CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA

CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA
CIRCULO DE ORAÇÃO DE SOROCABA - SEDE

1 de abr de 2010

NOVO CONCEITO QUANTO AOS MÉTODOS DE CONQUISTA DE ALMAS

Pode um crente tranquilo, reservado e tímido transformar-se num conquistador de almas?
Será possível ao crente comum passar a ser um ganhador de almas de grande eficácia ?
Neste capítulo procuraremos introduzir um inteiro novo conceito quanto aos métodos de conquista de almas.
Até onde vai o conhecimento deste autor, esta é a primeira vez em que os princípios, a filosofia e a ciência desse novo método já foram apresentados.
Este autor está plenamente convicto que esta abordagem muito recente e no entanto muito antiga se tem mostrado o método mais eficaz de ganhar almas para Cristo que já foi posto em ação nos tempos modernos.
Não somente tem produzido um maior número de ganhadores de almas; mas também tem produzido conquistadores de almas mais eficazes do que qualquer outro conceito dos últimos duzentos anos.
Para principiar, este autor deseja dirigir-se por alguns instantes, não ao pastor, mas ao teólogo que porventura apanhe este livro para ler.
Até agora, esse novo conceito tem sido acolhido quase unanimemente por todos que vieram a compreendê-lo.
Ao tornar-se mais largamente conhecido, segundo todas as leis da história, estará destnado a cair sob as vistas dos críticos.
Desejo dizer-te isto, antes de atirares a primeira pedra crítica:
por favor, não derrubes esta casa, a menos que possas e realmente edifiques uma melhor.
Se puderes encontrar uma abordagem melhor, relativa à conquista de almas, mais de acordo com os ditames do Novo Testamento, então terás prestado à humanidade um de seus maiores serviços.
Além disso, se tiveres algo para dizer, adquire primeiro o direito de dizê-lo, sendo um eficaz conquistador de almas. Todo o raciocínio teológico (do que este autor é absolutamente incapaz) pode ser muito profundo, e parecer perfeitamente correto; mas aquele que fala é um evangelista pessoal ?
Enquanto não o fores não terás adquirido o direito de falar sobre o assunto.
Por favor, enquanto essas duas qualificações não se cumprirem, não atires tuas pedras.

O CONCEITO QUE SE PERDEU

Temos negligenciado o maior princípio do testemunho.
Essa negligência tem impedido que a conquista de almas se torne uma parte natural da vida cristã.
O princípio é o seguinte:
* A fim de que sejas um eficaz conquistador de almas,
DEVES APRENDER A TRABALHAR COM O ESPIRITO SANTO.
Sem que o percebêssemos, temos edificado nossos métodos passados de conquista de almas sobre um conceito que deixa quase completamente de lado o Espírito Santo.
Ilustremos isso.
Em quase todos os livros escritos sobre a conquista de almas, sob o capítulo intitulado "Como Começar", somos informados simplesmente por começar a conversa perguntando:
"Você é crente?" ou:
"Você já está salvo?"
ou:
"Você já conhece a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal?"
Ora, isso é trabalhar com o Espírito Santo ?
Suponhamos que um crente esteja sentado em companhia de um homem perdido, e que então se volte para êle e indague:
"Você já está salvo ?"
A pergunta como que cai do céu, violenta e severa.
Quanto tempo o possível conquistador de almas realmente deu ao Espírito Santo para que trabalhasse no coração do homem com quem está conversando ?
Quanto tempo o Espírito Santo tem para prepará-lo para uma pergunta assim tão direta e crua ?
Nem mesmo um segundo.
O homem perdido fica abalado com um começo tão abrupto.
O Espírito Santo não tem a menor oportunidade de preparar o coração do homem.
Os resultados quase sempre são os mais desastrosos.
Outrossim, a maioria dos crentes se mostra totalmente incapaz de um evangelismo agressivo, eficaz.
Consideremos agora o ministério de Jesus Cristo.
Até Êle sabia ser necessário trabalhar em cooperação com o Espírito Santo.
Vemos isso, mui vividamente, em Sua conversa com a mulher, à beira do poço, que lhe conquistou a alma
Êle não começou a conversar perguntando-lhe subitamente:
"Você já nasceu de novo ?"
ou:
"Você tem certeza que vai para o céu ?"
Mas antes, começou lenta¬mente, dando tempo ao Espírito Santo para que preparasse o coração dela, e para que a convencesse de sua necessidade de alma.
Em nosso próprio vernáculo, Êle teria dito:
"Posso ter um copo de água ?"
Desse ponto em diante Êle gradualmente moveu a conversa, de um nível espiritual médio, elevando-a bem lentamente, até que chegou a tratar da vida eterna, até que finalmente a atraiu para Si.
Deu ao Espírito Santo bastante tempo para que fizesse Sua obra de convicção.
Que teria ocorrido se Jesus houvesse começado Sua conversa com essa sentença "Aquele de quem estás falando, é justamente o que fala contigo", ao invés de Sua primeira sentença "Dá-me um pouco de água", Só teria cortado qualquer conversa com ela.
É impossível ao crente testificar com eficácia a menos que dê ao Espírito Santo a oportunidade de preparar o coração do pecador.
Também é interessante notar que a mulher samaritana apresentou muitos argumentos e desculpas durante o decurso da conversa.
Jesus diferentemente de nós não respondeu a qualquer dessas perguntas !
Pelo contrário, Êle dirigiu a conversa de modo a evitá-las, e sempre subiu para um plano de pensamento mais alto, mais espiritual.
Que dizer sobre Nicodemos, porém?
Até parece óbvio que Jesus não estava trabalhando junto com o Espírito Santo quando falou a Nicodemos.
Nicodemos bateu na porta e entrou.
Sem mesmo uma saudação, Jesus enfrentou Nicodemos com a declaração:
"É necessário que nasças de novo".
Quão abrupto !
Qual a diferença entre o modo como Jesus testificou a Nicodemos e a maneira como testificou à mulher, à beira do poço ?
A diferença é a seguinte:
O Espírito Santo já havia agido no coração de Nicodemos.
Provavelmente já estava muito pertubado, convicto de seus pecados.
Essa é a razão por que veio ter com Jesus.
Por outro lado, a mulher samaritana provavelmente não tivera sequer um pensamento espiritual durante meses. Estava inteiramente despreocupada quanto à sua alma.
Se Jesus houvesse sido tão abrupto com ela, sem duvida teria obtido os mesmos resultados que nós, quando nos mostramos abruptos.
Ela ter-se-ia cercado de uma barreira impenetrável.
Jesus não era assim insensato.
Precisamos fazer esta indagação:
a maioria das pessoas se assemelha a Nicodemos ou se assemelha à mulher à beira do poço ?
Quantas pessoas chegam em tua porta, pedindo-te que lhes mostre como encontrar Cristo como seu Salvador?
Isso não acontece conosco mais do que uma ou duas vezes em toda a nossa vida.
A maioria das pessoas é como a mulher à beira do poço.
Não têm qualquer pensamento espiritual durante meses a fio Basta que as abordemos abruptamente para nunca mais conseguirmos chegar ao seu coração.
Mas, se iniciarmos lentamente a conversação, a exemplo de Jesus, para nossa admiração essas mesmas pessoas tão difíceis de abordar se tornam maleáveis e tratáveis.
Qual o segredo ?
Estaremos trabalhando em cooperação com o Espírito Santo.

I. COMEÇO DE CONVERSA COM UMA PESSOA PERDIDA

Quais são os problemas que enfrentamos quando, começando a conversar com alguém, queremos conduzir esse alguém a Cristo ?
O primeiro problema é que o crente está "transido de medo".
Esse é o maior problema no evangelismo pessoal.
Na longa lista de qualificações positivas e negativas, o medo avulta em primeiro lugar, segundo a maioria dos compêndios (tais como: conheça a Palavra; tenha compaixão; decore passagens bíblicas; tenha consciência da necessidade da alma; viva uma vida pura; etc).
Não são essas miríades de coisas que alistamos que impedem um crente de ser um ganhador de almas.
O grande fato é que o crente comum, em uma igreja evangélica de hoje em dia, deseja intensamente ser um conquistador de almas.
Mas o fato é que os crentes simplesmente não sabem como ganhar almas.
Essa falta de conhecimento é que produz o medo.
Os métodos que têm empregado deixaram-nos em situações tão terríveis que abandonaram a ideia de pescar almas.
A conquista de almas, sem sombra de dúvidas, é o pensamento mais aterrorizante na vida de um crente comum.
O que é maravilhoso, porém, é que quando o crente aprende a trabalhar em cooperação com o Espírito Santo, desaparece-lhe o problema do medo.
Pode testificar com a calma que experimenta nas suas conversas ordinárias.
O segundo grande problema é o ressentimento da parte daqueles com quem desejamos falar.
Por que surgiu essa resistência?
Porque o crente não sabe como iniciar seu testemunho.
A maioria dos crentes finalmente chega ao ponto da conversa onde sabem que devem começar testificando, e, sem qualquer observação preparatória; a fim de amortecer o choque, irrompe com:
"Você já está salvo ?"
Tomemos a posição da pessoa incrédula por alguns instantes.
A maioria dos crentes tem ficado convencida que todas as pessoas perdidas são endurecidas, ressentidas, antagónicas ao testemunho cristão.
Nada poderia estar mais afastado da verdade.
Porém, quando abordamos assim abruptamente a uma pessoa perdida, sua natureza carnal se rebela.
E ela dispara seu "mecanismo de defesa" uma barreira.
Quase com desprezo, volta-se e lança um olhar como se dissesse:

"E daí?
Sou tão bom quanto você".
Imediatamente o crente menos avisado adquire a impressão que essa pessoa, e todos os perdidos, são extremamente difíceis de abordar, não tendo desejo algum de serem esclarecidos quanto à vida eterna.
Mas a grande realidade é que a falha foi de nossa 7 parte, porquanto testificamos segundo a energia da carne, sem a assistência do Espírito Santo.
O terceiro problema que enfrentamos, ao iniciar conversa com um homem, é que êle invariavelmente responde com um "Sim, sou cristão'", quando lhe fazemos essa pergunta.
Isso acontece por nove vezes em cada dez.
Lembro--me bem de um homem a quem visitei em sua casa, e que estava com meio copo de whiskey na mão.
No momento mesmo em que lhe fizemos a pergunta, inclinou-se para trás com um ar de retidão e emborcou o copo, ao mesmo tempo dizia:
"Sim, certamente
(gole) sou cristão".
Ninguém pode descobrir se um homem é crente, fa-zendo-lhe tal pergunta.
Virtualmente todos responderão na afirmativa.
A maioria das pessoas não faz ideia se está salva ou perdida.
Mais adiante, neste mesmo capítulo, aprenderemos uma maneira inteiramente diferente de descobrir se alguém realmente é crente.
Há um modo de descobrirmos se alguém é crente, sem fazer-lhe tal pergunta.
Êle nos dirá se é crente ou não, sem mesmo saber se nos disse isso !
Por enquanto, todavia, consideremos a situação conforme a encontramos.
Dois homens estão conversando.
Um deles procura testificar ao outro.
O crente está assus¬tado; o outro homem está indignado.
O crente não pode descobrir se o homem está realmente perdido ou não.
Que situação.
Não admira que a maioria de nós não seja capaz de ganhar almas!
Qual é a solução ?
Trabalhar em cooperação com o Espírito Santo!
E AQUI ESTÁ COMO FAZÊ-LO:

Começa a conversa num plano suave.
Vai ao encontro da pessoa perdida no nível em que ela se encontra, e não no nível onde desejas que ela esteja.
Se ela é uma pessoa desinteressada, então jamais deves começar no ponto do conflito máximo (isto é, "Você está salvo?") Começa gradualmente, e o Espirito Santo criará interesse em seu coração.
Gradualmente vai conduzindo a conversa para onde queres permitindo que o Espírito Santo prepare o coração daquela pessoa com uma sentença, para que esteja apta a aceitar outra sentença, um pouquinho mais pessoal e então outra.
Finalmente, tendo o Espírito Santo empregado cada sentença a fim de preparar o caminho para a próxima, poderás fazer a pergunta mais importante de todas, a qual, se houvesse sido utilizada no princípio, teria produzido uma terriveí tensão entre ti e teu interlocutor.
Ficarás admirado por descobrir quão bem o Espírito Santo fêz a Sua obra.
O perdido estará pronto para receber de bom grado a pergunta, e nenhuma tensão se verificará.
Como vês, se o crente começa lentamente, ao imiscuir-se na área pessoal da vida de uma pessoa, o primeiro resultado é que o crente não ficará assustado.
E o perdido, posto não haver sido esbofeteado com uma pergunta direta e abrupta, começa a conversar com o crente sobre um tópico espiritual suave.
Então não fica mais tenso.
Não teme mais que o crente tente pressioná-lo para dentro de alguma coisa.
E assim o perdido adquire confiança no ganhador de almas.
As duas pessoas não demoram a ficar à vontade, naturais em sua conversa.
E a pessoa perdida "abrirá o seu coração" e começará a falar sobre assuntos que talvez com raridade tenha discutido antes.
Não ficará indignada.
A conversa se encaminhará, gradual mas naturalmente, para níveis espirituais mais profundos.
Basta que se remova o problema do temor, por parte do crente, e do ressentimento, por parte da pessoa perdida e terão sido resolvidos os dois maiores problemas da conquista de almas.

1. Como Começar Gradualmente uma Conversa

É verdadeiramente maravilhoso ver como o Espírito Santo prepara um coração quando o crente está testificando com um objetivo prescrito em mente.
O crente sempre sabe exatamente onde quer chegar.
Nunca se perde no meio do caminho.
Fazendo perguntas suaves no princípio, o crente dá ao Espírito Santo o tempo de despertar no perdido a convicção.
Porém, dando ouvidos atenciosos, também poderá aprender muita coisa sobre o perdido. E assim este é inconscientemente forçado a manter sua atenção sobre um tópico espiritual.
Essa concentração em um assunto espiritual dá ao Espírito Santo terreno fértil para Sua atuação.
O crente pode começar conversando, como pescador de almas, do seguinte modo:
"Roberto, há quanto tempo você vive aqui?"
("Cerca de dois anos").
"E desde que você se mudou para aqui, você e sua esposa têm pensado alguma coisa sobre questões espirituais ?"
O crente pode esperar pela resposta.
Roberto pode responder "Sim", ou "Não".
E o crente então pode passar para a próxima indagação de modo muito suave e natural, enquanto que o interesse da pessoa perdida começa a despertar suavemente.
(Cada pergunta deve ser formulada de tal modo que a despeito da resposta o crente possa passar para o passo seguinte.
Dessa maneira, o crente sempre sabe o que fazer em seguida.
Jamais terá de enfrentar um "grande desconhecido" quando está testificando).
O crente poderá então dizer:
"Roberto, em sua opinião qual o maior necessidade espiritual de uma pessoa ?"
A pessoa perdida responderá com "Ir à igreja, penso eu"; ou então:
"Orar"; ou talvez:
"Não sei, francamente".
E assim o crente, com naturalidade, passará para a próxima pergunta.
A conversa estará se avizinhando cada vez mais do ponto principal, mas paulatinamente.
"Você já ouviu falar nas quatro leis espirituais ?"
Naturalmente que Roberto responderá na negativa.
O crente terá acabado de introduzir um assunto que aguça a curiosidade.
Então poderá dizer:
"Essas são as leis espirituais que governam nossa vida e nosso destino eterno.
Já houve ocasião em sua vida quando pensou sobre sua necessidade da vida eterna ?"*
Nota bem:
O ganhador de almas está empregando termos usados na conversa diária.
Êle mesmo estará introduzindo os pensamentos básicos.
Estará orientando a conversa.
E a pessoa perdida mui naturalmente aproveitará esses termos e os usará em suas respostas.
Aqui, uma vez mais, o ganhador de almas terá fornecido ao Espírito Santo a oportunidade da trabalhar, pois de cada vez que o perdido usa esses pensamentos e termos, seu sentido cala mais fundo em sua consciência.
Já desgastamos termos como "perdido", "salvo", "nascer de novo" e "Você é crente ?" quando nos dirigimos aos incrédulos.
Os termos empregados nessa abordagem gradual são todos relativamente novos.
A pessoa perdida nem se sente ofendida com eles, nem percebe exatamente em que direção a conversa está seguindo.
Portanto, responde sem sentir-se tenso.

2. Como Descobrir se urna Pessoa é Crente

Mais ou menos na quarta ou quinta pergunta, depen¬dendo de como o interlocutor estiver reagindo, aparece a pergunta mais importante de todas.

* A pessoa perdida talvez responda:
"Sim, já pensei".
Isso., como é óbvio, nos diz duas coisas:
Essa pessoa não é crente, mas está interessada.
Se ela replicar com um "Não", então saberemos que ela ainda não é crente mui naturalmente poderá passar para o passo seguinte).
E essa pergunta cabe ali mui naturalmente.

Nesta altura, queremos apresentar um conceito que haverá de revolucionar o evangelismo.
Responde à pergunta:
"Como pode o crente descobrir se outra pessoa está convertida ou não ?"
No capítulo sobre o recenseamento religioso, salientamos o fato que muitas das denominações evangélicas de hoje não mais frisam a necessidade de salvação.
As cidades estão literalmente cheias de membros perdidos de igrejas evangélicas (a maioria dos quais não tem estado na igreja durante anos).
Deveria ser teu alvo, bem como de tua igreja, visitar, em seus lares, cada um desses membros inativos de igrejas.
Não tens o direito de criticá-los antes de fazeres isso.
Jamais devemos incorrer no erro de supor que essa gente está salva; e nem também devemos incorrer no erro de pensar que estão automaticamente perdidos.
Mas tua tarefa consiste em visitar-lhes os lares, para descobrires qual a situação real.
Os crentes visitam uma casa de família a fim de fazerem uma descoberta.
Precisamos descobrir se essa gente realmente foi regenerada, ou se de fato está perdida mas sem fazer-lhes qualquer pergunta.
(Posto que a indagação quase sempre é respondida com um "Sim").
Então podemos escancarar toda uma nova avenida de testemunho cristão.
Desse modo, podemos começar a trabalhar com o maior campo não-evangelizado da terra: os membros de igrejas evangélicas.
A igreja dotada de mente evangelística pode quadruplicar o número de possíveis interessados ao descobrir quais os salvos e quais os perdidos.
Acresce que os membros perdidos de igrejas necessitam de Jesus Cristo tanto quanto qualquer outro.
Como isso pode ser feito ?
É muito simples:
Ao invés de perguntares a um homem se êle é crente, pergunta-lhe o que pensa que é um crente.
Aqui está uma lei quase infalível:
Se pudermos descobrir o que um homem pensa que precisa ser feito para alguém tornar-se um crente, descobriremos se êle é crente ou não.
Vejamos a mesma coisa do outro lado.
Procura descobrir o que um homem pensa que precisa fazer para ir ao céu, e saberás se êle está salvo ou não.
Existe uma coisa que todo filho regenerado de Deus sabe, ainda quando não saiba outra coisa:
sabe que não se tornou crente por estar vivendo uma vida correta.
Poderá fazer esta pergunta:
"Roberto, em sua opinião, o que uma pessoa precisa fazer para ser crente ?"
(ou "para ir para o céu" ?)
Por algum motivo, as pessoas perdidas gostam de responder a essa pergunta.
Geralmente se recostam e dizem:
"Bem, vou dizer-lhe o que» creio.
Se uma pessoa levar uma vida decente, pagar as suas dívidas, e esforçar-se o melhor que possa, chegará ao céu".
Ora, esse é o raciocínio depravado de uma mente perdida, legalista.
Um filho da graça jamais fará tal assertiva.
E assim poderás saber com certeza que tal pessoa, sem importar quão religiosa aparente ser, nunca experimentou a salvação.
É nessa pergunta que deves treinar os membros de tua igreja, para que a façam em cada lar que visitarem.
(E as respostas que obtiverem deverão ser registradas nas costas do cartão de membros em perspectiva).
O passo seguinte que o crente der se reveste de capital importância.
Quando um homem dá a resposta errada, o impulso natural do crente é replicar:
"Não, está errado".
Muitos crentes caem nesse erro, mesmo depois de haverem sido treinados por repetidas vezes para que não o façam.
É imperativo jamais discordar com uma pessoa perdida, ao ser-lhe feita essa pergunta. Doutro modo o crente se verá envolvido numa discussão acalorada.
Portanto, quando um homem disser:
"Acredito que tudo quanto um homem precisa fazer para ser crente é ter uma vida decente e obedecer aos dez mandamentos", o crente deve responder com um sorriso:
"É a verdade.
Uma pessoa precisa viver com decência.
Mas, o que alguém precisa fazer para tornar-se crente ?"
Em seguida o crente poderá perguntar:
"Poderíamos ver três ou quatro versículos das Escrituras para ver exatamentc o que a Palavra de Deus diz sobre isso ?"
Ora, se o crente houver avançado cautelosamente, dando ao Espírito Santo a oportunidade de despertar o interesse, seu interlocutor lhe permitirá que leia as Escrituras.
(Mas, se o interlocutor não permitir tal coisa, então nada mais pode ser feito.
A Palavra de Deus é o critério básico de toda pesca de almas.
Dentre milhares de entrevistados, encontrei apenas quatro que se recusaram terminantemente e permitir-me que lesse as Escrituras com eles).
Sumariando, começa a conversar com o perdido lentamente.
Isso tem tanta eficácia como passar semanas para nos familiarizarmos com èle.
O Espírito Santo preparará o coração do perdido para perguntas mais incisivas.
Mais ou menos na quinta pergunta deve-se subir de nível espiritual, perguntando-lhe a opinião sobre o que um homem precisa fazer para tornar-se crente.
Isso dirá se essa pessoa está salva ou perdida.
Se fòr pessoa ainda perdida, pede-lhe permissão para ler alguns trechos das Escrituras, para que se veja o que a Palavra de Deus tem a dizer sobre o assunto.

II. APRESENTANDO CRISTO

Em quase todo volume escrito acerca da conquista de almas, a porção maior é dedicada à discussão sobre como responder desculpas e argumentos.
Enquanto escreve, este autor só conhece três livros, impressos na língua inglesa, que fazem exceção à regra.
Segundo a maioria dos livros, somos ensinados a perguntar a um homem se êle é crente. Caso responda "Não", e se formos daquele tipo corajoso que é capaz de ultrapassar essa pergunta tremenda, então geralmente teremos de enfrentar uma barragem de desculpas, tais como:
"Há muitos hipócritas na igreja", "São tão bons quanto qualquer outro", "Algum dia darei um jeito", etc.
E a todos nós são ensinadas dúzias de passagens bíblicas para oferecer, como respostas, às desculpas e manobras de uma pessoa perdida.
Nesse caso, uma vez mais.
topamos com a fantástica negligência não trabalhar em cooperação com o Espírito Santo.
Responder desculpas é o maior erro que podemos cometer.
No momento em que respondemos às desculpas de um homem, ou mesmo em que permitimos que a palestra desça até um nível onde sejam dadas desculpas, automaticamente lhe teremos permitido estabelecer o rumo da conversa.
Responder às desculpas e argumentos de um homem nada tem a ver, em absoluto, com o testemunho cristão.
Nem ao menos pertence à mesma categoria.
Não é mais testemunho; é debate.
O crente, daí por diante, fica reduzido 4 posição de defender o cristianismo. Responder a problemas específicos não é nem pode ser o Evangelho do Senhor Jesus Cristo!
Jamais fomos comissionados para analisar pontos teológicos com pessoas perdidas. Compete-nos expor as boas novas!
Quando entendemos isso, somente então podemos nos aproximar da conquista de almas de um ponto inteiramente vantajoso.
Descobriremos que existe de fato um meio de testificar sem a necessidade de respondermos a argumentos e desculpas.
Ao invés de termos de responder a desculpas, as desculpas nunca serão apresentadas.
A própria natureza das palavras se encarregará de eliminá-las.
Nisso vemos, novamente, o poder do Espírito Santo.
Quero reiterar que nunca, em toda a minha vida, vi alguém ficar profundamente convicto de seus pecados por que alguém lhe citou uma fileira de versículos da Bíblia em resposta a uma fileira de desculpas.*
Apresentar respostas lógicas e razoáveis às perguntas teológicas do interlocutor também produz resultados nulos.

Decorar versículos e testificar são duas fases separadas da vida cristã.
A memorização de versículos serve de maravilhoso instrumento para o crescimento cristão pessoal.

Também não conheço qualquer ganhador de almas eficaz que empregue esse método. (Existem pescadores de almas que têm chegado a escrever livros ensinando esse método, quando nem eles mesmos o utilizam).
No Novo Testamento, pode-se encontrar grande quantidade de trechos bíblicos de prova nos sermões.
Não se pode encontrar virtualmente nenhum trecho comprobatório nas conversas pessoais de um crente que testifica a uma pessoa não convertida.
As únicas ocasiões em que Jesus usou o método do texto de prova, para replicar argumentos, foi quando se defrontou com o diabo, ou com os fariseus religiosos e jamais com o pecador que precisava do Salvador.
Quando nos utilizamos de versículos bíblicos para responder a desculpas e argumentos, estamos de fato ampliando os problemas, ao invés de exaltarmos a Jesus Cristo.
Toda a atenção se focaliza em plano bem baixo das realidades espirituais.
Mais do que isso, já saímos perdendo, antes mesmo de começarmos, por havermos ferido uma das mais profundas características da natureza humana:
Um homem jamais admitirá que está errado.
Nenhum de nós realmente perde uma discussão.
Sem importar qual seja o assunto, faremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para provar que estamos com a razão.
Apelaremos para todos os nossos recursos e lançaremos em jogo nossa lógica mais arguta.
Quando houvermos exaurido os fatos e a lógica, então começaremos a inventá-los ! Quando estes se acabam, apelamos para as mentiras!
Daí por diante não se trata mais de uma argumentação lógica; pois as emoções entram em cena, e logo estaremos vendo choque de personalidades.
Qualquer esposo e esposa que já tiveram uma discussão acirrada sabem o que isso significa.
Essa é uma das razões por que temos entendido totalmente mal o interesse das pessoas perdidas na salvação.
Temos chegado à conclusão errónea de que as pessoas não convertidas são antagónicas; não crêem na Bíblia; não acreditam em Deus; etc.
Mas isso não expressa a verdade.
Todos os argumentos crus que ouvimos dos lábios de pessoas perdidas não reíletem seu coração.
A pessoa perdida só apela para esse meio no seu esforço desesperado de não perder na discussão.
Uma vez que êle assuma a posição contrária, então fará qualquer coisa, apelará para qualquer coisa, dirá qualquer coisa, simplesmente para não sair perdendo. Tragicamente, é por culpa nossa que a palestra toma esse rumo.
Acompanhemos de perto uma conversa típica entre um crente e uma pessoa perdida:
O perdido afiança que há muitos hipócritas na igreja.
No momento em que o levamos a um versículo bíblico, sem querer estamos a convidá-lo para um debate.
Assumimos la posição contrária.
A linha de batalha foi traçada.
(E a batalha está perdida antes mesmo de começar).
O homem perdido fará tudo quanto estiver ao seu dispor para provar seu ponto.
Lógica é posta contra lógica, e quando essa se exaure, a conversa pode degenerar a um nível em que a pessoa perdida está dizendo coisas nas quais nunca acreditou em instante algum de sua vida.
Finalmente, as emoções entram no quadro, e aquilo que começou com a piedosa intenção de ser um testemunho cristão, termina como um insulto.
E onde fica o Espírito Santo em tudo isso ?
Não lhe demos absolutamente o menor espaço para agir.
Efetuamos todo o nosso testemunho estribado em um princípio falso.
Porquanto a Palavra de Deus ensina que o homem natural não compreende as coisas do Espírito.
E ali estamos nós, argumentando questões teológicas com um homem perdido.
Quais são os princípios espirituais que devem ser observados por quem quer cooperar com o Espírito Santo na conquista de almas ?
Primeiro, Jesus disse que enviaria o Espírito Santo ao mundo a fim de convencer o mundo de seu pecado.
Isso transforma todo o testemunho.
Nossa tarefa não con¬siste de convencer o pecador.
Crivá-lo de uma longa série de versículos, que mostrem a enormidade do pecado, a fim de convencê-lo de seu pecado, não é bíblico.
Pois ao Espírito Santo cabe convencer, e não ao crente 1
O médico não esmurra o estômago de um homem para provar que êle está com apendicite. Meramente toca no seu ventre.
O paciente sente simplesmente porque o problema já está ali.
É tarefa do Espírito Santo, e não nossa, produzir a convicção de pecado.
Quanto ao crente, basta que exponha a verdade.
E o Espírito Santo usa a avenida da verdade que o crente lhe forneceu.
O Espírito é que convence.
Em segundo lugar, a Palavra de Deus não diz:
"Se forem levantados versículos, textos de provas e argumentos, eles atrairão todos os homens a Jesus".
Bem pelo contrário, Jesus disse:
"E eu, quando fôr levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo"
(João 12:32).
Eis o segredo do testemunho cristão a apresentação de Jesus Cristo.
Neste capítulo aprenderemos que há um modo de apresentar a Jesus Cristo e a salvação que Êle dá, que por si mesmo elimina todas as discussões e desculpas.
Os problemas nunca são criados.
Pois não se trata de algo forçado, mecânico, que deliberadamente confronte questões umas com outras.
O oposto é que é a verdade:
o resultado natural do testemunho eficaz é o desaparecimento das dificuldades.
Em terceiro lugar, finalmente, podemos olhar para isso do ponto de vista da razão.
A maioria de nós, como crentes, se mostra sempre muito tímida.
Ora, Jesus prometeu que usaria as coisas fracas do mundo para confundir as sábias. Quase todos os crentes não têm como ponto mais forte decorar passagens das Escrituras, e, sob pressão, não podemos nos lembrar delas.
A grande proporção dos crentes não sabe argumentar mediante a lógica e o raciocínio. Durante toda a nossa vida temos sido os derrotados nas discussões.
E a grande tragédia do testemunho é que mesmo que um crente possua memória atilada e sua lógica seja contudente, pode ganhar uma discussão, mas raramente conquista a pessoa com esse expediente.

III. COMO ELIMINAR O PROBLEMA DAS DESCULPAS

O crente elimina o problema das desculpas simplesmente apresentando Jesus Cristo como o Salvador.
E isso pode ser feito de tal maneira que qualquer desculpa ou discussão pareça inteiramente fora de lugar.
Eis parte de um diálogo, em um plano de conquista de almas que emprega esse novo conceito.

O crente está falando:

"Em Romanos 3:23 lemos que todos pecaram e caracem da glória de Deus.
Isso simplesmente quer dizer que eu sou um pecador; significa que todas as pessoas do mundo cometem pecado.
Você percebe que também tem cometido pecados, não é Roberto?"
("Sim").
"Mas a maioria de nós não percebe a gravidade da coisa.
Olhamos para os outros e nos comparamos com eles.
Por exemplo:
Você pode olhar para mim e dizer:
'Bem, êle faz muitas coisas que eu não faço'.
Ou poderá dizer:
Conheço um homem que é muito religioso, mas sou tão bom quanto êle.
Ora, Roberto, enquanto eu me comparar com você e você comparar-se comigo, nunca veremos como o pecado é realmente.
Mas Deus não nos compara uns com os outros, como fazemos.
Deus nos compara com Jesus Cristo.
Roberto, se Jesus Cristo estivesse aqui conosco, e Deus lhe comparasse com Êle, você seria capaz de dizer que é tão bom e perfeito como Jesus ?"
("Não, naturalmente que não").
"E nem eu poderia dizer tal coisa.
Ninguém pode.
Nenhum de nós é tão bom como Cristo.
Mas Deus diz
que se alguém não é tão bom quanto Êle, então é um pecador e está eternamente separado Dele".*
Ora, passemos a analisar esse diálogo, para ver como êle elimina por completo as desculpas e as discussões por parte da pessoa perdida.
Nota que o crente mesmo apresenta a desculpa.
Então apresenta Jesus Cristo e relaciona essa desculpa com Êle.
Ao invés de responder à desculpa, o crente põe seu interlocutor em sua correta perspectiva para com o Senhor Jesus.
Isso, só por si, pode ser usado pelo Espírito para levar o pecador à convicção, eliminando totalmente toda desculpa.
Eis um princípio muito prático e útil:
Se sabes quais são as desculpas de um homem, então apresenta-as antes que êle o faça. Desse modo nunca se cria oposição, nem há oportunidade de debates.
(Aqui está algo mais de que não te deves esquecer:
se um homem apresentar uma desculpa ou argumento, não tentes respondê-los no mesmo instante, porquanto esse é o momento de maior tensão, e êle está pronto a defender a sua posição a qualquer custo.
Pelo contrário, espera um pouco e toca em seu argumento alguns minutos mais tarde, quando não é mais uma questão pressionante).
Algo mais importante do que tudo isso, porém, se acha presente nesse diálogo.
Trata-se da PESSOA de Jesus Cristo.
Disseste à pessoa perdida exatamente o que a maioria das pessoas diz.
Mas então elevaste a conversa do plano carnal, tirando-a do nível das desculpas e discussões, tirando-a do terreno dos debates teológicos.
Mas elevaste a palestra a um nível onde teu interlocutor fica desarmado porquanto apresentaste a pessoa de Jesus Cristo.
Pois perguntaste: "Se Jesus estivesse aqui, você poderia dizer que é tão bom quanto Êle ?"
Ah, é nesse ponto que o Espírito Santo pode operar.
O perdido viu-se assim confrontado com Jesus Cristo, e pôde ver a si mesmo pela primeira vez.
E êle nunca mais retorquirá:
'Sou tão bom quanto qualquer outro".
Levantar essa questão seria algo fatalmente descabido, pois teria de estar face a face com Jesus.
E o Espírito Santo imprimiu em seu coração a mensagem.

* Esse ponto deve ser apresentado eom bondade e gentileza 0 pescador de almas deve passar a apresentar os resultados do pecado, e então como Jesus Cristo preparou o caminho da salvação das consequências do pecado.
Em seguida o crente deve mostrar como se recebe a Cristo como Salvador.
E assim, a palestra inteira gira em torno da pessoa de Jesus Cristo.

Agora, respondendo uma indagação muito prática:
" Que deve fazer o crente se alguém apresenta uma desculpa no meio do testemunho ?"
Respondamos isso, antes de tudo, afirmando que uma vez que o crente aprenda a trabalhar em conjunto com o Espírito Santo, e faça de Jesus Cristo o centro de sua mensagem, isso quase nunca acontece.
Para a maioria de nós, que se tem utilizado desse novo conceito, é difícil lembrar a última vez em que tivemos dificuldade de tratar com alguém.
De fato, é muito raro que uma pessoa apresente um argumento ou uma desculpa.
Isso não sig¬nifica, entretanto, que muitos não rejeitem a Cristo.
Muitos o fazem, mas jamais com os problemas e tensões agonizantes que temos experimentado.
Nem significa também que o crente domine de tal modo a palestra que a pessoa perdida não possa dizer uma palavra.
Pelo contrário, a pessoa perdida usualmente é quem mais fala.
Mas o crente dirige a corrente dos pensamentos.
Se uma pessoa apresenta um argumento ou desculpa, enquanto o crente lhe fala sobre Jesus Cristo, o crente pode fazer uma ou outra destas coisas:
Antes de tudo, sê honesto e admite a tua ignorância.
Se fôssemos realmente honestos, a maioria de nós diria:
"Não sei", em determinadas ocasiões.
Nunca incorras no erro de tentar responder a tudo quanto um homem diz.
Não imagines que tens a obrigação de tentar responder a tudo.
Ninguém precisa saber todas as respostas para ser um conquistador de almas. Simplesmente não possuímos tantas respostas verdadeiras.
Mas podemos ser verazes, e isso com surpreendentes resultados.
Quem disse que precisamos ser intelectuais afimm de testemunhar de Cristo ?
Nem a pessoa perdida espera que sejas um génio, para que estejas apto a falar com ela.
Antes, provavelmente ela te respeitará mais se disseres honestamente que não sabes qual a resposta de determinada pergunta.
Em segundo lugar, podes solicitar o privilégio de te descartares da pergunta simplesmente:
"Já lhe direi; vamos continuar e voltaremos depois a essa questão".
Ou então:
"Espere um momento, e lhe darei a resposta a essa pergunta, de modo bem claro".
O próprio fato que não respondes à desculpas ou argumento, significará mais para teu interlocutor do que se desses de imediato a resposta.
Êle sentirá que és honesto e que teu único desejo é o de apresentar algo que parece muito importante para ti, algo em que acreditas sinceramente.
Sentirá que falas com êle acerca de algo que é por demais importante para ser rebaixado ao nível cie argumentação e defesa.
Isso porventura significa que jamais devemos responder aos argumentos ou desculpas do pecador ?
Exatamente.
O desejo de citarmos uma passagem bíblica, em réplica a cada palavra do pecador, não conduzirá a parte alguma.
Todavia, o conquistador de almas precisa pedir a Deus a sabedoria para conhecer a diferença entre uma desculpa e um problema sincero.
A distinção se reconhece com facilidade.
Se houver algo na mente da pessoa perdida, que de vez em quando transparece, então o crente pode saber que se trata de um verdadeiro problema, e não de mera desculpa. Analisa a pergunta.
Foi feita humilde e sinceramente, tendo partido de um coração que parece lutar com um problema ?
ou foi formulada com um verniz de justiça própria e de indiferença ?
Faça a ti mesmo esta pergunta:
o Espírito Santo está trabalhando no coração da pessoa com quem estou falando?
Se vires provas de que a pergunta se originou no desassossego, induzido pela atuação do Espírito Santo, então, mui ternamente procura responder à pergunta da melhor maneira possível, conservando o Senhor Jesus Cristo como pensamento central.
Mas, se não souberes a resposta, simples e honestamente reconhece o fato, e deixa nas mãos do Espírito Santo resolver o problema.
(Descobrirás que as pessoas com problemas sérios, que necessitam de orientação especial, perfazem pequena porcentagem daquelas com quem falares.
A maioria das pessoas tem muitas desculpas, e poucas têm problemas reais).
Empregando esse conceito na conquista de almas, jamais necessitarás de mais do que quatro ou cinco versiculos da Bíblia para testificar a quem quer que seja.
Quatro versículos da Bíblia podem ser aprendidos com facilidade.
Não são quatro versículos que respondem a quatro desculpas.
De maneira bem realista, nem mesmo devem ser quatro versículos separados, mas quatro porções de um só quadro da salvação.
Esses versículos se completam, formando um todo, salientando o Senhor Jesus como a resposta para as necessidades de alma dos pecadores.
Cada um de nós tem suas peculiaridades.
Nossas personalidades jamais se igualam.
Mas aqui está um conceito neo-testamentário de conquista de almas que pode ser e realmente é aceitável para qualquer crente.
Até mesmo o crente mais reservado e sensível, que seria repelido ante a perspectiva de testificar através de qualquer outro modo, acha que esse método é tão natural que pode acolhê-lo e usá-lo todos os dias.
Uma vez que tenhas dominado esses princípios do Novo Testamento acerca do testemunho cristão, sendo eliminados os esforços tradicionais inerentes aos outros métodos, ficarás admirado em descobrir quão verdadeiramente interessadas estão as pessoas em Jesus Cristo e em Sua salvação.
Mais e mais verás que tuas palestras vão penetrando no coração e na alma daquele homem, penetrando em seus problemas e necessidades tais como a paz, a preocupação e frustração.
Também ficarás perplexo ao descobrires que a maioria das pessoas anseiam por encontrar Cristo como seu Salvador, quando te aproximas delas da maneira correta.
E verás que é questão simples conquistá-las para teu Salvador.
E notarás, por fim, que não se trata de experiência tão aterrorizante assim.

IV. PONTO DA DECISÃO

Quando o crente testifica para alguém, a palestra cai em três divisões naturais:
(1) começo da conversa;
(2) apresentação de Cristo;
(3) momento da decisão.
Nas prateleiras de minha biblioteca existem quase todos os livros escritos no idioma inglês acerca da pesca de almas.
É muito difícil encontrar em qualquer deles alguma referência ao modo de guiar alguém atè à experiência da conversão.
O máximo que usualmente é dito, é:
"Agora pressiona para que a pessoa tome uma decisão".
Ou então:
"Agora lança a rede".
Porém, como ?
de que maneira ?
Este autor está bem lembrado que após haver sido pastor por três anos, tendo completado o curso de seminário, estava conversando com um homem perdido que repentinamente concordou em aceitar a Cristo ali mesmo.
Embora eu houvesse testificado a dúzias de pessoas, até aquele momento ninguém mostrou a qualquer interesse em aceitar a Cristo
(e nem eu conseguira conquistar a qualquer alma!)
Foi somente naquele preciso instante que percebi não ter a mais vaga noção de como conduzir uma pessoa perdida através da experiência da salvação.
A maioria dos pastores e leigos nunca recebeu qualquer treinamento sobre esse particular, nem conhece coisa alguma sobre a delicada arte de pressionar alguém para que faça uma decisão em favor de Cristo.
Mais ou menos a única maneira de lançar a rede, segundo quase todos temos ouvido e lido, é dizer subitamente ao pecador:
"Agora, se você quer receber a Cristo como seu Salvador, me dê a sua mão direita".
Porém, as mãos de um homem não salvam !
A decisão precisa ser mais conclusiva do que isso !
Sem dúvida que a oração também não salva; não obstante,um homem perdido de algum modo precisa entrar em contacto com Jesus Cristo, para que se converta.
O mínimo absoluto para que alguém receba a salvação sem importar o que um homem saiba ou não com respeito à redenção é que deve entrar em contacto com o Salvador.
A oração não salva. . . mas Jesus salva.
E o pecador tem de entrar em contacto com Jesus para que se converta.
A maior tragédia da pesca de almas em nossos dias é que nunca explicamos, passo a passo, exatamente como alguém deve receber a Cristo, conduzindo-a, então, através desses passos.
Tenho visto crentes tratarem com pessoas perdidas durante horas, sem nunca chegarem ao ponto de dizer:
"Eis como".
Outrossim, não pode haver verdadeiro testemunho se não se chega ao ponto da decisão. A maioria dos crentes, contudo, tem chegado à conclusão que se convidarem alguém à igreja, ou dizerem qualquer coisa sobre Jesus, ou mesmo apresentarem a história da redenção, que já "testificaram".

Ninguém realmente chegou a testemunhar enquanto não houver levado uma alma face a face com Jesus Cristo, levando-a a um ponto onde ela tem de acei-tá-Lo ou rejeitá-Lo.
A maneira mais eficaz, e ao mesmo tempo mais gentil de levar alguém ao ponto da decisão é simplesmente apresentar-lhe o plano da salvação, e então, sem hesitação nem diminuições de ritmo, pedir-lhe que baixe a cabeça e profira uma oração.
Pede-lhe que feche os olhos e imagine que Cristo está ali.
Faz uma oração breve e não encerra a oração.
Mas apenas deixa de falar sobre Jesus, e começa a falar à pessoa sob convicção.

Diz-lhe:
"Agora, Roberto, não faça isso se você não quiser fazê-lo de todo o coração.
Mas, se você quer receber a Cristo como seu Salvador, agora mesmo, diga simplesmente: 'Querido Jesus, confesso meus pecados...'"
Então espera até que teu interlocutor comece a orar.
Agora êle sabe exatamente o que deve fazer, bem como a
maneira de fazê-lo.
Levaste-o até um ponto claro, de onde, conscientemente êle pode aceitar ou rejeitar a Cristo.
Geralmente, tendo chegado nesse ponto, o pecador sob convicção começará a derramar seu coração perante o Senhor, sem a ajuda do ciente.
Mas, em certos casos, é necessário guiá-lo até uma completa oração de decisão.
Depois de haveres conduzido uma pessoa a Cristo, tuas próximas palavras devem girar em torno da certeza da salvação; então acerca de sua necessidade de tornar-se parte da Igreja; e, finalmente, de sua necessidade de crescer em Cristo.

ORIENTANDO A PALESTRA

Temos considerado os problemas e princípios do testemunho neo-testamentário eficaz. Quando o crente já absorveu perfeitamente a arte da conquista de almas, então perde quase que por completo seu receio de dar testemunho.
O testemunho torna-se então uma experiência diária e é efetuado no mais alto nível da virtude cristã.
E esse testemunho é um motivo de glória para Jesus Cristo, porquanto essa maneira de testificar O glorifica.
E isso como que inicia um novo dia na vida do crente, como também na vida de sua congregação.
O crente que testifique com eficácia pode, realmente, guiar a palestra, se fôr mestre do que está fazendo.
A pessoa perdida poderá falar muito, e realmente assim deve ser.
No começo da palestra que visa a conquista de uma alma, quando o crente ainda está avançando cautelosamente, deve-se permitir que o perdido fale à vontade.
O crente deve mesmo encorajá-lo a falar, ouvindo-o com atenção, e talvez assentindo com a cabeça.
Mas o crente está ali sabendo exatamente o que lhe convém em seguida.
Deve saber exatamente em que direção precisa prosseguir.
Se a conversa se desviar da trilha principal, deve trazê-la novamente para a trilha certa.
Afinal de contas, uma palestra é simplesmente a ação de palavras e ideias umas sobre as outras.
É possível ao crente guiar a conversa de maneira gentil, até chegar o ponto de abrir a Palavra de Deus, seguindo dali para as grandes verdades da salvação avançando habilidosamente na direção oposta às desculpas e, finalmente, levando a pessoa ao ponto da decisão.

O PRINCIPIANTE PRECISA DE UM PLANO

É possível reduzir os princípios que temos descoberto e sobre os quais temos falado neste capítulo, tornando-os um plano funcional.
Esse plano consiste apenas de um diálogo.
O crente aprende cinco ou seis "degraus de aproximação", que podem lentamente abrir a conversa com uma pessoa perdida.
Esses seis passos tranquilamente conduzem essa pessoa ao ponto da Palavra de Deus ser aberta à sua frente.
Uma das perguntas feitas pelo crente revelará se a pessoa é realmente convertida ou não.
Cada pergunta deve ser formulada de tal maneira que, a despeito da resposta do interlocutor, o crente sempre possa seguir para a pergunta seguinte.
Dessa maneira, o crente nunca ficará sem saber o que dizer em seguida.
O crente pode aprender um diálogo que explique claramente o plano da salvação.
Pode usar quatro versículos da Bíblia que apresentem claramente a Jesus Cristo, levando a conversa ao ponto da decisão.
A melhor maneira de um principiante ganhar almas é aprender bem UM único plano.
Todos nós somos principiantes, pelo que seria melhor que todos começássemos por este ponto.
Compreende bem e decora o plano, como se fosse a única coisa no mundo capaz de funcionar.
Eis algumas das razões pelas quais um crente que busca ser um ganhador de almas deve usar um plano:

1.Inspira confiança.
2.Dá a vantagem do crente saber quais reações e respostas deve esperar da parte de seu interlocutor.
3.A mente do crente fica livre da tensão de como prosseguir, dando-lhe liberdade para concentrar-se em seu interlocutor, bem como na presença do Senhor.
4.O crente pode orientar a palestra.
5.Permite o crente a ficar no centro do alvo, trabalhando sistematicamente em favor da salvação do pecador.
6.Deixa o crente em liberdade para analisar as respostas e reações de seu interlocutor, medindo sua capacidade de compreensão.
E o crente não fica a rebuscar ansiosamente o que deve dizer em seguida.
7.O crente não necessita de grande quantidade de porções bíblicas, nem de ajudas extras para fazer seu trabalho.
8.O crente pode levar o pecador a uma decisão, mais prontamente.
9.O próprio crente não fica confuso.
10.A pessoa perdida ganha confiança no crente, porque este deixa transparcer segurança no que faz.
11.O crente não precisa preocupar-se com a pergunta:
"Como posso apresentar a questão de Cristo e Sua salvação ?"
Os passos de abordagem, uma vez memorizados, facilitam o trabalho.
O temor se dissipa.
12.O crente estará sempre pronto, quando o Espírito Santo lhe der uma oportunidade.
13.O crente se sentirá natural e à vontade.
Não haverá qualquer temor.

Lança mão do plano que tiveres aprendido bem, até que tenha conduzido dez pessoas, com sucesso, aos pés do Senhor Jesus.
Quando houveres ganho dez pessoas para Cristo, já estarás senhor inteiramente de ti, sem temores desnecessários.
Outrossim, terás trabalhado sob a direção do maior instrutor sobre conquista de almas que existe o Espírito Santo.
Terás grande acúmulo de experiência, de onde poderás tirar proveito.
Poderás basear-te confiantemente no plano, testificando à base do estravasamento de sabedoria que Deus te der... por qualquer modo de abordar que te pareça melhor.
Enquanto não passares do estágio de principiantes, não deves abandonar o plano.
Essa é a melhor maneira de um pastor começar a pesca de almas, em sua própria vida. Também é a melhor maneira do pastor, por sua vez, ensinar a arte da conquista de almas à sua congregação.
É, igualmente, o melhor modo de um leigo começar a ganhar almas para Cristo.
É a melhor maneira de começar a criar uma igreja conquistadora de almas.

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