
Até o último momento das nossas vidas devemos também mantermos nossa confiança em Deus
(não tirar os nossos olhos do Senhor, não desviar nossos olhos para outro lugar)
para também lhe entregarmos nosso espírito
ver At 7.59; 2 Tm 1.12.

“Entrego” indica a natureza voluntária do seu sacrifício.
Jesus se deu de forma voluntária.
Ninguém tirou a sua vida.
Ele voluntariamente a deu (Jo 10.17,18).
Quando oferecemos a Deus um “sacrifício”
(oferta em dinheiro, liderar um ministério na igreja, ajudar em alguma área da igreja, ajudar alguém necessitado, cuidar de um idoso, de uma criança, servir alguém em nosso trabalho), temos feito de forma voluntária como Cristo fez ou tem sido um peso para nós?
Devemos fazer tudo de forma voluntária.

Na morte, Jesus estava em comunhão com o Pai.
O que Jesus nos ensina aqui, de certa forma é paradoxal à citação em Mt 27.46, mas é a mais pura verdade!
Devemos buscar comunhão com Deus, mesmo quando não sentimos a sua presença.
O justo viverá da fé e não por sentimentos, emoções ou circunstâncias!
Aqui Jesus faz uma citação do Salmo 31.5, o que mostra como as Escrituras enchiam a mente de Jesus
(Ele já havia citado o Salmo 22.1 momentos antes), o que mostra também a comunhão de Jesus com o Pai!
Temos tido comunhão com o Pai?
Devemos mantê-la até o último suspiro de nossas vidas!

Aprendendo com Alguns Pais da Bíblia

Chegamos ao mês de Agosto, e como é costume neste mês, comemoramos o Dia dos Pais.
É um momento especial onde nos reunimos como família para almoçar juntos e presentear os pais. Todavia, gostaria de deixar esta mensagem aos pais no sentido de que pudéssemos refletir sobre o que Deus espera de nós como pais.
Pensei em alguns pais cujas histórias estão relatadas na Bíblia, histórias das quais podemos tirar lições para nossa responsabilidade paterna atual.
Quero começar com Abraão.
Certamente Abraão foi uma influência muito positiva na vida de seu filho Isaque.
Ensinou-o a temer a Deus e também lhe ensinou preciosas lições sobre a fé.
Todavia, uma coisa que me chama muito a atenção em relação à vida de Abraão e que terminou sendo uma influência negativa da vida de seu filho, foi o fato de por duas vezes Abraão ter mentido, dizendo ser Sara sua irmã, quando na verdade era sua esposa (Gn 12.10-20; 20.1-18).
Embora possivelmente Isaque ainda não fosse nascido quando Abraão mentiu quanto à sua esposa Sara, esta atitude de Abraão foi uma influência negativa da vida de seu filho.
Isaque deve ter ficado sabendo deste comportamento de seu pai, pois anos depois, submetido a uma situação de pressão, Isaque imitou seu pai cometendo o mesmo erro, ou seja, mentindo sobre o fato de Rebeca ser sua esposa (Gn 26.6-11).
Através deste exemplo podemos ver como os filhos imitam os pais em suas ações, tanto positivas como negativas.
Outro pai interessante foi o patriarca Jacó.
Teve doze filhos, e seu erro, que lhe custou muita dor, foi o fato de dar preferência a um de seus filhos, no caso José, em detrimento dos outros.
Por causa desta preferência de Jacó em relação a José, os irmãos de José, tomados de ciúmes, o venderam como escravo ao Egito, e simularam sua morte para o pai Jacó que por muitos anos sofreu a perda do filho, achando que este estivesse morto (Gn 37.2-35).
Esta história é uma lição para nós hoje.
Nós pais, devemos evitar a parcialidade paterna, ou seja, devemos amar a cada um de nossos filhos da mesma maneira, evitando dar preferência para um em detrimento de outro, sob pena de sofrermos muitas dores no futuro.
O exemplo de Josué como pai, é o exemplo do líder do lar que está decidido a levar sua família a servir ao Senhor.
Em seu discurso buscando levar o povo a renovar sua Aliança com Deus, Josué disse:
“… escolhei hoje, a quem sirvais
… Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).
Infelizmente, temos visto hoje muitos pais que não estão nem um pouco interessados em conduzirem suas famílias de forma firme no sentido de servirem ao Senhor.
Esta atitude certamente trará tristes resultados no futuro.
Como precisamos de homens com a atitude de Josué em nossos dias!
Samuel, também nos traz uma história a ser considerada.
Quando criança, Samuel foi usado por Deus para repreender o sacerdote Eli quanto à maneira errada que ele criara seus filhos e quanto ao fato de como Eli era negligente em relação aos pecados de seus filhos (1 Sm 3.1-18).
Todavia, embora Samuel tenha sido um grande profeta, sacerdote e juiz em Israel, Samuel caiu no mesmo erro que o Senhor lhe tinha usado para repreender o sacerdote Eli, ou seja, falha na criação de seus filhos (veja 1 Sm 8.1-3).
Que como pais, tomemos este exemplo e não venhamos a falhar na criação de nossos filhos para evitarmos dores futuras.
Devemos criar nossos filhos na disciplina e admoestação do Senhor (Ef 6.4).
Permita-me agora falar sobre Jó, um pai exemplar, um pai sacerdote.
Jó é o exemplo de um pai intercessor, que sempre se preocupava com o bem estar espiritual de seus filhos diante de Deus, um pai que orava e clamava por seus filhos.
O texto bíblico nos diz:
“… chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles … Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1.5).
Que à semelhança de Jó, nós como pais possamos ser intercessores de nossos filhos e verdadeiros sacerdotes de nossos lares!
Quero encerrar esta reflexão, lembrando de um pai que representa o próprio Deus, que deve ser nossa inspiração máxima com pai.
O pai do filho pródigo, da memorável parábola contada por Jesus, é o exemplo de um pai amoroso, gracioso e perdoador (Lc 15.11-24).
Apesar de seu filho tê-lo desprezado, pedindo sua parte na herança antes de seu falecimento, e tê-lo abandonado, gastando todo o seu dinheiro de forma dissoluta, o pai esteve de braços abertos para recebê-lo de volta e perdoá-lo quando o filho voltou arrependido.
Esta história ilustra o amor de Deus para conosco, que está sempre pronto anos receber de volta, mesmo depois de nossos desvios.
Que como pais, procuremos imitar o pai do filho pródigo, ou seja, imitar o próprio Deus:
que sempre estejamos de braços abertos para acolher nossos filhos e ampará-los em seus momentos de necessidade, de vergonha, de dor e até mesmo de desvio.
Que o Senhor Deus nos ajude a sermos pais segundo o seu coração.

Feliz Dia dos Pais e que Deus nos abençoe!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra.

Você sabe distinguir um verdadeiro profeta de um falso profeta?

Vivemos dias em que tantas igrejas se proliferam (inclusive através da mídia).
Como saber quais são sérias?
Como saber quais pastores, quais profetas são homens de Deus e quais estão querendo tirar proveito dos incautos?
Vejamos o que Jesus disse:
Mt 7.15-20; 24.11; Mc 13.22; o que Paulo disse:
1 Tm 1.7; 4.2; 6.3; 2 Tm 4.3; Tt 1.11;
o que Pedro disse:
2 Pe 2.1.

Deus, em sua Palavra, sempre teve a preocupação de nos prevenir contra os falsos profetas.
O texto nos mostra alguns critérios pelos quais se pode distinguir um verdadeiro profeta.

I.) O verdadeiro profeta não precisa necessariamente estar falando o que todos estão falando
v. 4-6, 9-11.
Nem precisa necessariamente estar fazendo o que a maioria está fazendo ver Mt 7.22,23.
Talvez possamos dizer que geralmente o verdadeiro profeta é aquele que não diz o que a maioria diz, que não faz coro com a maioria.
Profetas bíblicos geralmente não foram reconhecidos em seus dias como profetas verdadeiros.
Em alguns casos, somente dezenas de anos mais tarde é que se reconheceu que determinados profetas eram verdadeiros.

II.) O verdadeiro profeta não tem como objetivo agradar aos homens, sejam eles quem forem
v. 7,8
Sejam eles quem forem reis, líderes, autoridades, bons colaboradores, etc
(Ex. Jesus com Jovem rico).
O objetivo do verdadeiro profeta é agradar a Deus e não aos homens
ver Gl 1.10; 1 Ts 2.4.
Existem pessoas (como o rei Acabe) que só querem ouvir o que lhes agrada, e quando não ouvem aborrecem aqueles que lhes falam as verdades de Deus (v. 7).
Você não é como o rei Acabe, é?

III.) O verdadeiro profeta não se deixa intimidar por pressões humanas de qualquer espécie
v. 12-15
No v. 14, Micaías estava certamente sendo irônico.
Ver v.15
Pedro e João perante o sinédrio
At 4.18-20.

IV.) O verdadeiro profeta é aquele que transmite apenas aquilo e tudo aquilo que Deus revelar
v. 16-22
O verdadeiro profeta não inventa nada e nem omite nada.
Cuidado quando disser:
“Deus me disse, Deus me revelou”.
E se Ele disse, vigiemos para não acrescentar nada e nem omitir nada
ver Ap 22.18,19.

V.) O verdadeiro profeta muitas vezes sofre agressões e perseguição
v. 23-26
Jeremias foi preso várias vezes e colocado em um poço
(Jr 38.6).
João Batista (Mt 14.3,4,10,11) e Paulo foram presos e degolados.
E o que dizer de Jesus?
Alguém quer ser profeta de Deus?
Ver Tg 3.1.

VI.) O verdadeiro profeta é aquele cuja palavra se cumpre
v. 27-34
A profecia de Jeremias sobre o falso profeta Hananias
ver Jr 28.15-17
Ver Dt 18.21,22.

É tempo de tomarmos muito cuidado com os falsos profetas e mestres
ver Fl 3.2
Ler e aplicar a exortação de Jeú (um verdadeiro profeta, ao rei Josafá)
2 Cr 19.1-3.
Que nós jamais ajudemos ao perverso e nem amemos ou sejamos amigos daqueles que aborrecem e são inimigos do Senhor!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra

JEREMIAS

Perguntas mais Frequentes sobre o Profeta Jeremias

Onde nasceu o profeta Jeremias?
O que significa o nome Jeremias?
O que sabemos da infância e da formação de Jeremias?
Qual foi a influência do profeta Oséias sobre Jeremias?
Onde Jeremias começou a profetizar ?
Durante quanto tempo Jeremias atuou como profeta ?
Que tipo de texto há no livro de Jeremias?
Então, nem tudo que está no livro vem do profeta Jeremias?
O que fez Jeremias no tempo de Josias?
Que texto exemplifica bem a sua pregação neste período?
Jeremias responsabiliza alguém pela infidelidade ao javismo?
O que pensava Jeremias da reforma de Josias?
O que fez Jeremias no tempo do rei Joaquim?
O que fez Jeremias em sua 1a intervenção na época de Joaquim?
O que acontece com Jeremias?
O que disse Jeremias sobre o governo de Joaquim?
O que mais ameaça Judá neste momento?
Mas o que motiva tão cruel castigo de Judá?
Por que Jeremias foi proibido de entrar no Templo?
Sem poder ir até o povo, o que faz Jeremias?
O que fez Joaquim ao tomar conhecimento do manuscrito?
Todos os profetas da época pensavam como Jeremias?
Qual o significado das "confissões" de Jeremias?
O que diz Jeremias em cada uma das cinco "confissões"?
E o que aconteceu com o rei Joaquim?
O que fez Jeremias neste 30 período, sob o governo de Sedecias?
Jeremias escreveu uma carta aos exilados?
O que pensa Jeremias de uma rebelião contra a Babilônia?
O que disse Jeremias a Sedecias quando Jerusalém foi sitiada?
Por que Jeremias é preso nesta época?
Mas há alguma mensagem de esperança em Jeremias?
O que diz Jr 31,31-34?
E o 40 período da atuação de Jeremias?
E como Jeremias terminou seus dias?
Como faço para saber mais sobre Jeremias?
Onde nasceu o profeta Jeremias?

Jeremias nasceu no povoado de Anatot, pertinho de Jerusalém, entre 650 e 640 a.C. Era filho do sacerdote Helcias, da casa de Eli. Talvez descendesse de Abiatar, chefe dos levitas em Jerusalém na época do rei Davi, e que foi desterrado para Anatot por Salomão, segundo 1Rs 2,26-27.

O que significa o nome Jeremias?

O significado do nome é incerto. Há duas possibilidades. Yirmeyâhû quer dizer "Iahweh exalta", "Iahweh é sublime" ou "Iahweh abre (=faz nascer)". Este nome era bastante comum nos tempos bíblicos. São conhecidos pelo menos sete personagens, mais ou menos importantes, com este nome.

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O que sabemos da infância e da formação de Jeremias?

Quase nada. Parece que ele jamais assumiu qualquer função sacerdotal.
Pelo contrário, denunciou duramente o papel exercido pelos sacerdotes de seu tempo.
O que, por outro lado, aponta para sua rigorosa visão levítica, e possível formação, de como deveria agir um sacerdote.
Consta, nesta linha, que o rei Josias (640-609 a.C.) proibira o exercício do ofício aos sacerdotes não provenientes de Jerusalém, segundo 2Rs 23,8-9.

Qual foi a influência do profeta Oséias sobre Jeremias?

Não existe nenhuma dúvida acerca da influência de Oséias sobre o pensamento de Jeremias.
Além dos fatores geográficos Anatot pertence à tribo de Benjamin e familiares Jeremias descendia, talvez, de Eli, sacerdote de Silo é possível que a educação de Jeremias tenha incluído os ensinamentos de Oséias.

Entendo que Oséias e Jeremias foram os dois profetas mais radicais de todo o Israel, pois foram os que mais perto chegaram de uma compreensão profunda das causas da opressão que o povo de Israel vivia naquele tempo.
Ambos entendem, por exemplo, que onde o javismo caducou ou se oficializou e foi, por isso, neutralizado por práticas institucionais do aparelho estatal, a corrupção, a opressão e o despotismo generalizado dominaram. O processo (rîbh) que fazem a Israel por não "conhecer a Deus" é sintomático, como em Os 4,1-3 e Jr 2,8;4,22 e a interessantíssima crítica ao rei Joaquim (609-598 a.C.) em Jr 22,13-19.

Onde Jeremias começou a profetizar ?

É possível que Jeremias tenha começado a profetizar em Anatot.
Mas foi perseguido, quiseram matá-lo em sua própria terra, segundo Jr 11,18-12,6.
Não conhecemos o motivo desse complô armado contra Jeremias por seus conterrâneos (Jr 11,21) e até por seus familiares (Jr 12,6).
Talvez por ter apoiado a reforma do rei Josias, que destruiu os santuários regionais e centralizou as atividades cultuais em Jerusalém, ele tenha prejudicado os interesses de sua família de sacerdotes.
Ou, quem sabe, o duro teor de sua crítica social e religiosa tenha provocado tão violenta reação.
Durante toda a sua vida Jeremias irá incomodar muita gente, que tentará, a qualquer custo, calar a sua boca.

Durante quanto tempo Jeremias atuou como profeta ?

Jeremias atuou cerca de 50 anos, de 627 a ca. 580 a.C., sob os governos de Josias (629-609 a.C.), Joaquim (609-598 a.C.), Sedecias (597-586 a.C.) e Godolias/exílio (586/ca.580 a.C.).
Por isso, costumamos dividir, didaticamente, sua atuação segundo estes quatro períodos.

Que tipo de texto há no livro de Jeremias?

Há quatro tipos de textos no livro de Jeremias:

Oráculos em forma de poesia, como Jr 4,5-6,30

Relatos autobiográficos, como Jr 1,4-19

Relatos biográficos, como Jr 26, 1-24

Discursos em prosa, como Jr 7,1-8.

Como se convencionou unir em um só os dois primeiros tipos, quase totalmente em forma poética, costuma-se classificar os textos de Jeremias em três tipos:

Palavras de Jeremias em verso e relatos autobiográficos em verso e prosa

Relatos biográficos, na 3a pessoa, sobre Jeremias, atribuídos por muitos a Baruc, seu secretário
Discursos em prosa, em número de 10, de autoria incerta, mas que muitos atribuem aos mesmos autores de Josué, Juízes, 1e 2 Samuel e 1 e 2 Reis, a chamada Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr), possivelmente composta por levitas.

Então, nem tudo que está no livro vem do profeta Jeremias?

Não.
O livro de Jeremias passou por um longo e complicado processo de formação.
Oráculos (= palavras proféticas) isolados foram sendo reunidos ao longo dos anos, de modo que temos hoje uma antologia da pregação de Jeremias e não um livro no sentido moderno.
Ou melhor:
temos uma antologia de antologias, em um processo que começou ainda durante a vida de Jeremias e prosseguiu ao longo da época pós-exílica.

A versão grega da Bíblia chamada Setenta ou Septuaginta (= LXX) tem um texto de Jeremias bem mais curto do que o texto massorético (= TM), o nosso texto hebraico, além de colocar vários oráculos noutra ordem.
Isso é explicado, em geral, com a existência de dois textos independentes de Jeremias:
um mais antigo e mais curto, que se perdeu, e que serviu de base para a tradução dos LXX; outro, mais recente, que recolheu vários acréscimos, e que nos foi transmitido pelos massoretas (= os rabinos "transmissores" do texto hebraico).

O que fez Jeremias no tempo de Josias?

No tempo de Josias, 10 período de sua atuação, Jeremias proclamou um julgamento contra Israel por causa de sua infidelidade a Iahweh e sua adesão a outros deuses, especialmente os deuses que garantiam a fertilidade da natureza, os chamados baalim.

Os comentaristas reconhecem como sendo deste período Jr 2,1-4,4 e Jr 30,1-31,37, todos textos de tipo A.

Que texto exemplifica bem a sua pregação neste período?

Jr 2,1-37.
É um texto escrito em um gênero literário muito usado pelos profetas, o rîbh (= processo). Funciona assim:
parte-se do pressuposto de uma aliança entre as duas partes em questão, Iahweh e Israel.
Iahweh abre, então, através do profeta, um processo contra Israel, motivado por sua quebra do pacto.
Como parte ofendida, Iahweh convoca a natureza como testemunha, questiona o comportamento de Israel, relembra os benefícios passados e ameaça com uma punição.

Neste texto, rico em imagens, à moda de Oséias, Jeremias relembra com nostalgia a fidelidade dos primeiros tempos e a contrapõe à infidelidade atual, pois Israel trocou Iahweh pelos ídolos que nada valem e não podem socorrê-lo na hora do aperto.

Jeremias responsabiliza alguém pela infidelidade ao javismo?

Sim.
Em Jr 2,1-4,4 Jeremias responsabiliza quatro tipos de autoridades pela idolatria e pela desgraça em que caiu o país:
são os reis, os príncipes, os sacerdotes e os profetas.
A volta ao javismo é possível se Israel resolver praticar a verdade ('emeth), o direito (mishpât) e a justiça (sedhâqâh), segundo Jr 4,2.

O que pensava Jeremias da reforma de Josias?

Esta é a coisa mais estranha desta fase da pregação de Jeremias:
ele não faz nenhuma alusão à reforma social e religiosa empreendida pelo rei Josias naqueles anos (sobre a reforma cf. 2Rs 22,1-23,27).
É possível que, embora visse com muita expectativa a ação do governo, ele tenha se decepcionado com os escassos resultados de um movimento imposto de cima para baixo, pela força das armas. Assim, teria preferido manter prudente silêncio a respeito.

O que fez Jeremias no tempo do rei Joaquim?

Quando Joaquim, de 25 anos de idade, assumiu a mando do faraó do Egito, o governo de Judá em 609 a.C., Jeremias rompeu, de vez, com as instituições do Estado.
Jeremias tornou-se, então, um ferrenho adversário da classe sacerdotal de Jerusalém, já que sob os desmandos do governo de Joaquim a reforma de seu pai Josias se perdeu totalmente, restando um culto superestimado como garantia da nação, conseqüência da centralização de todas as atividades religiosas no Templo de Jerusalém e na mão de seus sacerdotes.
Culto agora usado para mascarar os males sociais e os crimes contra o povo.

O que fez Jeremias em sua 1a intervenção na época de Joaquim?

Um violento discurso contra o Templo, que foi conservado em duas versões:
Jr 7,1-15 (texto tipo C) e Jr 26,1-24 (texto tipo B).
O primeiro destaca o conteúdo, o segundo as circunstâncias do discurso.

Entre setembro de 609 e abril de 608 a.C., talvez durante uma festa, Jeremias coloca-se no pátio do Templo e denuncia a confiança da população judaíta no Templo de Iahweh como falsa e promete a destruição do santuário, tal qual outrora acontecerá com Silo.

A morte de Josias em combate contra o faraó, o curto governo de seu filho Joacaz (3 meses), seu exílio, a dependência do Egito sob Joaquim: tudo isso criara um clima de incerteza e insegurança geral.
O que faz o povo?
Refugia-se na crença de que a presença de Iahweh no Templo garante a cidade e a sua liberdade.

Jeremias denuncia esta crença porque, segundo ele, só a aliança Iahweh-Israel poderia garantir o povo.
Mas esta não funcionava, pois nos tribunais não se praticava o direito, oprimiam-se o estrangeiro residente, o órfão e a viúva, condenava-se o inocente e, além disso, seguiam-se deuses estrangeiros.

O que acontece com Jeremias?

Conta-nos Jr 26,1-24 que Jeremias quase morre por fazer tal denúncia.
Aos olhos do pessoal do Templo, como sacerdotes e profetas, Jeremias cometera duas blasfêmias: falara em nome de Iahweh e falara contra a casa de Iahweh. Perante o tribunal a que é levado, ele, porém, confirma suas palavras e só não morre porque alguém se lembrou do profeta Miquéias, que, um século antes, pregara destino parecido para o Templo e para a cidade e nada sofrera.

O que disse Jeremias sobre o governo de Joaquim?

Denuncia o governo de Joaquim como ganancioso, assassino e violento, segundo Jr 22,13-19, um dos mais duros oráculos proféticos já pronunciados contra um rei.
Jeremias compara Joaquim ao seu pai Josias e denuncia o rei como antijavista, pois não cumpre sua função real de exercer a justiça e o direito e de proteger os mais fracos.

No começo de seu governo, Joaquim preocupa-se em construir um novo palácio ou um anexo ao antigo exatamente no momento em que a crise econômica se agravava.
Dependente do Egito, a quem pagava tributo, colocou a população para trabalhar de graça na construção.
Jeremias vai dizer ao rei que ele, quando morrer, nem merece ser sepultado, mas como um jumento deverá ser jogado para fora das muralhas de Jerusalém, pois, ao contrário de seu pai, Joaquim "não conhece Iahweh".

O que mais ameaça Judá neste momento?

Jr 4,5-6,30 e Jr 8,13-17 falam de um "inimigo que vem do norte".
Embora haja várias possibilidades de identificação desse inimigo, muitos comentaristas pensam que Jeremias está falando de Nabucodonosor, o rei babilônico, que invade regiões da Palestina em 605/604 a.C., trazendo o terror da guerra para as fronteiras de Judá.

Muitos dos versos de Jeremias, nestes poemas, são de uma dramaticidade impressionante, como Jr 5,15-17, sobre a nação que vem de longe para atacar Judá: nação antiga, nação duradoura, cujos homens são heróis.
Nação que devorará os filhos, os animais e todo o alimento de Judá, destruindo pela espada suas fortalezas.
Segundo Jeremias, é Iahweh quem aplicará a Judá tal castigo.

Mas o que motiva tão cruel castigo de Judá?

A ruptura da aliança.
Em Judá, Jeremias só vê rebeldia contra Iahweh, levando o povo a maldades e crimes sem conta. Não há o mínimo "conhecimento de Deus", que só é possível através da prática do direito, da justiça, da solidariedade.
Os poderosos tramam sistematicamente contra o povo, todos buscam desesperadamente a riqueza e não há paz.
A mentira domina, desde o ensinamento dos profetas à lei dos sacerdotes, levando o país ao caos. Todos se tornam inimigos de todos.
Impera a idolatria.
O fim será trágico, segundo os capítulos 8 e 9 de Jeremias.

Percorrendo as ruas de Jerusalém, Jeremias constata a ausência do direito e da verdade entre as pessoas comuns (Jr 5,1), mas maior corrupção encontra entre os grandes e poderosos, que não agem mal por ignorância, senão por determinação consciente e persistente (Jr 5,4-5).
Quanto mais a crise nacional se aprofunda, mais os líderes se recusam a encontrar soluções.
Só procuram satisfazer seus interesses imediatos e deixam o país afundar:
"Eles cuidam da ferida do meu povo superficialmente, dizendo:
Paz!
Paz!', quando não há paz", diz Jr 6,14.

Com extremo realismo válido para todas as épocas em Jr 5,26-28 são descritos os poderosos e suas armadilhas de apanhar o povo e escravizá-lo impunemente.

Por que Jeremias foi proibido de entrar no Templo?

Porque, segundo Jr 19,14-20,6, possivelmente por volta de 605 a.C., quando Nabucodonosor venceu o faraó Necao II e ameaçou Judá, o profeta foi ao pátio do Templo e anunciou a destruição de Jerusalém.
Acabou preso por Fassur, chefe da guarda do Templo, surrado e colocado no tronco por uma noite. Depois disso, foi-lhe proibida, segundo Jr 36,5, a entrada no Templo.

Sem poder ir até o povo, o que faz Jeremias?

Convoca o escriba Baruc e dita-lhe os oráculos de julgamento contra a nação.
Este episódio da primeira escrita do livro, narrado em Jr 36,1-32, aconteceu no quarto ano do governo de Joaquim,em 605 a.C.

No ano seguinte, em dezembro de 604 a.C.
Jeremias manda Baruc ler o livro (= rolo) no Templo. O momento é dramático:
Nabucodonosor atacava, então, a cidade filistéia de Ascalon, vizinha de Judá.
Por isso, talvez, Jeremias, tenha acreditado ter soado a hora da verdade para Judá.
O "inimigo do norte" está às portas.
Ou conversão ou destruição, alerta o profeta.

O que fez Joaquim ao tomar conhecimento do manuscrito?

Queimou-o e mandou prender Jeremias e Baruc, segundo Jr 36, 21-26.
A leitura feita por Baruc no Templo foi ouvida por membros do governo de Joaquim que não apoiavam as suas atitudes. Na esperança de convencer o rei a mudar sua política, levaram o manuscrito até Joaquim, que o ouviu mas não se convenceu.
Jeremias e Baruc, bem escondidos, não foram achados. Após algum tempo, Jeremias, que não é de desistir, manda que Baruc escreva tudo de novo e ainda acrescente ao livro outras palavras, diz Jr 36,27-32.

Todos os profetas da época pensavam como Jeremias?

De modo algum.
Acreditam alguns especialistas que talvez o fato mais desorientador para Jeremias nesta época era a análise errada da situação feita por pessoas que se apresentavam para falar em nome de Iahweh como seus profetas.

Por isso, em Jr 14,13-16 e Jr 23,13-40 podemos ver como Jeremias luta para desmascarar os falsos profetas que, falando em seu próprio interesse, "fortalecem as mãos dos perversos, para que ninguém se converta de sua maldade", que seduzem o povo com suas mentiras e seus enganos, roubando um do outro a palavra de Iahweh.
Jeremias conclui que dos profetas de Jerusalém saiu a impiedade para todo o país.

Qual o significado das "confissões" de Jeremias?

Mais do que "confissões", deveríamos falar aqui de diálogos com Iahweh, lamentos, orações, disputas.
Foi durante este período de sua vida, durante o governo de Joaquim, que Jeremias mais sentiu o peso de sua missão.
Obrigado a ser do contra, a pregar a desgraça para o seu povo, a remar contra a corrente, ameaçado, rejeitado, caluniado, desprezado, ele se lamenta, amaldiçoando até mesmo o dia em que nasceu.

São textos difíceis de ser datados com precisão.
É possível que tenham sido escritos em 605 a.C. como um desabafo, não como oráculos previamente ditos ao povo.
Talvez possam ser lidos como uma síntese das crises vividas pelo profeta desde o começo de sua atividade.

São 5 textos:

1a confissão: Jr 11,18-12,6
2a confissão: Jr 15,10-11.15-21
3a confissão: Jr 17,14-18
4a confissão: Jr 18,18-23
5a confissão: Jr 20,7-10.14-18

O que diz Jeremias em cada uma das cinco "confissões"?

Da primeira "confissão" já falamos na pergunta 5:
seus conterrâneos e familiares tentam matá-lo em Anatot,quando jovem.
Mas Jeremias amplia o problema, questionando porque persiste a prosperidade dos ímpios e a paz dos apóstatas.
Daqueles que vivem falando em Iahweh, mas na verdade estão muito longe dele.
Daqueles que têm uma fachada de piedade, mas não estão, de fato, com Iahweh.
E Jeremias conclui que este é um problema para o qual ele não tem resposta...

Na segunda confissão a questão colocada por Jeremias é:
vale a pena ser profeta?
Jeremias confessa estar vivendo a suprema tentação profética, que é a vontade de se acomodar, de desistir, de aceitar a cooptação, de "ser normal", de passar para o lado daqueles a quem ele critica para sair da solidão a que é obrigado a viver.

Na terceira confissão Jeremias apela a Iahweh contra os seus perseguidores que lhe cobram a realização da palavra de Iahweh por ele pregada e o profeta não sabe mais o que fazer.
Jeremias se sente desacreditado perante seus ouvintes, porque as desgraças prometidas não acontecem.
Vive duramente pressionado.

Na quarta confissão Jeremias denuncia nova trama contra a sua vida.
Seus adversários argumentam que podem tranqüilamente eliminá-lo, já que o sacerdote, o sábio e o profeta (ligado aos interesses da corte) não lhes faltarão.
Com tristeza o profeta constata:
estes que querem eliminá-lo são os mesmos a quem ele tantas vezes defendeu diante de Iahweh...

Na quinta confissão, a mais dramática e a mais conhecida de todas, usando fortes imagens, Jeremias chega ao máximo de sua angústia.
Acredita que Iahweh o enganou:
o seduziu para ser profeta e o dominou, para depois abandoná-lo.
Agora todos querem sua queda, inclusive seus amigos.
Por isso, ele quer parar de ser profeta, mas o problema é que não consegue, pois as palavras de Iahweh queimam-no como fogo.
Fogo que atinge até os ossos.
Então, Jeremias amaldiçoa o dia em que nasceu:
"Maldito o dia em que eu nasci!
(...) Maldito o homem que deu a meu pai a boa nova:
Nasceu-te um filho homem!(...) porque ele não me matou desde o seio materno, para que minha mãe fosse para mim o meu sepulcro e suas entranhas estivessem grávidas para sempre.
Por que saí do seio materno para ver trabalhos e penas e terminar os meus dias na vergonha?".

E o que aconteceu com o rei Joaquim?

Em 600 a.C. Nabucodonosor tentou invadir o Egito e não conseguiu.
Joaquim rebelou-se e morreu em dezembro de 598 a.C., provavelmente assassinado, enquanto os babilônios marchavam para tomar Jerusalém.
Seu filho Joaquin, de 18 anos de idade, o substituiu, mas capitulou 3 meses depois, no dia 16 de março de 597 a.C.
O rei foi deportado para a Babilônia com a corte e a classe dirigente.

No seu lugar, os babilônios deixaram seu tio, outro filho de Josias, de nome Sedecias, então com 21 anos de idade, para dirigir um Judá todo arruinado.
Com várias cidades destruídas e com a economia do país desorganizada, pouco restava ao fraco Sedecias que pudesse ser feito.

O que fez Jeremias neste 30 período, sob o governo de Sedecias?

Jeremias começa criticando as pretensões do novo governo através da visão dos dois cestos de figos de Jr 24,1-10.
Segundo o profeta, os exilados correspondem a figos bons, enquanto o atual governo se parece com figos estragados.
É possível que o novo governo, instalado no poder sob Sedecias, se afirmasse como a solução para o país, já que os "maus", os governantes anteriores, tinham sido exilados, pagando por seus crimes.
Jeremias é de opinião contrária.
Para ele o problema continua.
Nada fora resolvido e a sombra do Templo não garantirá ninguém.

Jeremias escreveu uma carta aos exilados?

Sim.
Ainda nos primeiros anos do governo de Sedecias Jeremias escreveu aos exilados de 597 a.C., segundo Jr 29,1-23.
Ele tenta desfazer as ilusões alimentadas por falsos profetas, durante convulsões sociais acontecidas no império babilônico, de que o exílio estava para acabar.
Segundo Jeremias, os exilados devem aprender a viver tranqüilamente entre os babilônios, pois o exílio será longo.

O que pensa Jeremias de uma rebelião contra a Babilônia?

Em Jr 27,1-22 e Jr 28,1-17 ele se opõe radicalmente a tal aventura incitada em Jerusalém pelos pequenos reinos da Síria-Palestina que se encontravam na mesma situação de Judá.
Colocando um jugo (= haste apoiada no pescoço e ombros para transportar carga) sobre o próprio pescoço, Jeremias simboliza o domínio babilônico a que estavam submetidos (Jr 27,2-3). Confrontando-se com o profeta Hananias, que, ao quebrar o jugo de Jeremias, simbolicamente prega a necessidade da rebelião e a libertação fácil, Jeremias consegue convencer o governo a se manter quieto.

O que disse Jeremias a Sedecias quando Jerusalém foi sitiada?

Quando Jerusalém foi cercada pelas tropas babilônicas em janeiro de 587 a.C., Jeremias disse ao rei Sedecias que a vitória de Nabucodonosor era inevitável, pois Iahweh entregara a cidade nas mãos do inimigo, já que não houve conversão (Jr 34,1-7).

Por que Jeremias é preso nesta época?

Porque, segundo Jr 37,11-16, ele tentou sair da cidade para ir a Anatot tomar posse de um campo que comprara de um primo.
Como o Egito enviara um exército para ajudar Jerusalém, os babilônios tinham levantado temporariamente o cerco da cidade para enfrentá-lo.
É nesta ocasião que Jeremias é acusado por oficiais do exército de passar para o lado dos babilônios, é preso e jogado numa cisterna de captação de água, onde quase morre.

Já segundo Jr 38,1-13, Jeremias é preso, acusado de traição pelos nobres, ministros de Sedecias, porque estaria exortando o povo à rendição.
É provável que temos aqui dois relatos diferentes do mesmo episódio.

Mas há alguma mensagem de esperança em Jeremias?

"Para arrancar e para destruir":
esta foi a principal missão de Jeremias.
Mas também para "construir e para plantar", como diz Jr 1,10.
Na verdade, espalhados pelo livro de Jeremias, encontramos poucos textos que manifestam alguma esperança. Jr 31,31-34, o famoso texto que fala da nova aliança, é um destes.

Em geral, sua autenticidade tem sido contestada.
Argumenta-se, por exemplo, que Jeremias nunca chegou a tais alturas teológicas, porque o texto é perfeito, completo e assim por diante.
Porém, alguns pensam que Jeremias pode ter tido tal idéia no começo de sua pregação e a aplicado ao reino do norte, tendo depois, nestes últimos dias, adaptado a fala a Judá.
Claro que o texto final, redigido em prosa, tem a mão de algum redator posterior, talvez deuteronomista.
Mas isto não é suficiente para negar a paternidade da idéia a Jeremias.

O que diz Jr 31,31-34?

Faz uma contraposição entre a antiga aliança, feita após o êxodo, e a nova aliança, a ser feita no futuro.
Enquanto a antiga aliança precisava de intermediários, a nova não precisará, pois a lei será colocada no íntimo (= coração, seio) do povo de Israel.
Se a antiga aliança foi rompida pelos pais de Israel, a nova não o será jamais, porque haverá perfeita sintonia entre Iahweh e Israel.

O objetivo desta nova aliança:
conhecer Iahweh.
É o repetido tema do conhecimento de Iahweh que aqui volta.
É um tema da maior importância e explica muitas das atitudes e palavras de Jeremias.

Jeremias chegou mais perto do que ninguém da compreensão do verdadeiro problema de Israel de sua época, que era a estrutura tributária do Estado.
Sua rejeição de instituições como o Templo e seu aparelho cultual ou a corte e sua administração é, na verdade, a denúncia dos aparelhos do Estado tributário como antijavistas e perniciosos para o povo.

A proclamação de uma nova aliança, onde o javismo não precisaria de mediações para ser vivido, é a radicalização utópica de sua pregação.
É o sonho de Jeremias.

E o 40 período da atuação de Jeremias?

Após a queda de Jerusalém em 19.07.586 a.C., assistimos ao crepúsculo do profeta.
Deixado livre pelos babilônios, Jeremias escolheu ficar com o governador Godolias, neto de Safã, escriba chefe da reforma de Josias, membro de uma família que sempre apoiara Jeremias em Jerusalém.
Assim, junto ao resto do povo pobre que ficou no país, Jeremias certamente alimenta ainda a esperança de "construir e plantar", como conta o texto que fala de sua vocação em Jr 1,10

E como Jeremias terminou seus dias?

A situação em Judá se complicou rapidamente, quando um príncipe davídico chamado Ismael, que escapara para Amon, voltou e assassinou Godolias, provavelmente em outubro de 586 a.C., segundo Jr 41,1-18.
Os sobreviventes, entre eles Jeremias, fogem para o Egito, temendo uma represália babilônica (Jr 42,1-43,7).

Lá no Egito, em Táfnis, cidade situada a leste do delta do Nilo, o incansável profeta, que já devia ter uns 70 anos de idade, passa a repreender a idolatria que seus conterrâneos ali praticavam, segundo Jr 44,1-30.

Depois disso, nada mais sabemos sobre Jeremias.
Diz a lenda que o profeta de Anatot foi apedrejado e morto por seus conterrâneos, lá no Egito. Esta lenda está no apócrifo Vida dos profetas, um texto escrito por um judeu da Palestina no século I d.C.

Como faço para saber mais sobre Jeremias?

Em primeiro lugar, é recomendável ler todo o livro de Jeremias.