CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA

CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA
CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA - SEDE

30 de abr de 2010

ORAÇÃO:

Senhor amado , ajuda-nos a perceber que o Teu amor por nós excede todas as nossas expectativas.
Ajuda-nos a confiar que Tu sempre proverás aquilo de que temos necessidade.
Em nome de Jesus.
Amém.

Armas às quais devemos resistir

Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo...
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”.
(Efésios 6:11)

O texto bíblico nos adverte a respeito da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus para que possamos resistir contra as ciladas do diabo.
Em suas ciladas contra a Igreja do Senhor o inimigo tem duas armas que têm causado grande estrago e transtorno.
Corações têm sido incendiados com o fogo destruidor dessas armas e diversas igrejas têm sido divididas e muitas delas até destruídas.
Vejamos um pouco do que a Bíblia diz a respeito dessas armas a que fazemos menção:
CONTENDAS

Provérbios 6:14 - No seu coração há perversidade; todo o tempo maquina o mal; anda semeando CONTENDAS.
Provérbios 6:19 - testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia CONTENDAS entre irmãos.
Provérbios 10:12 - O ódio excita CONTENDAS, mas o amor cobre todas as transgressões.
Provérbios 15:18 - O homem iracundo suscita CONTENDAS, mas o longânimo apazigua a luta.
Provérbios 16:28 - O homem perverso espalha CONTENDAS, e o difamador separa os maiores amigos.
Provérbios 18:19 - O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas CONTENDAS são ferrolhos de um castelo.
Provérbios 20:3 - Honroso é para o homem o desviar-se de CONTENDAS, mas todo insensato se mete em rixas.
Provérbios 28:25 - O cobiçoso levanta CONTENDAS, mas o que confia no SENHOR prosperará.
Provérbios 29:22- O iracundo levanta CONTENDAS, e o furioso multiplica as transgressões.
Provérbios 30:33 - Porque o bater do leite produz manteiga, e o torcer do nariz produz sangue, e o açular a ira produz CONTENDAS.
Isaías 54:15 - Eis que poderão suscitar CONTENDAS, mas não procederá de mim; quem conspira contra ti cairá diante de ti.
saías 58:4 - Eis que jejuais para CONTENDAS e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto.
Jeremias 15:10 - Ai de mim, minha mãe! Pois me deste à luz homem de rixa e homem de CONTENDAS para toda a terra! Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me emprestaram a mim com usura; todavia, cada um deles me amaldiçoa.
Habacuque 1:3 - Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há CONTENDAS, e o litígio se suscita.
Romanos 13:13 - Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em CONTENDAS e ciúmes;
Tiago 4:1 - De o­nde procedem guerras e CONTENDAS que há entre vós?
De o­nde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?
INTRIGAS

Salmos 21:11 - Se contra ti intentarem o mal e urdirem INTRIGAS, não conseguirão efetuá-los;
Provérbios 24:8 - Ao que cuida em fazer o mal, mestre de INTRIGAS lhe chamarão.
Isaías 32:7 - Também as armas do fraudulento são más; ele maquina INTRIGAS para arruinar os desvalidos, com palavras falsas, ainda quando a causa do pobre é justa.
Daniel 8:23 - Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz catadura e especialista em INTRIGAS.
Daniel 11:21 - Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino, com INTRIGAS.
II Coríntios 12:20 - Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero, e que também vós me acheis diferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas, invejas, iras, porfias, detrações, INTRIGAS, orgulho e tumultos.

A Bíblia fala muito mais a respeito dessas armas e, cremos que não se faz necessário proceder qualquer comentário.
O que queremos destacar é quem são e quais conseqüências resultam para a vida daqueles que utilizam tais armas:

QUEM SÃO

1. Tornam-se perversos (Pv. 6:14, 16:28);
2. Mentirosos (Pv. 6:19);
3. Odiosos / iracundo (Pv.10:12, 29:22);
4. Insensato (Pv. 20:3);
5. Não pertence a Deus (Is. 54:15);
6. Falso espiritual / carnal (Is. 58:4, Tg. 4.1);
7. Mestre de Intrigas (Pv. 24:8);
8. Fraudulento (Is. 32:7);
9. Anti-Cristo (Dn. 8:23, 11:21;
10. Tumultuadores (II Co. 12:20).

CONSEQÜÊNCIAS

1. Não prosperará;
2. Atrai maldição sobre sua vida;
3. Será destruído pelo Senhor.
Por maiores que sejam as tentações do Maligno devemos resistir e não nos assemelharmos a tais pessoas e nos lembrarmos que o Senhor nos chamou para sermos seus discípulos e manifestarmos o seu Amor e sermos Benditos de Deus.
O Senhor nos exortou a vivermos em constante vigilância para não entrarmos em tentação e ao final de nossa carreira sermos chamados de “benditos de meu pai” e recebermos a coroa da justiça.

Pr. Sérgio Roberto Pinheiro Gomes

SÓ UMA COISA TE FALTA

“E Jesus, fitando-o, o amou e disse:
Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me”.
(Marcos 10:21)

A história deste homem é marcante.
Uma pessoa íntegra, que cumpria todos os seus compromissos religiosos e sociais e que ninguém o podia argüir para mostrar os seus erros.
No que podia ser visto pelos homens, seu proceder era perfeito, mas, apesar de seu bom procedimento, não tinha certeza da salvação.

Jesus inicio seu contato com ele afirmando que só Deus é bom e, de certa forma alimentando o seu ego, o evangelista registra que Jesus ao fitá-lo o amou e, só então é que o coloca em ‘xeque’ ao afirmar que só uma coisa lhe faltava.
Se víssemos somente esta cena poderíamos tirar várias lições:
1. Que as obras e nosso bom procedimento não são suficientes para a salvação;
2. A necessidade de abrir mão de tudo o que esteja ocupando o lugar de Deus em nosso coração;
3. A necessidade de ter um tesouro no céu (que só é comprado pelo sangue de Cristo); 4. E a necessidade de seguir a Jesus.
Estas são lições preciosíssimas mas se olharmos para Jesus e suas atitudes registradas no texto veremos que nesse diálogo Ele demonstrou sua humildade (v.18) e, nos versículos anteriores (vs. 12-16) disse que aquele que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.

A seguir Jesus afirma que o esvaziamento / renúncia é sacrificial e que aos homens é impossível, mas para Deus tudo é possível.
Ao que Pedro disse que eles tinham deixado tudo para seguir a Jesus ao que respondeu: “Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo da casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.”(vs.29,30)
Ele estava mostrando que mesmo que o homem abra mão de tudo Deus sempre lhe dará recompensas terrestre e que o sacrifício que o homem possa fazer pelo evangelho tem a sua paga e que só Deus é que faz o verdadeiro sacrifício
(veja os vs. 33, 34).

Uma outra lição que podemos tirar das atitudes de Jesus manifestado em seu diálogo com os irmãos João e Tiago é a confiança na soberania de Deus.
Notem: “...quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.”(v.40) .
Jesus afirma a eleição eterna de Deus e deixa claro que não pode ser mudada, pois já foi definida na eternidade.

O que está faltando à você:
Humildade, renúncia ou confiança no designo de Deus?
Ache a resposta em sua vida e procure sanar tal falta obedecendo ao mandato de Jesus para ter um tesouro no céu e, então, siga o Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, no real sentido de seguir os Seus passos.

Pr. Sérgio Roberto Pinheiro Gomes

A intercessão

A intercessão é uma responsabilidade do cristão.
Devemos compreendê-la profundamente e o livro de Daniel é uma ferramenta fundamental que nos ensina com detalhes esta tarefa que nos cabe.

Interceder
1. Pedir, rogar, suplicar (por outrem); intervir (a favor de alguém ou de algo)

Intervir

1. Tomar parte voluntariamente; meter-se de permeio, vir ou colocar-se entre, por iniciativa própria; ingerir-se:
2. Interpor a sua autoridade, ou os seus bons ofícios, ou a sua diligência:
3. Ser ou estar presente; assistir.
4. Ocorrer incidentemente; sobrevir:
5. Tomar parte voluntariamente, meter-se de permeio, em discussão, conflito, etc.:

contexto
O estudo está no livro de Daniel!
Tudo o que precisamos está ali.
Daniel era príncipe do seu povo, nós somos príncipes e sacerdotes do reino de Jesus Cristo.
Daniel estava no exílio da Babilônia, mas era judeu, assim como nós estamos no mundo, mas não pertencemos a este mundo.
Bases da intercessão
• Condição
• Santificação
• Estratégia
• Capacitação
• Revelação
• Oração
Estas bases são essenciais para a intercessão e devemos buscá-las para que obtenhamos o resultado esperado, não necessariamente o nosso, contudo principalmente o de Deus. Nenhuma delas pode faltar.
Devemos buscá-las em Deus para cada objetivo de intercessão.
Tenhamos em mente que não poderemos ir para o campo de batalha sem preparação. Podemos ver isso até em filmes como o Robin Hood, ele treinou bastardos para vencer o rei.
Sem preparação não chegamos a lugar nenhum.
Por isso preparemo-nos para a batalha através das 4 primeiras bases, que são: Condição, Santificação, Estratégia e Capacitação.

Fase de preparação

Condição
Nem todos podem ser intercessores, pois Deus mesmo incomoda aqueles que Ele escolheu. Em Daniel o rei Aspenaz escolhe sábios entre o povo cativo, para ajudar na sua administração, e acaba nos dando uma lista da condição de um bom intercessor:
DN 1:3
E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes,
DN 1:4
Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus.

Santificação

Mesmo Daniel sendo escolhido de acordo com a condição, ele sabia que sua força não estava no seu conhecimento ou braço, mas no Senhor dos Exércitos, por isso decidiu não se contaminar com a comida do rei.
Isso significa que devemos nos separar da contaminação do mundo, da sua facilidade, pois se tivermos "rabo preso" como poderemos interceder?
DN 1:8
E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.
A santificação para a intercessão pode ser comparada ao ato do sacerdote de se lavar com água, antes de iniciar seus trabalhos.
A água representa a palavra de Deus.
Devemos nos encher da Palavra para que possamos tirar de nós impurezas que nos prejudiquem não só para intercessão mas para a nossa vida.

Estratégia

Isso é muito importante.
Sejamos simples como a pomba e prudentes como a serpente.

MT 10:16
Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.

Não podemos lutar sem armas, sem estratégia.
Quando escolhemos nos santificar, é certo que muitas coisas aparecerão para nos atrapalhar, e não poderemos perder tempo com isso.
Solicitemos a Deus uma estratégia para nos mantermos santificados a quaisquer custos, nos livrando do esquema mundano.

DN 1:9
Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos.
DN 1:10
E disse o chefe dos eunucos a Daniel:
Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos outros jovens da vossa idade?
Assim porias em perigo a minha cabeça para com o rei.
DN 1:11
Então disse Daniel ao despenseiro a quem o chefe dos eunucos havia constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
DN 1:12
Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber.
DN 1:13
Então se examine diante de ti a nossa aparência, e a aparência dos jovens que comem a porção das iguarias do rei; e, conforme vires, procederás para com os teus servos.
DN 1:14
E ele consentiu isto, e os experimentou dez dias.
DN 1:15
E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais gordos de carne do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei.

A estratégia também fará parte da oração de intercessão, mas esta deve ser buscada através da revelação dada por Deus, pois aí já estaremos em batalha.

Capacitação

Após obtermos a estratégia de santificação temos que nos capacitar para a intercessão.
Não sabemos, por exemplo, o quanto de santificação será necessário para aquela situação.
A nossa vontade inicial é de sair orando, expulsando tudo que vier pela frente.
Não é assim que funciona.
Daniel ficou ainda 3 anos até ser apresentado ao rei.
Jesus mesmo disse que certas castas de demônios só poderão ser expulsas com oração e jejum.
MT 17:21
Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum
De acordo com a estratégia, poderá ou deverá ser feito um jejum.
DN 9:3
E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.

Fase de ação

Revelação

Devemos repetir os passos anteriores até que cheguemos naturalmente na revelação. Para isso irmão, entendamos que revelação é ao mesmo tempo um processo e um resultado.
Se uma revelação é parcial, ela não deve ser usada.
Uma revelação tem de ser provada, principalmente pela Palavra de Deus.
Peçamos confirmação a Deus, para que não sejamos confundidos pelo diabo, pois ele pode se disfarçar.
Afinal, se nossa causa é justa, o diabo será incomodado, qual seria a estratégia do inimigo?
1JO 4:1
AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
Se a revelação não é completa ela ainda é um processo e não um resultado, devemos continuar, perseverar até termos algo revelado e confirmado.
Tudo isso deve ser regado com muita oração, santificação através da palavra de Deus e diligência.
Estude o capítulo 2 de Daniel.

Oração

Agora chega a hora da batalha.
Munidos de nossa arma, a Palavra de Deus revelada pelo Espírito Santo, santificados por ela, estrategicamente posicionados diante de Deus, é chegada a hora de nos apresentarmos para a batalha.
É irmão é isto mesmo uma batalha será travada, um bom combate, um combate que a vitória é certa, pois o inimigo já estará vencido, pois se Deus revelou o que se encontra por trás da situação, já revelou a confirmação através da Bíblia, só nos resta pedir que venha o Reino de Deus sobre aquela situação.
Normalmente existe pecado que deve ser retirado, pela misericórdia de Deus.
Veja em Daniel um completo exemplo de oração intercessora no capítulo 9.
Ele se coloca em oração, em primeira pessoa do plural.
Ele pede perdão pelo povo, mas se coloca como pecador, cometedor do mesmo pecado do povo.
Mesmo que ele não tenha feito, ele se coloca na brecha, ele se arrepende de algo que pode não ter feito, ele se coloca no mesmo lugar.
Você já ouviu isso antes?
Jesus se colocou no nosso lugar, e intercede por nós.
Interceder por outros é a mesma coisa.
Por isso irmãos, não podemos fazê-lo que qualquer jeito, se não sofreremos as mesmas conseqüências.
E uma vez que definimos de que lados nós estamos, não poderemos mais "marcar bobeira".
Não poderemos mais ir ao estádio, num jogo do Corinthians, com a camisa do Palmeiras, senão apanharemos de verde e amarelo.
Olha, sou testemunha do que aconteceu com a empresa onde trabalho, muita coisa mudou.
As movimentações que Deus fez foram incríveis, sem falar nas conversões.
Por isso interceder é preciso.
Vamos lutar por uma família melhor, uma igreja melhor, um bairro melhor, uma cidade melhor, um estado melhor, um país melhor e um mundo melhor.

Oração (Tipos de Oração)

A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18).
Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros.
Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus.
Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros.
A todas elas Deus deseja ouvir
(Sl 65.2; Pv 15.8b).

Níveis de Oração
Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes:
Deus, nós e os outros.
Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração:

1. Deus como centro das nossas orações
Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito.

· Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito.
Exemplo (Sl 103)

· Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz.
Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado.
Exemplo:
(Sl 46; Lc 1.46-55).

Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é.
É o reconhecimento do que Ele é.
É a resposta do nosso amor ao amor Divino.
Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10).

2. Nós mesmos como o centro das orações
Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais.

Petição - É “um pedido formal a um poder maior”.
É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo:
(Sl 59).

Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus.
É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso.
Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo:
(Sl 38; 2 Cr 20.5-12).

Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração.
Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15)

3. Os outros como centro das nossas orações
Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa.
Exemplo: (Jo 17).

Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição
(Ne 9; Mt 6.9-13)

Formas de Oração

Oração Privada (Mt 6.6).
Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16).
Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha.
Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis.

Oração de Concordância (Mt 18.18-20).
Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus.
Há um poder liberado através da concordância
(Dt 32.30).

Oração Coletiva (At 4.23-31).
Esta é feita quando o Corpo se une em oração.
É uma oração de concordância com um número maior.
Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus.

Recursos de auxílio à oração
Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus.
Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração.

Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7).
A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14).
·
Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20)
Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento.
Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27).
Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15).

Armas de Combate na Oração

A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo.
(Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5).
Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18).
Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as:
1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito
(Lc 19.29; Mc 16.17).
2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus
(Ef. 6.17).
3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo
(Ap 12.11; Lc 4.14).
O inimigo será vencido por um poder maior
(Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7).

Obstáculos à Resposta de Oração

1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24).
A vida familiar deve ser posta diante de Deus.
Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc.
2. Coração que não perdoa (Mc 11.25).
Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição.
3. Contenda (Tg 3.16).
A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão.
Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade.
4. Motivação errada (Tg 4.3).
Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas.
O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31).
Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56)
5. Pecado não confessado (Is 59.1,2).
Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração.
Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus
(1 Jo 3.22).
6. Ídolos no coração (Ez 14.3).
Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém.
É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição.
Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento.
Deus deve ser supremo em nossa vida.
7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus
(Pv 21.13).
A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações.
8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7).
A dúvida é ladra da bênção de Deus.
A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus.
A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra.
E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus.

Devemos orar.
Não somente estudar oração, mas praticá-la.
“A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”.
Ver (Tg 4.2).

Obras Consultadas:
HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999.

A Habitação de Deus no Cristão

Esta é uma doutrina de enorme significado para os cristãos.
Paulo orou para que Cristo habitasse no coração dos efésios (Ef 3.17).
Ela está inserida num contexto maior, que trata de união mística do crente com Cristo, pela qual nós estamos nEle e com Ele, Ele está em nós e nós vivemos como imitadores dEle.

A maior dificuldade que encontramos para compreender esta doutrina é o contraste entre a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem.

A santidade de Deus

Deus é Santo e quer que seus filhos o sejam também (1 Ts 4.3).
Santidade é uma característica fundamental de Deus; um atributo Seu.
Os serafins declaram isto (Is 6.3).
Jesus o chama de “Pai Santo”
(Jo 17.11).
A principal característica da essência de Deus é a sua santidade.
Ele é santo (Hb 3.3).
A santidade é o atributo de Deus, enquanto separado e elevado acima de tudo o que é comum e criado (Is 40.25).
A casa de Deus é santa (Sl 93.5).
O Lugar onde Deus está se torna santo
(Ex 3.5; Js 5.15)

A pecaminosidade do homem

Todos os homens pecaram, estão debaixo do pecado (Rm 3.23,9).
Não há nenhum justo sobre a terra (Ec 7.20).
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e chamamos Deus de mentiroso
1 Jo 1.8,10).

Entretanto, a Bíblia afirma claramente que Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) habita no crente em Jesus
(Jo 14.17, 23).

A Habitação de Deus

Desde o início, Deus visitava o homem (Gn 3.8).
Depois, Deus mandou construir o tabernáculo, para estar entre Seu povo, manifestando Sua glória (Ex 40.34).
O Espírito Santo, no AT, vinha sobre os homens (Jz 3.10), se apossava deles (Jz 14.19; 1 Sm 11.6), mas efetivamente, não habitava em seus corpos.
No NT, Cristo veio e habitou entre nós (Jo 1.14) e fez a promessa de habitar em cada homem que cresse nele.

Esta doutrina é de suma importância, pois tudo o que o crente possui no aspecto espiritual está firmado no fato de que Cristo está nele.
Cristo está pessoalmente em nós e não apenas seus ensinos ou idéias.
Pelo Espírito Santo, somos habitados pelo próprio Deus.
Esta presença de Deus em nós não é metafísica, como no conceito panteísta, mas pessoal.
Ele está em nós e permanece pela fé
(Ef 3.17; 2 Co 13.5).

O apóstolo Paulo considera a habitação de Cristo um rico mistério:
“Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).
Ele diz que Cristo vive nele (Gl 2.20).
Afirma também que nosso corpo é santuário do Espírito Santo
(1 Co 3.16,17; 6.19; 2 Co 6.16; Ef 2.20-22), onde Ele habita.

Através da união com Cristo, a vida de Deus flui para dentro de nós
(Rm 12.2; 2 Co 4.16; Rm 8.11).
Esta união é efetuada pela morada do Espírito Santo, sendo uma união espiritual
(1 Co 6.17; Rm 8.9,10).

Diante deste conhecimento, devemos perguntar:
Que tipo de habitação agrada a Deus?
Como deve ser a nossa natureza para que Ele possa sentir-se em casa quando estiver em nós?

O Espírito Santo que habita em nós tem ciúmes.
Aqueles que são amigos do mundo se tornam inimigos de Deus
(Tg 4.4,5)
O Espírito Santo que habita em nós nos ajuda nas nossas fraquezas e intercede por nós (Rm 8.26,27).
O Espírito Santo que habita em nós nos garante a filiação divina
(Gl 4.6).

Cristo em nós é o que nos justifica:
quando Deus olha para nós, não vê um Deus santo e um homem pecador, mas uma unidade que é justa.

A habitação de Deus no homem é que o torna santo, espiritual, contrastando com o homem carnal
(Rm 8.9).
A habitação de Deus determina quem é realmente cristão
(Rm 8.10; 2 Co 13.5; Ap 3.20).
A habitação de Deus nos dá um senso de dependência, o que nos chama à humildade:
Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes
(Tg 4.6)
A habitação de Deus nos enche de amor
(1 Jo 4.16).
A habitação de Deus nos torna vencedores
(1 Jo 4.4)
A habitação de Deus nos torna produtivos
(Jo 15.5).
A habitação de Deus nos capacita a guardarmos Seus mandamentos
(1 Jo 3.24).
A habitação de Deus nos capacita mantermos a unidade da fé
(Jo 17.21-23).

Devemos considerar este fato, cada minuto de nossas vidas:
Deus habita em nós.
Devemos ir aonde Ele iria, fazer as coisas que Ele faria, falar o que Ele falaria, pois Ele está em nós.
Ainda que enfrentemos dificuldades, não devemos temer, pois Ele está conosco
(Sl 23.4).

Obras Consultadas:
TOZER, A.W. Verdadeiras Profecias.
São Paulo:
Editora dos Clássicos, 2003.

Unção com Óleo

O uso de óleo para unção do corpo era bastante utilizado no mundo antigo, com emprego na medicina, na cosmética e também num sentido simbólico e religioso.

Vários tipos de unção

A Bíblia menciona a unção com óleo com vários propósitos:

a) Para cuidar do corpo ou cuidados da beleza (Rt 3.3; Et 2.12; 2 Cr 28.15; Jz 16.8; Ez 16.9; Mt 6.17).
Era omitido em períodos de luto (2 Sm 14.2; 12.20) ou grande tristeza (Dn 10.2,3), pois significava alegria (Pv 27.9; Sl 45.7; Is 61.3).

b) Com propósito medicinal (Is 1.6; Jr 51.8; Lc 10.34).
Era muito comum o uso de óleo para inchaços e feridas de diversos tipos; machucados, cortados e qualquer tipo de ferimento.

c) Era oferecido a um convidado de honra (Sl 23.5; Lc 7.38,46; Jo 11.2; 12.3)

d) Também usado para honrar os mortos (Mc 16.1; Gn 50.2; 2 Cr 16.14) ou para preservar o corpo.

e) A unção cerimonial.
Esta é a unção formal de um Sacerdote (Ex 28.41), profeta (1 Rs 19.15,16) ou de um Rei (1 Sm 10.1; 16.3,12).
A idéia desse tipo de unção é de separação e consagração, isto é, dedicação da pessoa a determinada tarefa.
Derramado sobre a cabeça da pessoa, o óleo cobre o corpo.
A idéia é de revestimento de poder e autoridade.
O verbo grego correspondente ao hebraico nesse tipo de unção é “Chrio”, uma palavra cognata de Christós, que deu origem ao nome Cristo.
Portanto, a palavra “Cristo”, significa:
O Ungido, o Separado por Deus para um ministério especial.

f) Também era usado para consagração de objetos (Ex 30.22-33; 40.9), com o mesmo propósito de separação.

Qual o sentido de ungir os doentes, na orientação de Tiago?

1. Poderia ser o uso do óleo como remédio, acompanhado de oração.
Encontramos algumas recomendações para uso do remédio, na Bíblia, além da oração. Vinho também era usado como medicamento, tanto para uso tópico (Lc 10.34) como oral (1 Tm 5.23).
Também eram usados emplastos (Is 38.21; 2 Rs 20.7) e sal para esfregar o corpo (Ez 16.4).
O verbo “ungir” em Tiago 5.14,é “aleipho”, que quer dizer “friccionar, aplicar sobre, esfregar”.
Para as doenças daquele tempo, havia um remédio muito comum:
o óleo de oliva, que ainda hoje é muito rico em propriedades curativas.
Tiago poderia estar sugerindo que fizessem oração, mas não deixassem também de usar de medicamentos que estivessem à disposição.

2. Tiago poderia estar sugerindo o uso do óleo meramente como sinal visível e tangível da manifestação do Espírito de Deus, pois é isto que ele simbolizava (1 Sm 16.13; Zc 4.1-6; Lc 4.18; At 10.38; 2 Co 1.21; 1 Jo 10.20), pois embora os antigos considerassem o azeite de oliveira dotado de propriedades medicinais, nunca se pensou entre eles que o azeite fosse capaz de curar toda e qualquer enfermidade.
Jesus usou lodo para curar um cego de nascença (Jo 9.6)
- A Mishnah menciona essa prática da aplicação de lodo, preparada com argila e saliva, a olhos enfermos apenas como um sinal tangível e não como remédio, pois a cura foi instantânea.
Tiago certamente sabia que o azeite não curava todas as doenças, mas recomendou o seu uso para todos os doentes.

3. A doença poderia ser o resultado de desobediência, pecado, na vida do crente (1 Co 11.30), pois Tiago fala de confissão e perdão de pecados neste contexto.
O pecado afeta não somente a saúde espiritual, mas também física (Sl 32).
Poderíamos pensar que no AT o líder religioso cumpria o papel de tratar as doenças (Lv 13.2,3; Mt 8.4) e que Tiago estaria transportando este conceito para a igreja, Mas se havia pecados que resultaram na doença, os presbíteros seriam os representantes da igreja, que recebeu autoridade do Senhor para perdoar pecados (Jo 20.23).
Por estar enfermo, o crente não poderia ir à igreja, de modo que chamaria os anciãos. O azeite seria um sinal do Espírito Santo, que purifica o crente (Tt 3.5; 1 Co 6.11).

Algumas observações adicionais:

Tiago não apresenta uma fórmula genérica para curar a todos, pois a cura, como resposta à oração, depende da vontade de Deus (1 Jo 5.14).
Deus às vezes permite a doença (Jo 11.37; Gl 4.13,14; 1 Tm 5.23; 2Tm 4.20).
Noutros casos, Deus resolve levar seus amados santos ao céu, durante uma enfermidade (2 Rs 13.14,20).
De uma maneira geral, podemos dizer que Deus quer curar as enfermidades, mas em casos específicos, vemos que alguns não foram curados (Jo 5.3-9; Fp 2.25-27; 2 Tm 4.20; 1 Tm 5.23).

Jesus nunca mandou ungir enfermos com óleo, mas é certo que, pelo menos uma vez, (Mc 6.13) se tem notícia de que os apóstolos ungiam enfermos com óleo e os curavam. Evidentemente, eles o faziam dentro dos costumes correntes entre os judeus, que eram do conhecimento de Jesus, pois Ele mesmo se refere a unção como ato de dignidade para um visitante e também no sepultamento de um morto.

A verdadeira ênfase no texto bíblico de Tiago, capítulo 5 não é sobre o óleo, mas sobre a oração, citada várias vezes.
É a oração da fé que salva o doente e não a unção com azeite.
Jesus orientou seus discípulos a orarem com fé (Mt 21.22; Mc 11.24) para receber dádivas de Deus.
A fé foi destacada pelo Senhor na cura dos enfermos (Mc 16.17,18).
Pela oração também os pecados são perdoados
(1 Jo 5.14-16).

O óleo não é usado para outros fins, como atrair prosperidade (ungindo-se carteiras ou bolsas), “espantar” demônios (ungindo-se portas e janelas, roupas, etc), nem para abençoar um ambiente.
Não devemos atribuir qualidades místicas ao azeite, seja aquele do tipo comum, vendido no supermercado ou qualquer outro com características aromáticas, como bálsamo ou mirra.
Este tipo de coisa revela-se apenas em superstição e dá oportunidade de alguém aproveitar-se da fé ingênua de alguns crentes.
Não vivemos mais na era da Lei, carregada de símbolos, mas na era da graça, quando Cristo e o espírito Santo estão presentes de forma real e permanente na vida do crente.

Existem algumas passagens bíblicas difíceis de entender e que são muitas vezes usadas para apoiar doutrinas distorcidas.
Uma destas, sem dúvida, é esta em que Tiago recomenda o uso de óleo nos enfermos.
Um dos desvios de interpretação de unção é o sacramento da extrema unção, usado pela Igreja Católica Romana, ministrado às pessoas que estão para morrer.
Esta unção não foi recomendada àqueles que estão morrendo, mas ao que estão doentes e querem ser curados.
A idéia é de restabelecimento e não preparação para a morte.

Carlos Kleber Maia

3 SEGREDOS Que o Ajudam a Receber CURA DIVINA

João 10 :10
" O ladrão, não vem senão para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.

Jesus disse um dos maiores segredos da Bíblia, que é o seguinte:
o culpado de todo o mal não é Deus é o diabo.

Mas, sabe que há muita gente que pensa assim?
Há muita gente que diz:
"Ah, eu estou muito doente, porque Deus permitiu!"

Há pessoas que quando vêem alguém morrer pensam que Deus é o culpado.
Mas, eu quero lhe dizer:
Deus não é culpado.

O diabo é que tem a culpa.

O diabo é que veio para matar, para roubar, para destruir.

O diabo nunca conseguiu arranjar nada. Ele só sabe partir, aquilo que alguém construíu.

O diabo não sabe fazer nada, muito menos arranjar alguma coisa.

O diabo é mau, mas Deus é bom.

A primeira coisa que vemos no versículo que lemos anteriormente, é que Deus é bom e só veio para dar vida e vida em abundância e que o diabo é mau e só veio para partir, estragar e matar.

Então a culpa de uma pessoa estar doente não é de Deus, é do diabo.

Primeira coisa que um doente precisa saber é isto:
DEUS NÃO É CULPADO, MAS SIM O DIABO.

Agora vamos ler o Salmo 103 : 3 :

- " É Ele quem perdoa todas as tuas iniquidades, quem sara todas as tuas enfermidadades. "

É Ele quem ?
Jesus.

O que é que Ele faz ?
Perdoa TODAS as iniquidades e sara TODAS as enfermidades.

Você acha que Deus sara TODAS?

Acha que Deus consegue curar TODAS as enfermidades?

Claro que consegue.

Então porque é que há tanta gente doente ?

Porque eles ainda não receberam.

Se eu lhe quisesse oferecer uma Bíblia, você tem só que receber.
Não precisa de pedir.
Você não precisa de chorar.
Você pode apenas estender o braço e RECEBER.

Com Jesus é a mesma coisa.
Porque é que há tanta gente que está doente ?
Porque ainda não receberam.
A Bíblia diz que Jesus cura, sara TODAS as enfermidades.

Esta é uma grande verdade que Deus quer que o doente saiba.

DEUS CURA TODAS AS DOENÇAS.

Irmãos, diz a Bíblia que Deus perdoa todas os pecados e cura todas as enfermidades. Não importa a enfermidade que você tenha.

Vamos ler Isaías 53 : 4 e 5 :

- " Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou com as nossas dores ... "

É mesmo de verdade?
É mesmo verdadeiramente?
Ele carregou mesmo?
Com as nossas enfermidades?
E com que mais?
As dores?
Com as dores também ?
Sim, com as nossas dores também.
Com todas as dores.

" E, nós o reputavamos por aflito, ferido de Deus e oprimido e ele foi ferido por causa dos nossos pecados, moído por causa da nossa iniquidade, o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras FOMOS SARADOS. "

Parece que nos enganamos a ler a Bíblia!!!
Não FOMOS, vamos ser sarados quando chegarmos ao céu !
O que é que vem na sua Bíblia, irmão ?
FOMOS mesmo sarados ?
FOMOS quando ?

FOMOS JÁ SARADOS NA CRUZ.

Preste atenção, que isto é muito importante :

Quando Jesus morreu na cruz, Ele cravou lá os nossos pecados e enfermidades e dores.

Você não precisa mais de carregar esses fardos.

Imagine uma pessoa com um saco às costas, muito pesado.
Se Jesus lhe aparecesse e lhe dissesse :
" dá-me cá o saco, que eu levo o saco ".
Você não precisava mais de levar o saco, pois não?

É isso que Jesus está aqui a dizer.
Ele já providenciou tudo para a salvação e cura divina.

Hoje, quando uma pessoa quer ser salva, não é necessário vir Jesus morrer na cruz outra vez !
Ele morreu uma vez por todas.
Então hoje a pessoa só tem que entregar a vida a Jesus e fica automáticamente salvo.

CURA DIVINA é a mesma coisa.

Eu só preciso de vir a Jesus e RECEBER a minha cura, porque ele já me curou na cruz do calvário.

Ele crucificou as enfermidades TODAS na cruz.

Primeiramente o que eu quero compartilhar consigo é que: DEUS NÃO É CULPADO DAS PESSOAS ESTAREM DOENTES !!!

O diabo, ele sim, é culpado.

Há 3 segredos que eu quero compartilhar consigo PARA o ajudar a RECEBER a sua cura.

Muitas pessoas estão doentes e embora Jesus já tenha pago pelas enfermidades todas, embora Jesus queira curar toda a gente, sabe que Ele nem sempre consegue?
Ele não consegue por falta de fé.

1º SEGREDO

Você não precisa vir para pedir, mas sim para RECEBER.

Porque é que algumas pessoas estão doentes ?

Porque quando vão a Jesus, choram, pedem, mas não recebem:

- " Ai, Jesus, cura-me, Senhor, porque eu estou muito doente ... ai, mas cura-me Jesus, cura-me Senhor ... "

E, vai para casa na mesma.
Então, o que é que devemos fazer?
Muito simples.
Ir a Jesus e dizer:

- "Senhor, eu aprendi na Bíblia que tu já curaste toda a gente, eu só preciso de receber, pois, então, eu creio que recebo a minha cura, amém."

Depois, já tem, está a entender ?

Vai para casa levando a cura dentro de si.

Porque, enquanto, estivermos a chorar ou a pedir: " Ó Deus cura-me, ó Senhor cura-me, óóóóó ... cura-me ", o que é que vamos conseguir?
Nada.
O que é que eu tenho que fazer ?
RECEBER.

Diga: RECEBER. RECEBER. RECEBER.

Não é preciso pedir, irmão ?

É preciso chorar ?
Não.

É preciso esperar muito ?
Não.

É só o quê ?

Fazer o quê ?

RECEBER.

Entendeu ?

Agora repare.
Muitas pessoas porque desconhecem este segredo, até fazem promessas :

- " Ó Deus se tu me curares, eu promete pagar uma promessa de 10 velas. "

Você acha que Deus lá no céu tem falta de luz ?
Claro que não.
Jesus não precisa das velas de ninguém.

" Ó Jesus, se Tu me curares, eu dou-te mais dinheiro; eu dou-te 10% disto ... "

Você acha que se pode comprar Jesus ?
Dar-lhe uma comissão ?

Claro que não !
Porque é que Jesus precisa do seu dinheiro e do meu ?

NÃO, meus amigos, não PRECISAMOS DE PROMETER NADA.

É SÓ RECEBER.

Diga : É SÓ RECEBER ! É SÓ RECEBER ! É SÓ RECEBER !

2º SEGREDO

FÉ É EU ACREDITAR QUE ESTOU CURADO AGORA, SEM EU VER, SEM EU SENTIR NADA.

Algumas pessoas só acreditam que stão curadas, quando elas se virem curadas.

Quando elas se sentirem curadas, então elas vão acreditar que já estão curadas.

Quando elas virem o relatório médico a dizer que já está tudo bem, então é que elas vão acreditar que estão curadas.

Mas, isso não é fé.
É o oposto de fé.

FÉ É EU ACREDITAR QUE ESTOU CURADO AGORA, SEM EU VER, SEM EU SENTIR NADA.

Quando eu vou a Jesus eu creio que recebo a minha cura, no momento que oro.

Então se eu recebo já tenho.
Não é verdade, irmão ?
Assim, eu vou para casa, acreditando que já tenho.
Eu não vou ter.
Eu já tenho a minha cura.

- " Ah, mas eu não sinto nada ! "

- " Mas fé diz que eu não ando pelas vistas, mas pela fé ".

Fé, é eu acreditar que estou curado sem ver.

Fé é acreditar que estou curado mesmo que não sinta nada.

Uma vez, havia um homem chamado Tomé.
Tomé era discípulo de Jesus Cristo, até era apóstolo de Jesus, veja só. Quando Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos.
Mas o Tomé não estava ( tinha ido tomar um café ... ). E, então, quando o Tomé chegou lá a casa, os outros disseram-lhe :
" Olha, Tomé, tu sabes as boas novas ?
Sabes que Jesus ressuscitou e esteve aqui ? "

E, Tomé disse :

- " Ah, não senhor.
Não acredito.
Só se eu vir com os meus olhos, sentir com as minhas mãos, sentir a carne de Jesus e meter o meu dedo no buraco onde cravaram os pregos nas mãos de Jesus, então sim, é que eu vou acreditar. "

Passado uns tempos, Jesus apareceu e disse :

- " Tomé, tu és um incrédulo, não tens fé ".

Porquê ?
Porque é que Jesus disse isso ?
Porque o Tomé só queria acreditar que Jesus estava ressuscitado, depois que ele visse Jesus.
Mas, Jesus quer a gente acredite primeiro e então, vamos ver depois.

Você está a perceber ?
Isto é muito importante.

Então, quando você for RECEBER cura divina, deve receber e continuar vivendo acreditando que já está curado :

- " Quer eu veja, quer não, eu já estou curado.
Eu recebi. "

Isto é que é fé.
E, Jesus disse que sem fé é impossível agradar a Deus.

Sem acreditar deste género, desta maneira, não se pode agradar a Deus.

E por último o 3º segredo que eu quero compartilhar está em Marcos 4.

3º SEGREDO
- Cura nem sempre é instantânia

MARCOS 4 : 26

" E disse também :
o reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra e dormisse e se levantasse, de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse sem ele saber como. Porque a terra por si mesma, produz o fruto.
Primeiro a erva, depois a espiga e por último o grão cheio na espiga.
E, logo que o fruto amadurecer, mete-lhe a foice, porque é chegada a ceifa. "

Muita gente, pensa que quando a gente ora por um doente, se ele não ficar instantâneamente curado, então, isso significa que Jesus não o curou.

Eu já pensei assim.
Quando eu me converti a Jesus, eu julgava que quando eu orava e pedia alguma coisa a Deus que Ele tinha que me responder de imediato, por que senão, era sinal de que Ele não me tinha respondido.

Mas, eu quero trazer aqui as boas novas.
No reino de Deus, tudo funciona à semelhança de um agricultor.
O agricultor semeia a semente no chão.
Depois não se vê nada.
A semente está escondida debaixo da terra e não se vê nada.

Ora é exactamente isso.
Quando eu imponho as mãos sobre o doente, eu imponho uma mão, de um homem, mas, o Espírito Santo de Deus, pöe a unção de Deus, a semente de cura divina, meu irmão. Aleluia.

Essa semente vai entrar dentro de si e vai crescer e crscer e crescer ...
Ao princípio não se vê nada.
é como a semente que está escondida debaixo da terra.
Não se vê nada, mas está lá dentro a crescer.

Cura divina é isto.
Agora preste atenção, há :

- Cura Instantânea e

- Cura Progressiva.

Se for instantânea, quer dizer, se a pessoa ficar curada instantâneamente, sabe que isso não é uma cura, é um milagre.

Cura divina é assim.
O próprio Senhor Jesus Cristo, nem sempre tinha tudo instantâneo.
Eu não sabia, mas é verdade.
Uma vez, Jesus falou a uma figueira e disse à figueira:
" nunca mais ninguém coma de ti ".

Jesus amaldiçoou uma figueira.
Mas, aparentemente estava tudo na mesma, parece que figueira estava viva.
Mas, no dia seguinte, quando passaram lá ao pé da figueira, viram que ela tinha começado a secar pela raíz.

Quando eu imponho as mãos sobre uma pessoa que tem, por exemplo, um cancro ou um tumor, eu sei que aquele tumor, aquele cancro, está a começar a secar pela raíz. Aleluia.

Quando eu imponho as mãos numa pessoa que tem uma enfermidade, tem um orgão que está defeituoso, um rim que não funciona, um coração que não bate bem, um sangue que não está em condiçöes, eu sei que a semente de cura divina vai entrar nesses orgãos e vai começar a saúde lá dentro, e vai repôr o que está estragado e vai arranjar o que está mal.
Aleluia !
Pode demorar um minuto, pode demorar uma hora, pode demorar um dia ou uma semana, mas a pessoa vai ficar curada se ela acreditar, se ela não vacilar, se ela não duvidar a semente vai crescer, crescer, crescer, até ficar curada.

Uma vez, eu estava a orar por uma moça.
Ela tinha a coluna torta, tinha muitas dores ( aliás o testemunho dela vem no meu livro de Cura Divina ).
Os médicos não lhe davam chance porque não havia cura.
Mas, ela ouviu e ouviu estas minhas liçöes e, um dia, veio ao pé de mim e disse :

- " Pastor, eu venho para RECEBER, não é para chorar, nem pedinchar, é para RECEBER a minha cura. "

Eu impus as minhas mãos sobre ela.
Impus com fé e ela RECEBEU com fé.

E, foi um daqueles dias maravilhosos em que Deus operou à frente de toda a gente. Logo, a moça caíu debaixo do poder, da unção de Deus.
Nós estavamos para levantar a moça, mas o Espírito de Deus disse-me :

- " Não levantes porque eu estou a fazer uma operação. "

Passados mais ou menos 10 minutos, ela levantou-se e contou-nos o testemunho, o que se tinha passado.
Diz que pareciam duas mãos.
Uma agarrarou-a pela cabeça, outra mão pela perna e com muita suavidade esticou o corpo até a espinha ficar completamente curada.
E continua curada pelo poder de Jesus Cristo.

Hoje, se você estiver doente, eu quero lhe dizer uma coisa :

- JESUS CRISTO EXISTE PARA O CURAR.
É SÓ RECEBER.

Diga comigo : RECEBER. RECEBER.

Diga : EU VOU A JESUS PARA RECEBER.

DEUS TEM UM MILAGRE PARA SI.

DEUS CURA TODAS AS PESSOAS.

DEUS CURA TODAS AS ENFERMIDADES.

DEUS CURA HOJE.

23 de abr de 2010

Os cristãos novos e a formação das sociedades secretas no Brasil Colonial

A conversão forçada ao Cristianismo de todos os judeus portugueses em 1497 criou uma nova categoria de gente e uma nova religião:
os cristãos-novos e o criptojudaísmo.

Isolados do Judaísmo tradicional
(proibido em todo o Império português) e imersos em um mundo cristão, a crença desses cristãos-novos sofreu alterações profundas.
Tinham que ser católicos praticantes; não tinham livros judaicos, não havia ninguém para instruir seus filhos no hebraico, sem as tardes de sábado para o estudo e debate; o Judaísmo que chegava até eles não era profundo nem ortodoxo, mas uma transmissão oral de conhecimento daqueles que lembravam melhor as tradições judaicas.

A religião dos cristãos novos era a "religião marrana", religião secreta que não foi uniforme nem no tempo nem no espaço.
A essência dessa crença pode ser resumida na salvação através da Lei de Moisés e não através da Lei de Cristo:
confissão em uma fé judaica, continha a linguagem e a concepção da teologia católica.

Esses portugueses de origem judaica foram perseguidos e processados pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição durante quase três séculos, acusados de um crime:
a heresia judaica.
A intolerância religiosa que reinava na Metrópole transferiu-se para o ultramar.

Em Portugal e suas colônias, a Inquisição perseguiu todos os "diferentes":
os que professavam uma outra fé Judaísmo, Luteranismo, Islamismo e os que apresentavam comportamentos considerados desviantes, como homossexuais, blasfemos, bígamos, feiticeiras e padres solicitantes.

Pesquisas recentes mostram que os cristãos novos representavam cerca de 20% da população branca e livre do Brasil colônia, o que ressalta a importância do conhecimento desse grupo para a história do Brasil.

Grupo que vivia dividido entre o mundo católico e a memória judaica.
Discriminado por sua ancestralidade, estava assimilado à cultura ibérica, porém não integrado no mundo cristão.
Apresentava uma dualidade inerente à sua condição cristã nova, dividido entre um mundo judaico secreto e um mundo cristão aparente.
Essa dualidade refletia-se em sua vida cotidiana, vivenciada diversamente por cada um deles, o que é possível perceber através de suas histórias, reveladas nos seus processos do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Portugal.
Sua fragilidade era evidente, passíveis de serem presos pela Inquisição devido a sua origem, Era preciso ser "limpo de sangue" para sobreviver sem sobressaltos.

Todos viviam em uma realidade cristã, na qual haviam crescido.
Batizados ao nascer, crismados, faziam todas as obras de bons católicos.
Confessavam seus pecados aos párocos das vilas, que muitas vezes iriam aos engenhos dizer missa.
Nas grandes festas religiosas católicas, como por exemplo na Páscoa, celebravam em conjunto.

Apesar de assimilados à sociedade ampla católica, a discriminação legal que atingia todos os descendentes de judeus não permitia sua integração completa.
A memória histórica alimentou-os durante três séculos no Brasil colonial, e a consciência de sua diferença era essencial para que pudessem responder perante o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição.

A exigência por parte do Tribunal de que mantivessem uma memória do Judaísmo para poder confessar quando presos ou, a existência de uma religião secreta realmente vivenciada, fazia com que os cristãos novos se juntassem em comunidades secretas. Essas serviam também como modo de resistência à perseguição inquisitorial

As sociedades secretas foram o produto de um longo processo, que durante dois séculos preservou a herança de seus antepassados.
Este processo começou desde a formação dos primeiros núcleos em São Vicente, São Paulo, Bahia e Pernambuco.
Os cristãos novos chegaram como colonizadores, aventureiros ou fugitivos da Inquisição e espalharam-se por toda a colônia.


Desde o século XVI os cristãos novos reuniam-se secretamente, fosse para professar sua religião em segredo, fosse para elaborar estratégias de como sobreviver em uma sociedade preconceituosa.

Assim, no século XVI, encontramos no Nordeste verdadeiras "sinanogas" geração próxima da conversão forçada, cristãos-novos que tiveram contato com seus avós ou pais judeus.
O Judaísmo era mais presente e mais parecido com o tradicional.

Em Pernambuco do século XVI, um velho manco passeava avisando das datas das celebrações com um lenço vermelho amarrado à perna.
Branca Dias e seu marido Diogo Fernandes mantinham os costumes judaicos e se reuniam para celebrar o shabbat.
Na Bahia, a família Antunes mantinha em seu engenho, ao lado da capela, uma snoga; diziam-se descendentes dos Macabeus bíblicos.
Praticavam vários costumes judaicos, como abençoar os filhos passando a mão pelo rosto, da cabeça ao pescoço, rezar orações judaicas movimentando o corpo à maneira dos judeus e mostravam repulsa a símbolos cristãos, como o crucifixo entre tantos outros.

No Nordeste, a denúncia de cristãos novos idolatrarem a "toura"
sob a forma de um bezerro ou vaca, que nada tem a ver com a Torah, livro sagrado do Judaísmo, o Pentateuco também é indício que se reuniam para, secretamente, praticar o criptojudaismo.

No Rio de Janeiro do inicio do século XVII, criptojudeus reuniam-se na casa do médico Manoel Leitão para celebrar o Shabbat, todas as sextas-feiras.
Diziam que participavam de jogos de cartas

Fazia parte desse grupo Izabel Mendes e sua família.
Izabel ainda sonhava em manter-se judia.
Acreditava que a Lei Velha era a perfeita, e a que guardavam os profetas.
E que a Lei de Moisés era a boa, e que tudo o mais era vento.

Por observância da Lei, realizava rituais bastante próximos do Judaísmo tradicional, como a preparação para o sábado, que guardava como dia santo, vestindo nele roupas limpas, acendendo as candeias, assim como os demais cristãos novos com os quais se reunia para celebrarem seu criptojudaismo.

Mantinha em seu imaginário a representação de um Judaísmo, embora já apresentando traços de sua educação cristã e de sua cultura ibérica.
Dizia que o templo de Salomão estaria em Lisboa, e não em Jerusalém.

Sua irmã, Beatriz da Costa, casou-se com o espanhol Duarte Ramires de Leão em 1617. Duarte tinha o nome judaico de Binyamin Benveniste.
Um de seus filhos, Gregório Mendes de Leão, comerciava em Amsterdã, onde tinha um nome de judeu Nicolas Hermans e professava a Lei de Moises fato conhecido no Rio de Janeiro.
No século XVII o contato entre os cristãos novos do Brasil e os de Portugal e Europa eram frequentes, reforçando o conhecimento que tinham do Judaísmo, inclusive as datas das celebrações.

Nas Minas Gerais do século XVIII, segundo Anita Novinsky, as sociedades secretas seguiam a rota do ouro.
Reuniões clandestinas eram imediatamente organizadas em cada cidade ou aldeia fundadas nas regiões produtoras de ouro, como por exemplo, em algumas casas em Ouro Preto, arraial do Tijuco (região de mineração de diamantes), Rio das Mortes e Ribeirão do Carmo.
Durante essas reuniões, ocorriam transações comerciais; a confiança era estabelecida, e ao mesmo tempo se consolidava a resistência, e um "sentimento" particular do mundo: o marranismo.
Entre os participantes desses grupos clandestinos havia criptojudeus convictos, descrentes, agnósticos, e outros cristãos
novos identificados como judeus, não por sua conduta ou crença, mas devido a sua origem.

Encontramos indícios da continuação dessas sociedades secretas em outras localidades do Brasil durante a primeira metade do século XVIII.

Catarina Soares Brandoa, portuguesa, meia cristã-nova, descreveu uma festa de casamento ocorrida no Rio de Janeiro que se configura como uma das maiores reuniões entre os cristãos novos, para comemorar o casamento de Caterina Marques, filha do homem de negócios José Gomes Silva nesta festa, à maneira judaica, homens mantiveram-se separados das mulheres, declararam-se judeus e criticaram o catolicismo, dizendo que o vinho era o sangue de Jesus.

No Rio de Janeiro, Tereza Paes de Jesus foi ensinada no Judaísmo por um grupo de mulheres, e com elas professava sua nova crença.

Ana Izabel de Siqueira, filha do médico Francisco de Siqueira, que morava em Lisboa desde criança, quando foi para lá junto com a mãe, Catarina de Miranda, presa pela Inquisição, foi denunciada por reunir-se regularmente às sextas-feiras e sábados, estando com os melhores vestidos e roupa lavada, se fechavam em certa casa onde ela, ré, e companhia, se acautelavam de que as vissem, de que se ficou entendendo que ela, ré e a companhia se acautelavam tanto para melhor guardarem os sábados.


No Rio de Janeiro do início do XVIII, a ameaça inquisitorial levou um grupo a se unir, secretamente, para definir estratégias, e prepar uma conjuração.

Em 1711, vários cristãos novos estavam presos à espera da frota que os levaria a Lisboa, quando a cidade foi invadida e tomada pelos corsários franceses comandados por Duguay-Trouin, que libertou os prisioneiros.
Ao saírem do cárcere, já não tinham nada: seus bens haviam sido confiscados, alguns já leiloados pelo Fisco, embora algumas casas na área rural ainda estivessem desocupadas.
Foi para onde se dirigiram.
Reuniram-se para definir estratégias, pois desconfiavam que quando os corsários partissem seriam novamente presos.
Estavam particularmente receosos dos depoimentos dos cristãos novos que ainda não haviam sido presos, e decidiram ameaçá-los para que nada dissessem sobre eles se interrogados.
Assim, a família Correa Ximenes, que havia sido presa, ameaçou a família Barros, ainda livre.
Disseram "que a criminariam em forma neste Santo Tribunal, que teriam seus bens confiscados", e que "quem tem telhado de vidro não atirava pedradas ao telhado de seu vizinho"

Conheciam o funcionamento do Tribunal do Santo Ofício, sabendo que para salvar suas vidas, deviam denunciar a todos que conheciam, confessar o que os Inquisidores desejassem.
Quando chegaram os navios, foram todos novamente presos e enviados para Lisboa.
E, conforme o prometido, denunciaram os Barros, que foram presos em seguida.

Um outro caso também mostra como os cristãos novos utilizavam o conhecimento tanto do funcionamento do Tribunal como do criptojudaísmo para a sua sobrevivência.
Isabel de Barros Silva era filha de José Gomes Silva, um dos homens mais ricos do Rio de Janeiro, mercador, contratador e senhor de engenho.
Casou-se com Bento de Lucena, senhor de engenho, quando tinha 16 anos.
Tiveram cinco filhos.

Isabel da Silva foi batizada e crismada na Sé do Rio de Janeiro.
Não sabia ler nem escrever; mas administrava um patrimônio considerável.
Um engenho, escravos, gado.
Mantinha uma casa na cidade, com sete escravos, entre eles costureiras e rendeiras. Fazia negócios, comprava e vendia escravos, contratava serviços para o engenho, enviava mercadorias para serem vendidas nas minas de ouro.

Ao ser presa em 1712, tinha 27 anos.
Sabia muito bem o que deveria dizer no Tribunal da Inquisição.
Foi entregue nos cárceres dos Estaus, em Lisboa, no dia 11 de outubro de 1712; no dia 17 de outubro, iniciou sua confissão.
Metodicamente, denunciou a todos que conhecia.
Começou pelos pais.
Satisfez os inquisidores, não foi submetida à tortura e em julho de 1713 saiu em Auto de Fé, condenada a cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, tendo tido todos os seus bens confiscados.

Após a penitência, Isabel da Silva ficou morando em Lisboa.
Casou-se com Antonio de Morais, com quem não teve filhos.
Preocupava-se com seus filhos pequenos que haviam ficado no Rio de Janeiro.
Viúva novamente recebeu licença para voltar para o Brasil.

Izabel foi morar com os filhos em um engenho em Irajá.
Era o Campinho, engenho que havia sido confiscado pela Inquisição a Agostinho de Paredes e arrendado ao fisco por um cristão velho, Joaquim de Almeida Soares.
Por volta de 1723, uma das filhas de Izabel, Esperança, então com 18 anos, mantinha trato ilícito com o dono do engenho em que moravam.

Izabel preocupava-se também com seus sobrinhos, filhos de sua irmã Catarina Marques, que havia morrido em 1712, no navio em que ia presa para Lisboa.
Moravam com seu tutor, o padre Matias Gonçalves, cura da freguesia de Jacarepaguá, no engenho em que haviam nascido e se criado.

Um de seus sobrinhos, José da Silva, foi preso em 1723 (cerca de dez anos após a prisão da mãe) e penitenciado pela Inquisição de Lisboa.

Isabel da Silva considerou que a melhor maneira de seus filhos e sobrinhos se livrarem de uma pena maior e das torturas seria se eles se apresentassem ao Tribunal do Santo Ofício, isto é, que voluntariamente confessassem suas culpas, pois certamente, mais cedo ou mais tarde seriam presos (a Inquisição prendia sempre todos os membros de uma família).

Izabel elaborou um rol de pessoas para os filhos e sobrinhos denunciarem, e uma lista de práticas judaizantes para confessarem.
Instruiu-os sobre o que dizer na Mesa do Santo Ofício.

Após se apresentarem ao comissário do Santo Ofício no Rio de Janeiro, foram enviados para Lisboa, confessaram e denunciaram todos os cristãos novos que conheciam e em poucos meses foram condenados e penitenciados em Auto privado de Fé.

Imprudentemente, havia discutido o assunto com o tutor de seus sobrinhos e com o dono do engenho onde morava e um sobrinho deste.
Eles, entretanto, ficaram com medo do Tribunal.
Apresentaram-se ao Comissário no Rio de Janeiro e contaram ter participado de conversas com Izabel onde ela lhes contara seus planos.

Foi presa novamente em 1723 e enviada para Lisboa.
Ali chegando, confessou imediatamente o que fizera:
ensinara os filhos e sobrinhos em como enganar os inquisidores; fizera com que confessassem práticas e crenças que não tinham, que denunciassem pessoas que sequer conheciam, tendo para isso feito um rol de pessoas.
Declarou:

aconselhou seus filhos e sobrinhos para que se apresentassem, sendo que se tinham culpas pertencentes a esta Mesa, o que ela não podia saber pela educação que lhes dava, apresentando-se se livrassem da vexação de serem presos e não tendo culpas ficavam vivendo na lei de Cristo Senhor Nosso em que os tinha ensinado

Os inquisidores condenaram Izabel da Silva, porque induziu a seus filhos e sobrinhos para que denunciassem na mesa do Santo Ofício contra pessoas contra quem os mesmos depuseram.

Nas suas declarações, reafirmou que os filhos e sobrinhos viviam na Lei de Cristo, assim como ela; após a primeira prisão nunca mais havia judaizado.
Os inquisidores não a acusaram de heresia judaizante, mas sim de ter atentado contra a idoneidade do tribunal:

não declarou a verdadeira tenção que teve em aconselhar o sobredito falsamente, presumindo-se que ela ré maquinou por querer perturbar o reto ministério do Santo Ofício e desacreditar o procedimento e interesse de seus ministros

e mais estava convicta no crime de induzir pessoas a jurar em falso na mesa do Santo Ofício em matérias de heresia.

Isabel da Silva foi condenada ao açoite público e ao degredo de dez anos para o Algarve.
Saiu no Auto de Fé de 18 de maio de 1727 e quatro dias depois chegou ao Algarve.

Os filhos e sobrinhos, após terem sido penitenciados em 1723, continuaram a morar em Lisboa.

Os Inquisidores aceitaram a confissão de Izabel, e não acusaram os filhos e sobrinhos de heresia, mas sim de falsidade, e eles foram novamente presos.

Os cristãos novos do Rio de Janeiro, que após terem sido presos estavam em Lisboa, sabiam das denúncias que a família havia feito contra eles.
Chamados para depor, disseram que conheciam a história do rol; que os filhos e sobrinhos de Izabel não conheciam as pessoas a quem tinham denunciado porque viviam isolados nos engenhos.
Haviam mentido e prejudicado vários inocentes.

Assim, durante todo o período colonial os cristãos novos reuniam-se secretamente para transmitir o conhecimento do Judaísmo, mantendo uma memória que pesquisas feitas atualmente demonstram que, em parte, está ainda viva no seio de algumas famílias católicas, como reminiscências da antiga fé judaica.



Lina Gorenstein A Inquisição contra as mulheres.
São Paulo, Humanitas, 2005, p.319 e seg.

Anita Novinsky Inquisição
- Prisioneiros do Brasil, séculos XVI- XVIII.
Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002 e Lina Gorenstein "O Brasil marrano
- as pesquisas recentes"
- comunicação apresentada no Seminário Interno do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, 2005 e publicada no site http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br

Anita Novinsky Cristãos-novos na Bahia São Paulo, Perspectiva, 1972, cap.
"O Homem dividido" e Lina Gorenstein A inquisição contra as mulheres, op.cit.,p.387 e seg.

Anita Novinsky "Ser marrano em Minas Colonial" in Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Humanitas, n.40, julho de 2001, pp.161-176.

Primeira Visitação do Santo Oficio às Partes do Brasil
- Denunciações e confissões e Pernambuco (1593-1595).
Recife, Fundarpe, 1984
(introdução José Antonio Gonsalves de Mello), p.30 e seg.

Ângelo Adriano Faria de Assis Macabeas da Colônia:
criptojudaismo feminino na Bahia
- séc.XVI-XVII.
Niterói, UFF, Doutoramento, 2004, mimeo.

Primeira Visitação, op.cit., p.48

Lina Gorenstein A inquisição contra as mulheres, op.cit., p.63

Idem, p.74 e seg.

Anita Novinsky "Ser marrano em Minas colonial", op.cit.

Lina Gorenstein A inquisição contra as mulheres, op.cit., p.163 e seg.

Idem, 373 e seg.

Ibidem, p.346

Lina Gorenstein Ferreira da Silva Heréticos e Impuros - Inquisição e cristãos-novos no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro, Séc. Municipal de Cultura, Depto de Informação e Editoração, 1995, cap. 5 "A Igreja contra o Judaismo", p.101-113

Lina Gorenstein A Inquisição contra as mulheres, op.cit., p.274 e seg.

"Aquele que tiver medo das vaias, jamais conhecerá o aplauso".

Ouvir a voz do Espírito Santo, testificando com nosso espírito, através da Palavra de Deus é maravilhoso.
Lembrei-me de Jesus Cristo, que em todo tempo teve a certeza das vaias, conforme lhe predissera o próprio Satanás, no deserto (Mt 4.) e mesmo assim perseverou.
Graças a essa vitória conquistou a autoridade para justificação de nossos pecados. Esta é a evidência que interessa aos crentes conhecer, que o mundo, a carne e o diabo querem impedir o caminhar e principalmente, o trabalhar para o reino de Deus.

Judas Iscariotes andava com Jesus, ouvia o Mestre, via os milagres, participava das viagens, desfrutava da comida, controlava até as finanças, tal a intimidade.
Ouvia, também, as vaias, presenciava o falatório dos fariseus, acompanhava o rumor das ameaças contra a vida do Messias.
Podemos até imaginar um diálogo de Judas, com um daqueles seus conhecidos antigos: Você está louco, andando com esse lunático vai acabar se dando mal.
O que igualou Judas aos demais foi ter ouvido a voz que estimulava o papel de homem centrado nos valores sociais da época.
Teve medo das vaias, acreditou que pudesse receber aplausos; rendeu-se à carne, ao mundo e ao diabo.
Recebeu vaias; até hoje as recebe.

Outro exemplo clássico a ser lembrado é o de Jonas, que certamente pensou muito nas vaias que receberia em Nínive, pois o próprio Deus lhe disse que se tratava de um povo de malícias, e ele imaginando dificuldades, preferiu fugir da face do Senhor
(Jn 1).

Graças a Deus, a Bíblia está repleta de exemplos de homens que não se deixaram intimidar pelas regras estabelecidas pela sociedade em suas épocas, e contrariando o padrão, não tiveram medo das vaias, obtendo ao final, os aplausos.

Lembremo-nos de Davi, que enfrentou, além das vaias de Golias, também a dos seus próprios irmãos de sangue (1 Sm 17).
Podemos até ouvir, se atentarmos para o texto, as risadas (entendam-se vaias) dos filisteus contaminando os judeus, ao verem aquela figura de menino vestido com armadura de adulto, devem ter rido muito.
Não é à toa que o gigante o desprezou.
O que diferenciou Davi dos demais de seu povo foi não ter ouvido a voz que tentava impedir o seu impulso.
Graças a sua inabalável fé no Deus de Israel, tornou-se rei; a história contada, não é a dos que vaiaram.
Davi conheceu o aplauso.

Assim é com todo crente que perseverar, pois "herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu Filho".
Apocalipse 21:7 dá ao crente a promessa dos aplausos de ninguém menos que Jesus. Glórias a Deus!
Aleluias!

Para aquele, porém, que se deixar iludir pela possibilidade do aplauso, Apocalipse 21:8 revela a promessa de vaias do Senhor Jesus, tal como Ele mesmo as expressou "Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será o lago que arde com enxofre, que é a segunda morte".

Assim, irmãos, nosso aparente fracasso não significa que Deus está derrotado, prossigamos na constante busca de nossa santificação, para honra e glória do Senhor Jesus!

__________________________________________________________________

(Luiz Humberto Semeghini é cristão, cientista social, profissional da área de RH, consultor de empresas.)

Breves considerações sobre o trabalho

Quem são os Cristãos Novos ou Marranos?

Uma parte da sociedade brasileira, incluindo parte da comunidade judaica, desconhece tudo ou quase tudo sobre os marranos.
A outra parte tem conhecimentos superficiais, não muito precisos historicamente.
É comum, por exemplo, ouvir essas pessoas comentando que marranos eram os judeus portugueses que mudaram seus nomes hebraicos para portugueses, geralmente de plantas e animais.
Embora isso de fato tenha ocorrido como evidenciam alguns Oliveira, Pereira, Carneiro e Lobo, não só nomes identificados com a fauna e a flora foram usados por aqueles judeus.
O universo de nomes portugueses adotados pelos marranos engloba praticamente todos os nomes próprios usados pelos lusitanos, conforme constatamos em Raízes Judaicas no Brasil, de Flávio Mendes Carvalho.
Aos interessados no assunto recomendo meu livro Os Marranos e a Diáspora Sefardita.
Outro erro freqüente entre os que têm noções sobre os marranos é relacionar a designação com "porcos" da língua espanhola.
De fato, a tradução literal é coincidente, mas o termo "marrano" é muito mais transcendente, segundo explicações de especialistas como David Gonzalo Maeso
("A respeito da etimologia do vocábulo marrano", em Os Marranos, coletânea organizada por Nachman Falbel e Jacó Guinsburg)
e Elias Lipiner (Santa Inquisição: Terror e Linguagem).
Com base nestes estudos, semanticamente é mais correto e espiritualmente mais justo, entender o termo marrano como a junção das palavras hebraicas mar (amargo) e anussim (forçados).
Isto é:
os forçados amargamente a deixar o judaísmo.
Nesse ponto, o da religiosidade, há ainda aqueles que dizem que os marranos traíram o judaísmo para usufruir a vantagem de uma cômoda conversão ao catolicismo.
Qual a vantagem, pergunto?
A aparente vantagem era enganosa, e aqueles judeus sabiam e sentiam na pele que ao aceitar a religião imposta, aceitavam também ser julgados como hereges cristãos ao praticar ritos judaicos clandestinamente.
Então, uns poucos privilegiados
(e mesmo assim necessitando de muita sorte)
conseguiam sair de Portugal rumo à Holanda, Turquia, Marrocos, Brasil.
Outros realmente optavam por morrer queimados gritando o Shemá Israel!
E não foram poucos.
Os inquisidores, percebendo que a armadilha da conversão não atraía o número esperado de judeus que seriam logo acusados e condenados sumariamente, enquanto seus bens iam para a Igreja, trataram de fazer a Inquisição funcionar a pleno vapor. A metáfora lembra de perto os campos de extermínio nazistas.
Entrava em cena a "Fábrica de judeus", expressão criada pelo dominicano e deputado da Inquisição, Domingos de São Tomás (1640-1670).
Com isso, desde o final do século 15, milhares de judeus foram oficialmente tornados cristãos em Portugal, por decreto.
Nessa situação, não havia a opção nem de sair do país, nem de morrer na fogueira. Muitos se suicidaram!
não concordamos com um suicídio coletivo.
Nem a Torá concorda!
Quando Moshe Maimon respondeu aos judeus iemenitas no século 12, recomendou que aceitassem o Islão em vez do suicídio coletivo.
Em sua sabedoria, Maimon intuía que a história faria justiça aos descendentes daqueles judeus do Iêmen que foram obrigados a deixar sua fé mosaica.
A história também faria justiça aos marranos.
Quem acha que os marranos traíram o judaísmo por conveniência, comete duplo erro: histórico e moral.
Os marranos não tiveram opção.
Nem o suicídio era opção.
Torturados física e psicologicamente, mães assistiam, inertes, a seus filhos serem raptados pela Igreja para serem criados em lares católicos, enquanto outras crianças judias eram abandonadas na ilha africana de São Tomé para serem devoradas pelos animais.
Pergunto de novo:
Qual a vantagem do judeu se tornar cristão nessa sociedade?
Por último, o grande erro de muita gente é dizer que a Inquisição aconteceu "Há tanto tempo" que nenhum descendente daqueles judeus poderia reivindicar seu direito de pertencer ao povo de Israel hoje.
A história tem seu curso natural e não se apavora com 500 anos.
Os marranos brasileiros da atualidade que, por convicção própria, desejam retornar ao judaísmo devem ser acolhidos de braços abertos pela comunidade organizada.
A bem da verdade, as conversões forçadas em Portugal e Espanha se intensificaram há 500 anos.
A Inquisição só parou de perseguir os judeus nas primeiras décadas do século passado. Visto assim, a história é bem mais recente.
O trabalho por nós desenvolvido, no sentido de recuperar a herança judaico-marrana no Brasil, tem encontrado muita receptividade em pessoas apaixonadas pelo judaísmo, pelo Estado de Israel, pela cultura judaica, e que desejam sinceramente fazer o caminho de volta, teshuvá.
Felizmente, a receptividade por parte de rabinos, intelectuais e lideranças comunitárias judaicas tem sido muito favorável para receber e integrar comunitariamente também esses Filhos da Aliança.
Notas:


1) Ed. Nova Arcádia, São Paulo, 1992.
2) Ed. Capital Sefarad, São Paulo, 1995.
3) "Ouve ó Israel!", uma das principais orações da liturgia judaica, que reafirma a unicidade de Deus.

http://amigosisraelpiquete.tripod.com/

Uma mensagem a todos os membros de Assembleia de Deus no Brasil

Deus é aquele que da força ao cansado e multiplica a força daquele que não tem nenhum vigor.

"Os que esperam no senhor renovarão as suas forças, subiram com asas como águia, correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão"
(Isaias 40:29,31)

Deus nos fez para atingirmos as mais elevadas alturas como as águias mais, muitas vezes nos contentamos com os vôos rasantes dos pardais.
As águias renovam suas forças nas rochas e nossa rocha é o Senhor que nos fortalece e nos impulsiona para o alto, por que o melhor de Deus está por vir, por isso o Senhor nos diz
"Um aos outro ajudou e ao companheiro disse esforça-te"
Nada e ninguém pode nos impedir de alcançarmos aquilo que é, por direito, nosso!
Ainda que o inferno se levante, ainda que pareça difícil, ainda que tudo diga que você não vai conseguir...
Deus, lá no céu, diz:
Ninguém vai poder parar você!

Então marche, acerte um alvo, pois é; na alegria ou na dor, na benção ou no deserto!

Pastor Adão

Foco na Solução sempre...

Um paciente vai num consultório e diz pro psiquiatra:*

- Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo.
Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima.
Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima.
Estou ficando maluco! *

- Deixe-me tratar de você durante dois anos.
- diz o psiquiatra.
- Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.

- E quanto o senhor cobra?
- pergunta o paciente.

- R$ 120,00 por sessão
- responde o psiquiatra. *

- Bem, eu vou pensar
- conclui o sujeito.

Passados seis meses, eles se encontram na rua.

- Por que você não me procurou mais?
- pergunta o psiquiatra.

- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos = R$ 37.440,00, ia ficar caro demais, aí um sujeito num bar me curou por 10 reais.*

- Ah é? Como?
- pergunta o psiquiatra.

O sujeito responde:

- Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama...



Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples.


*HÁ GRANDE DIFERENÇA ENTRE:
foco no problema e foco na solução...*
*Foque uma solução ao invés de ficar pensando no problema.*

22 de abr de 2010

JESUS


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Almas perfumadas

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri...

Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso, numa tarde extensa, sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce, da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro... Tem gente que tem o cheiro das estrelas que o Criador acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível: a gente tem certeza.

Ao lado delas a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda.

Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim.

Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro.

Ao lado delas, a gente lembra que, no instante em que rimos, uma grande paz toma conta de nós. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Sua alma é "perfumada"? Você também pode ser assim...

Chris Duran - Sopra



O sangue de Jesus resgata, liberta, tira a opressão e nos salva!!! Obedecei o IDE do Senhor... falei aos que não o conhece

Sonhos de Deus - Chris Durán




Os sonhos de Deus sempre se concretizarão, e quando você os alcançar, então saberás que Deus sempre esteve contigo, mesmo nos momentos mais terríveis da vida.

Eyshila - Tira-me do vale

É assim que eu quero te adorar Eyshila




Adorar a Deus sem esperar algo em troca...somente por te amar!!

16 de abr de 2010

O domínio da imaginação

Do mesmo modo que o consumo excessivo e habitual de álcool acaba por provocar uma habituação fisiológica que leva ao alcoolismo, o consumo excessivo do erótico provoca uma dependência inevitável e uma sobreexcitação habitual, ao mesmo tempo que reduz a capacidade de contemplação estética da sexualidade.
Como o paladar estragado pelo picante, o gosto sexual estragado pelo erótico necessita de níveis cada vez maiores de excitação.
Torna-se incapaz de gostar dos sabores delicados e começa a procurar sensações cada vez mais artificiosas e violentas, até terminar nalgum dos muitos desvios possíveis e no aborrecimento mais completo.

Sobrealimentar o instinto sexual conduz a um funcionamento desorganizado da imaginação e dos desejos sexuais, do mesmo modo que, se um motor tem demasiada gasolina dentro, não funciona bem, afoga-se.
Se uma quantidade excessiva de álcool tem como consequência inevitável a embriaguês, também o sexo tem um tipo de embriaguês particular.

Já vimos que a ruptura interior faz com que o instinto não esteja dominado totalmente pela liberdade.
Por vezes pode haver uma resposta psicológica ou fisiológica desordenada e à margem da vontade.
Também neste caso, há que distinguir entre o mero descontrolo dos instintos e a vontade que consente o mal.
Sentir não é consentir.
A falta de domínio pode fazer que venham à imaginação todo o tipo de imagens estranhas, como pode provocar os desejos mais violentos de qualquer aberração.

Nesses casos, basta que a vontade se oponha e se distancie desses sentimentos, que muitas vezes não se podem evitar.
E essa vontade levará a afastar-se, dentro do possível, do motivo ou das ocasiões que o produzem.
Travar esses impulsos da imaginação e do desejo é o único meio de ir educando essas faculdades, para que sirvam adequadamente à capacidade de amar que temos.
Só essa educação conseguirá integrar os diversos níveis da nossa sexualidade e fazer que o corpo e a mente sejam bons instrumentos do nosso amor.

O domínio dos sentidos

Num momento, como o atual, em que é tão grande a carga erótica das modas, meios de comunicação, etc., muitos perguntam-se como manter uma atitude correta quanto à estética da sexualidade.
Convém aqui recordar que ver não é o mesmo que olhar.
É inevitável ver muitas coisas que não se deve
O que se pode evitar é olhá-las, reparar nos pormenores, o adoptar essa atitude que contempla os aspectos do objeTo apetitoso que o outro apresenta.

Para educar a vista, requer-se um contínuo domínio dos olhos, que rejeite tudo aquilo que vá contra as leis do pudor antes mencionadas.
Necessitamos ter uns olhos e uma imaginação treinados a considerar as pessoas como tais não como objetos.
Quem se deixa levar pelo atractivo sexual imediato do corpo, cai inevitavelmente numa consideração animal do outro e provoca o disparo do próprio instinto.
Quando uma pessoa tem o hábito de deixar-se arrastar pelos olhos, não pode evitar que o seu cérebro tenha uma carga excessiva de erotismo.

O que dizemos dos olhos, pode-se aplicar ao ouvido, ao tato, etc.
Quando algo provoca um disparo da excitação, é necessário evitá-lo, porque se não, cair-se-á inevitavelmente sob o domínio descontrolado do instinto animal.
Aqui há que distinguir entre sentir e consentir.
Para educar a sensibilidade, a vontade terá que lutar com uma dinâmica que nem sempre domina.
Como sucede com o cavalo que ainda não está domado, por vezes o domínio pode realizar-se só distanciando a vontade do que se sente, rejeitando essa resposta fisiológica que não dominamos.
Pouco a pouco, este exercício fará com que o nosso corpo esteja cada vez mais educado.
Necessitamos educar a nossa própria sexualidade, aprender a viver o nosso próprio corpo e o corpo dos outros como parte duma personalidade espiritual, como expressão duma alma que é capaz de amar e merece ser respeitada.

A representação da intimidade conjugal

Dentro do campo que estamos analisando, coloca-se a questão de se é possível uma representação digna e nobre da intimidado conjugal.
Para resolver a questão, há que considerar que o essencial dessa intimidade é a mútua entrega das pessoas.
Sem a entrega do coração e da vida inteira, essa intimidade seria má.
O problema é que a diferença entre a prostituição e a intimidade conjugal não é apreciável sob a perspectiva visual.

A contemplação visual do acto sexual não serve para expressar artisticamente o amor pessoal, porque a força do carnal impõe-se de modo espontâneo.
Para exprimir o amor, são muito mais gráficos certos gestos e expressões do que a intimidade conjugal, de uma interpretação meramente carnal.

Por esta razão, os que se amam, procuram a intimidade, estar resguardados de olhares estranhos.
Não porque vão fazer algo vergonhoso, mas porque a vista não transmite a verdade de um amor autêntico. O que é expressão de carinho pode ser interpretado como mero uso sexual.
E aqueles que se amam não estão dispostos a sofrer a vergonha de semelhantes interpretações.
Só os animais, e nem sequer muitos deles, fazem o acto sexual à vista de outros.
A intimidade pessoal autêntica exige uma intimidade e discrição físicas, uma segurança exterior.
Por isso, entre outras coisas, todo o casal precisa de ter a sua própria casa.
E por isso nenhuma representação artística da intimidade conjugal faz justiça à verdade dessa relação.
Não é possível uma representação artística digna e moral dessa intimidade.
É inevitável que seja interpretada por muitos, ainda que sem culpa, ao nível da simples prostituição.
Quando uma pessoa não se importa com isso, é que perdeu a sua dignidade pessoal.
Não lhe resta já uma intimidade a salvaguardar.
É puro objeto.

As condições da nudez

Quando determinadas circunstâncias profissionais exigem que uma pessoa se dispa, para salvar a intimidade e a dignidade pessoal requerem-se um conjunto de condições que defendam essa dignidade.
Em primeiro lugar, ante o perigo sempre real de uma inadequada interpretação dessa situação, é preciso que essa nudez seja necessária para um fim digno e nobre.
É o caso de uma consulta médica ou de um modelo artístico.
A dignidade própria da relação médica ou da autêntica criação de beleza fazem com que a nudez fique justificada.

Mas é necessário criar uma situação adequada, que afaste todo o perigo para a dignidade pessoal do paciente ou do modelo.
A presença duma terceira pessoa na consulta médica foi sempre um fator elementar de prudência, já que anula uma série de possíveis dificuldades e favorece a percepção dos aspectos estritamente profissionais da situação.

No caso do modelo de arte, a rectidão e limpeza da situação fica afirmada pela seriedade, a profissionalidade, a amplitude e a distância necessárias e pela ausência de qualquer outro factor que não seja a busca da beleza.
Muitos pintores e estudantes de belas-artes poderão confirmar que essa busca justifica a necessidade da nudez e torna digna a situação do modelo.
Do mesmo modo, outros poderão saber que, por não cuidar dos pormenores, essa relação pode-se corromper e ser ocasião de mal.

A intimidade corporal e a entrega

Uma vez que as condições ambientais, técnicas, culturais, estabelecem as leis próprias do pudor, define-se espontaneamente a fronteira entre o pudico e o impudico. E estabelece-se o limite natural da intimidade pessoal.
O vestuário tem a função de personalizar o corpo, de expressar a própria personalidade.
Por isso tem a função de estabelecer o grau de relação com uma determinada pessoa. Quando as leis do pudor estabeleceram o que define a intimidade corporal, estabelece-se uma união entre a intimidade pessoal e a intimidade corporal.
As duas caminham a par, porque a pessoa é ao mesmo tempo corpo e espírito.
Quando se entrega o corpo, entrega-se a própria pessoa.
E quando se abre a intimidade corporal, abre-se a intimidade pessoal.
Separar esses dois fatores produz uma ruptura interior da pessoa.
Como a pessoa é indissociavelmente corporal, para criar um espaço de intimidade espiritual, de riqueza interior pessoal, tem de se criar um espaço de intimidade corporal.
Todos os torturadores sabem que a nudez corporal é um modo muito eficaz de rebaixar e destruir a dignidade e a resistência interna das pessoas.
Quando uma pessoa não defende a sua própria intimidade corporal, isso significa que não tem uma intimidade pessoal a salvar.

A prostituição destrói o mais íntimo das pessoas, por isso provoca tanta pena ou tanta repugnância.
Quem entrega o corpo sem entregar a alma, prostitui-se.
Quem entrega a intimidade corporal sem entregar a intimidade pessoal, prostitui-se.

Por isso, a nudez, a abertura da intimidade corporal, deve estar sempre ligada à entrega mútua e total da própria pessoa, que se realiza no matrimónio.
A nudez é sinal de abandono e entrega plena, por isso tem de haver uma entrega mútua e para sempre; doutra forma, haveria prostituição por parte de um ou de outro.
Se a nudez não é expressão de uma entrega pessoal, então é porque essa pessoa se está apresentando perante os outros como simples objeto, com o seu inevitável valor sexual em primeiro plano.

As leis do pudor

Para saber o que é o pudor e o impudor no homem e na mulher, cada um deles deve ter em conta a diferença natural de percepção do outro.
Já referimos que o homem reage naturalmente, de modo automático, perante os valores meramente carnais do sexo feminino, enquanto que a mulher não sente habitualmente essa mesma atração imediata perante o corpo do homem.

Por outro lado, o que é pudico ou impudico depende da situação em que nos encontramos e da função que tem que cumprir o vestuário.
Não é o mesmo estar a tomar banho que estar numa festa.
O que é perfeitamente apresentável como fato de banho, é totalmente inadequado como fato de festa.
Aparecer numa festa de sociedade em fato de banho, é apresentar-se de modo impudico, destacar o estritamente sexual.
E assim o sentirão todos os presentes.

O pudor não se pode reduzir, portanto, a centímetros de roupa. Depende de um conjunto de factores que influem na percepção que os outros têm de nós. Depende das diversas situações e da função do vestuário e depende também dos costumes no modo de vestir. Se, numa sociedade em que todas as mulheres andassem com as saias até ao tornozelo, uma se apresentasse com a saia a meio da perna, chamaria a atenção. E a atenção recairia sobre aspectos significativamente sexuais.

Por outro lado, as mesmas mulheres que andavam com as saias até ao tornozelo, quando chegava a hora de ir trabalhar para a horta, não tinham nenhuma dúvida em recolher as saias, pois a situação assim o exigia, para não estragar a pouca roupa que tinham.
E ninguém considerava que aquilo fosse impudico.
Se todas as mulheres andam com a saia a meia perna, isso não chamará a atenção, nem provocará uma consideração basicamente sexual do corpo.
Mas nem tudo é uma questão de costume.
Há certas leis características da percepção que reclamam a atenção sobre um ou outro aspecto do corpo.
Determinados tipos de decotes ou mini-saias, roupas cingidas, etc., não podem deixar de chamar a atenção sobre os aspectos provocativamente sexuais do corpo feminino.
E não é questão de mais ou menos roupa.
Pode ter mais roupa e menos pudor.
Podemos ver isso, nalguns casos, na nossa sociedade.

Isto é também o caso de certas tribos sem cultura nem técnica, que habitam em zonas húmidas e quentes.
As circunstâncias de ambiente e a sua falta de técnica tornam impossível a roupa adequada, pelo que andam quase nus.
O pudor costuma expressarse dissimulando o estritamente sexual, mediante uma simples faixa.
Mas quando uma mulher quer chamar a atenção do homem, o que faz é precisamente cobrir o peito.
As leis da percepção fazem que isso chame mais a atenção, uma vez que nunca anda coberta.
E o que não se vê, mas se imagina, é mais provocativo que o que se vê normalmente, porque as circunstâncias fazem que esse modo elementar de vestir seja o único possível e, portanto, que seja pudico.
Nessas circunstâncias, a percepção do conjunto da sociedade está habituada a expressar o pudor e o impudor sempre da mesma maneira.

Uma percepção deste género seria impossível num lugar como o nosso, no qual o clima exige cobrir-se em determinadas épocas.
O simples fato de andar vestido em certas alturas altera totalmente a percepção da intimidade corporal.
Se estamos habituados a ver-nos vestidos, a nudez tem um significado totalmente diferente, destaca uma "disponibilidade" sexual que não se apresenta na percepção de quem por necessidade anda habitualmente nu.
Há aqui uma legalidade natural que nenhuma vontade pode alterar, nem sequer pelo desejo de uma pretendida naturalidade.
O natural para o homem depende da sua formação cultural, pois essa formação altera a sua constituição neuronal e estabelece modos naturais de percepção, dificilmente alteráveis.
O fenómeno contemporâneo da perda do pudor e do nudismo é algo totalmente diferente da nudez habitual e constante dos "bons selvagens".

O sentido do pudor

Se o corpo é expressão da alma, a educação do corpo levará a apresentá-lo como manifestação adequada do ser espiritual da pessoa.
A intimidade pessoal tem também um reflexo na intimidade corporal.
Já indicámos a diferença entre o domínio total do corpo que nos descreve o Génesis e a situação actual de ruptura interior.

O pudor é o aspecto da educação que nos leva a apresentar-nos, sempre como pessoas com alma e corpo.
É a defesa do aspecto pessoal do corpo, é evitar que apareça como simples objecto sexual.
Uma vez que essa experiência do corpo como simples objeto apetitoso está dentro das possibilidades normais de qualquer pessoa, quando nos apresentamos junto dos outros procuramos evitar-lhes que caiam numa consideração meramente animal do nosso próprio corpo.
E assim evitamos ser considerados como animais.
Porque o nosso corpo é parte da nossa pessoa.
O pudor consiste em apresentar o carácter pessoal do corpo.
O impudor consiste em apresentar-se como objecto sexual, em destacar o estritamente sexual, de maneira que chame a atenção do outro de maneira imediata.