CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA

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CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA - SEDE

28/09/2009

A mulher siro-fenícia e sua grande fé


“E ela disse: 'Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores'.” (Mt 15.27).


Na Fenícia dos tempos neo-testamentários morava uma mulher de origem siro-fenícia com sua filha ainda pequena.
A Bíblia não nos diz o seu nome, nem se era casada, viúva ou mãe-solteira.
Apenas encontramos essa mulher em grande desespero diante do quadro de sua filha estar possuída por espíritos malignos.
Era fácil perceber que eram espíritos malignos que atormentavam a menina, pois não havia um diagnóstico médico preciso.
As atitudes da menina não condiziam com o seu estado normal no dia-a-dia.

Aquela mulher não encontrava alívio na religião da Fenícia, ou da Síria, pois os deuses pagãos não se importavam com esse tipo de sofrimento.
Ela não podia ter paz vendo a menina sendo atormentada e desejava a tranqüilidade, o bem-estar de sua filha mais do que tudo...

Quem sabe, lá na fronteira com Israel, nas regiões de Tiro e Sidom, as famosas cidades da Fenícia, aquela senhora ouvira falar de Jesus de Nazaré, o doce rabi da Galiléia, a quem os judeus chamavam: “Filho de Davi”?
Quem sabe ela ouvira contar as histórias fantásticas das curas que o Senhor já operara em Israel?
da vista restaurada ao homem cego de nascença, que já tinha mais de quarenta anos de idade.
Dos dez leprosos que foram curados, e que apenas um voltou para agradecer, e este era samaritano... Da multiplicação que Jesus fizera dos cinco pães e dois peixinhos para alimentar uma multidão de mais de cinco mil homens, fora as mulheres e as crianças?

Quem sabe, esta mulher ouvira alguém contar como Jesus de Nazaré era uma pessoa tão especial, que se compadecia do sofrimento das pessoas e aliviava o fardo delas? Ouvira dizer que todos traziam os seus enfermos, com todo o tipo de doenças e Ele curava a todos indistintamente.
Como ele havia libertado o endemoninhado gadareno, que andava desnudo pelo cemitério e se feria com pedras, e ninguém conseguia prendê-lo – era mesmo um caso perdido... E como Jesus se encontrou com aquele homem desprezível e o libertou completamente. Os gregos da região de Decápolis, onde morava aquele homem, vieram à beira-mar e encontraram o antigo “louco do cemitério” agora vestido, assentado aos pés de Jesus e em perfeito juízo...

Quem sabe aquela mulher ouvira dizer que os judeus estavam esperando o seu “Messias” ou o “Ungido de Deus”, o “Cristo” e que Jesus de Nazaré se enquadrava no perfil daquele que viria para salvar a nação e implantar o seu Reino na terra?

Os discípulos dele o chamavam de “Filho de Davi”...

Foi então que aquela mulher decidiu procurar Jesus... Ele era a resposta para as suas indagações, o remédio para o seu sofrimento.
Certamente ele era o alívio para a sua dor.
Ela soube que Jesus estava bem perto de sua cidade. Parecia até que ele estava vindo ao seu encontro, e ela não poderia perder essa chance de ouro... O texto sagrado nos diz: “ entrando numa casa, (Jesus) não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se; porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.” (Mc 7.24-25).
Ela decidiu ir ao encontro do Mestre, pois sabia que a solução para o seu problema estava com ele.
Ela precisava apenas de expor-lhe sua dificuldade, e isso faria, custasse o que custasse...

Mateus escreve o seu Evangelho para os judeus e nos conta alguns detalhes:
“E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: 'Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada'.
Mas ele não lhe respondeu palavra.
E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo:
'Despede-a, que vem gritando atrás de nós'.
E ele, respondendo, disse: 'Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel'.
Então chegou ela, e adorou-o, dizendo:

Senhor, socorre-me!'.” (Mt 15.22-25).

Ela havia usado uma expressão dos judeus:

"Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. Foi dessa forma que o cego Bartimeu

fora atendido, e tivera a vista restaurada.
Como “Filho de Davi”, Jesus certamente atenderia aos seus apelos em favor da filha. Vestida como grega, de origem siro-fenícia, com todo o sotaque estrangeiro, ela pôs-se a gritar, num gesto de desespero como o de quem não tem mais para onde ir.
E Jesus não lhe respondeu.
Ele continuou quieto, apesar dos discípulos lhe pedirem que a atendesse ou que fizesse alguma coisa para despedi-la.

“Ele, porém, respondendo, disse:
Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.” (Mt 15.26).
O que você faria com uma resposta destas de Jesus ao seu pedido de ajuda?
Como você se sentiria sendo excluída da mesa das bênçãos do Senhor?
Talvez muitas de nós, mulheres sensíveis e tímidas, nos recolhêssemos de volta para casa pensando que Jesus não era tão bom como diziam... Talvez pensando:
“Todos nos rejeitam, até mesmo Jesus ”.

Aprendemos lições preciosas com essa mulher humilde e corajosa. Ela não desistiu. Ela sabia que pesava sobre os seus ombros o bem-estar da filha. Estava disposta a pagar o preço que fosse para levar sua bênção para casa... “E ela disse: 'Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores'.” (v.27). Jesus não resistiu ao seu coração quebrantado e humilde. O seu amor aguardava que ela reconhecesse que era estrangeira e precisava chegar-se a Jesus não como uma judia, usando expressões dos judeus, mas deveria se abrir como era, gentílica, e apenas expor sua necessidade.
Vale a pena se humilhar diante do Senhor.
Vale a pena confiar em seu amor.

“Então respondeu Jesus, e disse-lhe:
Ó mulher, grande é a tua fé!

Seja isso feito para contigo como tu desejas'.
E desde aquela hora a sua filha ficou sã.” (Mt 15.28).
Não houve em Israel uma mulher que recebesse tal elogio do Senhor.
Ela ficou eternizada por sua fé e humildade.
Que tal também proceder da mesma forma?

“Quem se humilha será exaltado”.

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